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Câmara de Lafaiete vai criar “Semana do Gageense Ausente”

A Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete está próxima de decidir sobre a inclusão de um novo evento em seu calendário oficial: a “Semana do Gageense Ausente”. O Projeto de Lei (PL) nº 143/2025, de autoria do Vereador Roger Diego, propõe que a celebração ocorra anualmente na primeira semana de setembro. A iniciativa tem como propósito principal valorizar a história, a identidade comunitária e o sentimento de pertencimento dos moradores e ex-moradores do Bairro Gagé.

Aprovado na Comissão de Justiça

A proposta já recebeu um importante aval da Comissão de Legislação e Justiça (CLJ). Em parecer emitido em 03 de dezembro de 2025 , a comissão concluiu que o projeto é jurídico, constitucional e legal. A CLJ ressaltou que a Câmara tem competência para legislar sobre o assunto, que é de interesse local. Além disso, o parecer destacou que a proposição se limita à inclusão da data comemorativa, não criando obrigações específicas nem despesas ao Poder Executivo Municipal, o que afasta qualquer violação ao princípio da separação dos poderes.

Economia e valorização

O Projeto de Lei tem como objetivo instituir, segundo o Vereador Roger Diego, no calendário oficial do Município de Conselheiro Lafaiete, a Semana do Gageense Ausente, como forma de valorizar a história, a cultura e o sentimento de pertencimento dos moradores e ex-moradores do Bairro Gagé. “Muitos filhos dessa tradicional comunidade, embora atualmente residam em outras cidades ou estados, mantêm fortes vínculos afetivos, familiares e culturais com o bairro, retornando periodicamente para rever amigos, familiares e participar de eventos locais. Instituir uma semana dedicada a esse reencontro representa uma importante iniciativa para a preservação da identidade cultural gageense”, citou o vereador

Segundo ele, além de fortalecer os laços comunitários, a celebração contribui para a movimentação do comércio local, fomenta o turismo e estimula o envolvimento da população em atividades culturais, sociais e solidárias. Dessa forma, a proposta busca consolidar uma tradição festiva, promovendo o reconhecimento histórico e cultural do bairro e reforçando o orgulho de ser gageense.

Gagé: História e Patrimônio Cultural de Conselheiro Lafaiete

Gagé é uma tradicional localidade situada na zona norte do município de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais. Embora muitas pessoas se refiram a Gagé como um distrito, oficialmente o município possui apenas dois distritos reconhecidos: a sede de Conselheiro Lafaiete e o distrito de Buarque de Macedo. Ainda assim, Gagé possui identidade própria, forte sentimento comunitário e grande relevância histórica para o município. Geograficamente, Gagé abriga o ponto de menor altitude do território lafaietense, localizado na foz do Córrego da Ilha, a 872 metros acima do nível do mar. Essa característica natural contribui para a singularidade da região dentro do contexto municipal.

Origem do Nome e Ocupação Inicial

O nome “Gagé” tem origem indígena, sendo atribuído à tribo dos Gajé. Segundo registros históricos e relatos populares, o termo teria o significado de “saco do machado”. A presença indígena na região remonta ao século XVIII, quando esses povos habitavam as margens do Rio Bananeiras e de diversos córregos que cortam a localidade. Há registros históricos que comprovam que Gagé já existia no século XVIII, o que reforça sua importância na formação territorial e social de Conselheiro Lafaiete.

Bairros e Localidades que Integram Gagé

A região de Gagé é composta por diversas vilas e localidades, entre elas: Vila Fernandes, Vila Vitória, Vargem Grande, Vila da Paciência, Casa Branca, Estrada da Mãe Tereza, além de outras áreas adjacentes. A principal via da localidade é a Rua Santa Efigênia, uma das mais extensas da cidade, que se inicia no bairro Santa Efigênia, em Lafaiete, e atravessa grande parte da região de Gagé, sendo um importante eixo de ligação urbana e social.

