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Um retorno ao século XVIII

A história da Igreja da Passagem em Gagé, que está celebrando 251 anos, é um testemunho silencioso da rica herança cultural e religiosa de Minas Gerais. Construída no século XVIII, a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Passagem é o último vestígio do povoado que outrora floresceu na região. Este povoado, conhecido como Passagem, foi extinto na década de 1970 com a chegada da Açominas, uma grande siderúrgica que transformou a paisagem local e apagou da memória coletiva uma comunidade que, segundo registros históricos, era mais antiga que Carijós, atualmente Conselheiro Lafaiete.

No livro escrito em 1978 pelo Padre José Duarte de Souza, é mencionada a decadência que já se abatia sobre a povoação naquela época. Ele descreve a Passagem como uma localidade em ruínas, um lugar que já havia sido próspero, mas que então se encontrava em completo abandono. Segundo o padre, as atas da Irmandade revelam que a capela, originalmente construída em pedra no século XVIII, já estava em estado de abandono. Esse relato é um eco do passado que ressoa até os dias atuais, alertando para a fragilidade do nosso patrimônio histórico.

O nome “Passagem” tem uma origem curiosa e significativa. De acordo com o Dr. Francisco de Paula Ferreira de Resende, em seu livro “Minhas Recordações”, ele se refere à construção de uma passagem pelos habitantes do local, que desviaram o curso das nascentes do Rio Piranga para o Rio Paraopeba. Esse feito demonstra a engenhosidade e o esforço coletivo da comunidade, que se dedicou a modificar a natureza para atender às suas necessidades.

Hoje, a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Passagem permanece como o último elo com um passado soterrado.

Domingos T Costa

Acervo: Dezuita de Lourdes, a Didi, minha prima

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