21 de julho de 2024 16:14

MG tem média de 354 acidentes por mês causados por embriaguez

Conforme o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, esse tipo de atendimento aumenta no período da folia

Todos os meses, Minas Gerais registra uma média de 354 acidentes de trânsito causados por motoristas embriagados. Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no ano passado foram 4.256 ocorrências dessa natureza. Já em Belo Horizonte, no mesmo período, foram 489, o que corresponde a uma média de 40 por mês. 

Se os números já causam preocupação em especialistas e na população em geral em todas as épocas do ano, durante o Carnaval acendem um alerta ainda maior. Conforme profissionais que atuam na área de trânsito, com a folia vem o consumo maior de álcool e, consequentemente, o aumento de acidentes, muitos deles fatais. Apesar das fiscalizações, multas e possibilidade de prisão do infrator, a situação está longe de se tornar incomum.

Para se ter uma ideia, em 2023, somente o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII registrou 233 atendimentos por causas ligadas direta ou indiretamente ao álcool no período da festividade. Conforme a unidade de saúde, a situação se repete ano a ano. Os casos mais graves são registrados nas rodovias federais, envolvendo pessoas que saem de suas cidades para participar da folia na capital.

Diretor Científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra ressalta que são diversos os efeitos do álcool na mente dos condutores. Além disso, os foliões, quando consomem bebidas alcoólicas, também ficam mais vulneráveis, o que pode ocasionar acidentes ainda mais graves. 

“O álcool é uma substância psicoativa que altera a capacidade de julgamento. A pessoa perde a percepção dos riscos do que ela está fazendo. Com isso, pode acabar dirigindo acima da velocidade e avançando sinais, por exemplo. Além disso, o álcool altera os reflexos, o tempo de reação e, consequentemente, estimula a adoção de outros atos infracionais, como a ultrapassagem e a conversão proibidas”, ressalta.

Conforme lembra Coimbra, o fluxo de pedestres, um dos elos mais frágeis dessa cadeia, é maior durante o Carnaval. Muitas dessas pessoas estão curtindo a folia e também estão sob efeito de álcool. “Em vários locais existe aglomeração de pessoas, que muitas vezes também estão alcoolizadas. Elas ficam mais desconectadas em relação à atenção, audição, o que as torna mais vulneráveis aos acidentes também”, diz.

Também especialista em trânsito, Márcio Aguiar ressalta que bebida e direção “chamam acidentes”. Por isso, diz ele, campanhas de conscientização são muito importantes. “É preciso haver fiscalização constante”, diz ele.

Punição

Dirigir embriagado é uma infração gravíssima. Além da previsão de multa de R$ 2,934,70, há a instauração de processo administrativo para a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses. Caso haja reincidência no período de um ano, o valor da multa é dobrado. Já a CNH, é cassada. O infrator ainda está sujeito a detenção de seis meses a três anos.

No entanto, para as vítimas e para os causadores desse tipo de acidente, a punição pode ser muito maior do que isso, com a perda de algo infinitamente mais valioso: a vida.

Acidente muda história de família

Wellington Rangel é pai de João Pedro, hoje com 16 anos. Em 2012, ele estava no volante quando se envolveu em uma grave batida. No carro estavam, além do filho, na época com 5 anos, o pai de Rangel, um tio e um sobrinho dele. 

Em determinado momento, um motorista embriagado invadiu a contramão na BR-381, na altura de Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, e atingiu a família. O homem que provocou a batida tinha acabado de sair de uma festa e perdeu a vida. Já o filho de Rangel, João Pedro, foi o que sofreu ferimentos mais graves entre as vítimas e perdeu as duas pernas.

“Esse tipo de ocorrência desmistifica a teoria da fatalidade. Não foi acidente. Houve uma relação de causa e efeito. Essa pessoa aceitou o risco do que aconteceria. É preciso que as pessoas se conscientizem, que não dirijam após beber para evitar causar danos na própria vida e na vida de pessoas que não têm nada a ver”, diz ele.

Hoje, conforme relata Rangel, João Pedro está muito bem. Faz natação, toca violino, é um excelente estudante. “A fé foi muito importante em tudo isso”, avalia.

No entanto, passados onze anos do episódio, ainda não é possível dizer que situações como as vividas pela família de João Pedro ficaram para trás. “Ainda está muito presente na nossa cultura o ‘beber e dirigir’. Isso precisa mudar”, finaliza o Diretor Científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra.

FONTE O TEMPO

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