Localidades Próximas e Regiões Desabitadas

Gagé faz divisa com diversas localidades, como Três Barras e Jacuí (ambas pertencentes a Conselheiro Lafaiete), Vila Marques (Congonhas) e Joaquim Murtinho, que pertence parcialmente a Congonhas e a Lafaiete. Há também áreas desabitadas que pertencem ao município de Conselheiro Lafaiete, como Adau (ou Souza) e Passagem de Gagé, situada a cerca de 6 km da localidade principal. Esta última abriga uma antiga igreja construída em 1774. Ambas as regiões já foram habitadas, porém, com a implantação da Açominas na década de 1970, acabaram sendo desocupadas.

Estação Ferroviária de Gagé

A Estação de Gagé foi inaugurada em 6 de maio de 1898, conforme registros do site estaçõesferroviárias.com.br. Situada a 889 metros de altitude, a estação teve papel fundamental no desenvolvimento econômico da região, especialmente no escoamento de manganês, explorado à época pela Companhia Santa Matilde.

De acordo com a Memória Histórica da Estrada de Ferro Central do Brasil (1908), a parada de Gagé foi criada justamente para atender essa demanda mineral. Em 1924, ocorreu um descarrilamento de trem nas proximidades da estação. Infelizmente, a Estação de Gagé foi demolida, restando apenas registros fotográficos e documentais de sua existência.

A Usina do Gagé e o Desenvolvimento Industrial

A industrialização teve papel decisivo na história de Gagé. A Usina Esperança foi inaugurada em 21 de junho de 1891, fundada pelo suíço Albert-Joseph Gerpaecher e seu filho Joseph Gerpaecher. Em 1927, a empresa passou a se chamar Usina Queiroz Júnior, nome que manteve até aproximadamente 1982.

Em 1974, foi construído um alto-forno, consolidando ainda mais a vocação industrial da região. Posteriormente, a empresa passou a se chamar Barra Mansa, chegando ao nome atual de Siderúrgica Gagé, que segue como importante referência econômica local.

Além da siderúrgica, Gagé abriga outras atividades industriais, como a Sebrem (antiga Sbeel) e uma pedreira localizada após Casa Branca, antes da Vila Lobos. A localidade também mantém viva a tradição esportiva com o time de futebol Queiroz Júnior.

Patrimônio Religioso

O patrimônio religioso de Gagé é um dos mais ricos da região. A Capela de Nossa Senhora do Rosário, anteriormente dedicada a São Sebastião, já existia na década de 1910. Sua construção remonta ao período em que o Padre Américo era vigário da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, época em que Lafaiete possuía apenas uma paróquia.

Antes de 1914, um relatório da Biblioteca Nacional sobre a antiga Queluz mencionava Gagé como local onde existia “uma das mais bem acabadas e belas igrejas de Minas”, referência que provavelmente se destinava a essa capela. A igreja passou por diversas reformas, incluindo uma significativa intervenção em 1936, conduzida pelo Monsenhor Moreira. Seu sino foi confeccionado por João Glória, de Itabirito, renomado sineiro responsável por diversos sinos da região.

Após a construção da nova Igreja de São Sebastião, a antiga capela entrou em processo de abandono. Posteriormente, um morador do bairro Fonte Grande passou a organizar festas em honra a Nossa Senhora do Rosário, que acabou se tornando a padroeira da capela.

A Igreja Nova de São Sebastião foi construída entre o final da década de 1960 e início da década de 1970, com apoio da Empresa Queiroz Júnior e da comunidade local. De arquitetura moderna, destaca-se pela imagem do padroeiro posicionada em sua parte superior. Atualmente, a igreja pertence à Paróquia de Nossa Senhora da Luz.

A história de Gagé reflete a formação cultural, religiosa e industrial de Conselheiro Lafaiete, preservando memórias que ajudam a compreender o desenvolvimento do município e fortalecem a identidade de seu povo.

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