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POLÊMICA CONTINUA EM RIO ESPERA (MG): sino silenciado por imposição judicial ganha marchinha de carnaval e comunidade prepara protesto; ouça aqui

Prossegue a polêmica em torno da suspensão judicial dos toques do relógio da matriz histórica de Nossa Senhora da Piedade, em Rio Espera (MG). As badaladas foram silenciadas por uma ação judicial movida por dentista intransigente com os barulho do “tic e tac”. A discussão rompeu os limites do munícipio mineiro e alimentou manchetes e reportagens pelo Brasil afora.

A juíza Célia Maria Andrade Freitas Corrêa, da 4ª Vara Cível da Comarca de Conselheiro Lafaiete, acatou parcialmente pedindo pela suspensão do relógio, determinando a suspensão do sino entre 0h30 e 4h15, como havia sido acordado anteriormente. Agora, a paróquia recorreu da decisão. A comunidade se revoltou contra a decisão e ação judicial com uma mobilização popular, considerando um ataque a cultura tricentenária.

Há informações que haverá uma manifestação popular em favor da volta das badaladas do relógio no carnaval.

Crônicas

Até escritores relataram em suas crônicas o caso insuspeito rioesperense. “E esse relógio faz parte de um conjunto arquitetônico da cidade, Matriz, sino, relógio e a imagem da Pietá esculpida pelo Mestre Aleijadinho quando morou em Rio Espera. Esse conjunto pertence aos moradores de Rio Espera, foram obtidos pelo suor das famílias rioesperenses e não permitiremos que pessoa alguma venha desfigurar nosso patrimônio. Você faz referência como se fosse um “simples relógio”, mas não é! Suas badaladas dão vida a nossa cidade, orientam nossas atividades, ecoam no espaço e no tempo, adentrando docemente em nossos lares, lembrando também nossos antepassados, UM VERDADEIRO ELO ENTRE GERAÇÕES. Segue então nossa resposta a quem quer calar o som dos sinos de “nosso relógio” : AQUI NÄO VIOLÃO”. Parte do texto acima foi extraída de crônico de um rioesperense, Paulo Eugênio Nogueira de São José.

Também o poeta Fabrício Carpinejar, que tem uma coluna semanal no Jornal “O Tempo”, cuja mulher é natural de Rio Espera, escreveu sobre o tema. “Minha sogra, Clara, nasceu em Rio Espera. A família do tronco materno de minha esposa é de lá. Passei várias celebrações de Natal às margens do riacho. Joguei futebol no estádio municipal. A vida gira em torno da igreja Nossa Senhora da Piedade. Ela dita o ritmo dos moradores, tanto geograficamente, numa referência para explicar um caminho, quanto temporalmente, pelas badaladas exatas dos seus sinos.

A cada um quarto de hora vivido, os sinos avisam com um toque. A cada meia hora, avisam com dois toques. A cada quarenta e cinco minutos, avisam com três toques. A cada hora cheia, dão quatro toques mais o número de horas. Se, por exemplo, são dez horas da manhã, soarão quatro toques (de hora cheia) mais dez toques da hora específica. Os sinos registram a duração real do cotidiano, não se limitam a estampidos simbólicos. Servem para lembrar o início das aulas, o almoço, o jantar, o momento de se deitar. A questão é que os sinos não se reduzem a barulho, constituem o som orgânico do ambiente, como o vento, como a chuva. Como pedir para suspender a brisa nas árvores? Ou os trovões?.Os visitantes e turistas frequentavam o ponto turístico justamente porque os sinos se mostravam incessantes. Aniquilou-se assim um diferencial do lugar. Entenda que não é um capricho dos moradores, ainda que todo o quarteirão histórico tenha sido levantado pelo suor das famílias rio-esperenses, e não por obras com dinheiro público. O problema é apenas um: retardar ou parar o relógio é matá-lo.”, refletiu.

Marchinha de carnaval

A paixão pelo relógio é tanta que criaram um toque no celular quando o aparelho é acionado reproduzindo o tic e tac original. Eis que o relógio agora é tema de uma marchinha de carnaval que já embala os foliões que prometem encher a cidade. A a criatividade da letra reflete com ironia a história silenciada pela Justiça.

“O relógio não poder parar

Tic tac, tic tac, tic tac

Desligaram o relógio da igreja,

reclamaram que o som não é normal

O Relógio faz parte da história foi parar no tribunal.

A cidade ficou calada em pleno carnaval.

O relógio não atem badalada e virou caso judicial.

Meu Deus, que prejuízo, o tic-tac foi parar no juízo.

Deu no jornal e na internet. Belo Horizonte, Juiz de Fora, Lafaiete.

È só isso que repete. Rio Espera ficou calada.

O relógio não tem badalada.

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