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Vereadores defendem que Congonhas deixe ser polo de micro na saúde; para especialista seria um retrocesso e equívoco; Simônia pede decreto de emergência

Vereador Igor Costa (PL) sugere que o vice-prefeito, Zelinho, assuma o comando do Hospital Bom Jesus

A principal polêmica na sessão desta terça-feira (1), na Câmara de Congonhas (MG), foi em torno do requerimento do Presidente, o Vereador Averaldo Pica Pau (PL), no qual solicitou a relação completa do corpo clínico do Hospital Bom Jesus (HBJ) incluindo as respectivas especialidades de cada profissional, escala de plantões e vencimentos nos últimos 6 meses. O vereador relatou que uma pessoa próxima, passando mal, dirigiu-se até a UPA, quando foi informada de que o HBJ só aceitaria internação ou diagnóstico em caso de urgência ou emergência. “Precisamos saber para que serve o hospital se não pode atender nosso cidadão. Para onde ele vai? Para o açougue? É inacreditável uma fala dessa de um médico e ela se repete com diversos pacientes. Vai virar uma carnificina. O paciente tem de ir para casa e não pode ficar internado para fazer um diagnóstico. A quem serve o hospital? A intervenção permanece há mais de 11 anos e sem uma solução e com a mesma diretoria”, pontuou. “O cidadão tem o direto de ir ao hospital mesmo sem plano de saúde. É dinheiro nosso”, completou.

Averaldo defendeu que Congonhas deixe ser polo de micro cujo atendimento passou a ser regionalizado abrangendo Ouro Branco, Entre Rios de Minas, Jeceaba, São Brás do Suaçuí e Desterro de Entre Rios, em um público de mais de 120 habitantes. “A gente não pode ficar indignado que o hospital vem recebendo recursos públicos. Ainda bem que Congonhas tem. O problema não é o dinheiro, mas o cidadão congonhense ser bem atendido. Erramos quando nos tornamos micro regional de saúde. Congonhas não suporta todos os municípios usando de nossa estrutura. Tem prefeitura que repasse R$ 50 mil para todo o serviço”, completou.

Vereadores voltaram a criticar a gestão do Hospital Bom Jesus/REPRODUÇÃO

Audiência

Já Eduardo Matozinhos (PMN) defendeu a realização de uma audiência pública sobre o tema em torno do atendimento do HBJ. “Temos que aproveitar que a arrecadação está em alta. O momento é agora para ouvir a comunidade e o que ela deseja da saúde. Não tem mais como protelar. Se o município deixar de fazer os repasses, o hospital fecha em 30 dias”, pontuou. Ele citou que os repasses ao BHJ chegam a R$ 5 a R$ 6 milhões ao mês. “Isso é dinheiro do povo e para o povo. São situações inaceitáveis e que bom que a Câmara está se movimentando em peso”, analisou Matozinhos.

A Vereadora Simonia Magalhães (PL) também corroborou a tese do se colega Averaldo, mas defendeu que a prefeitura declare situação de emergência na saúde. “Não temos condições de ser micro regional. Houve um aumento expressivo de óbitos nos últimos anos no HBJ. O hospital não consegue ficar um dia sem repasse, mas isso não importa. O que importa é o cidadão ser bem atendido e com dignidade. O Município entendeu que poderia ser micro, mas está na hora de mudar. O cidadão de Congonhas aguarda vaga no SUS Fácil e vai para Entre Rios, Ouro Branco quando há vaga. Para conseguir uma vaga tem de judicializar porque não temos leitos para atender nossos pacientes”, analisou.

Igor Souza cobrou gestão eficiente na direção do HBJ. “O que falta é gestão hospitalar com pulso. Temos que saber como funciona esta relação médico e hospital. A gente ouve tantas aberrações. Quem está no comando do HBJ representa o interesse da população. É um absurdo o que acontece no hospital. Temos que nos envolver mais nesta questão para encontrar caminhos. O Ministério Público tem de cair para dentro do HBJ, pois quem paga a conta é cidadão. São rios de dinheiro que o município derrama ali e não há um atendimento de qualidade. É uma situação gravíssima é há um retrocesso”, disparou, citando atraso no pagamento do piso salarial dos enfermeiros.

“Tenho cobrado Zelinho que ele tome a dianteira do Hospital Bom Jesus. O povo precisa de você”, completou Igor. “O povo está sofrendo doente em casa e sem atendimento em função de outras cidades. Tem de priorizar o povo. Um povo doente e cidade rica”, encerrou o Vereador Heli Piu (Solidariedade).

Equívoco e retrocesso

Nossa reportagem buscou informações com uma especialista em saúde público que atua na Macro Centro-Sul, com sede em Barbacena, e que abrange mais de 50 cidades. Ela foi categórica em afirmar que, se Congonhas deixar de ser polo regional, será um equívoco e retrocesso. “Para ter uma UTI em funcionamento, a cidade teve que se tornar polo de micro. É uma condição normativa para atender em média complexidade. Foi uma evolução e para tal a cidade recebe aporte de recursos. Se deixar de polo de micro vai perder todos os serviços que hoje o sistema de saúde oferta ao cidadão. Quanto ao Bom Jesus temos que ver a taxa de ocupação dos leitos. A questão é gestão”, analisou.

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