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Escândalo na Saúde: denúncias de assédio e suspeitas de fraude em diagnósticos provocam crise na UPA de São João del-Rei e ganham exposição negativa nacional; vem CPI para apurar as suspeitas

Diretor é afastado após vídeo com falas sexistas virar alvo de inquérito; médicos denunciam medo e interferência em prontuários. Vereadores articulam abertura de CPI.

A saúde pública de São João del-Rei vive dias de instabilidade após a divulgação de graves denúncias envolvendo a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O diretor da unidade, Alan Barros, foi afastado do cargo após a viralização de um vídeo com teor de assédio sexual e a entrega de um dossiê assinado por quase 30 médicos, que aponta desde abusos morais até a manipulação de diagnósticos clínicos. O caso ganhou notoriedade nacional.

O estopim: Assédio e intimidação

O caso ganhou repercussão nacional após uma médica da unidade registrar um boletim de ocorrência por assédio sexual e ameaças de morte. Em um vídeo gravado pela profissional, o então diretor sugere que ela trabalhe de biquíni para obter o salário desejado e detalha um cronograma de roupas de banho para a semana. Segundo o relato da vítima, as investidas e comentários inapropriados ocorriam desde outubro de 2023.

Dossiê médico aponta riscos aos pacientes

Para além dos crimes de ordem sexual, a crise se estende à gestão técnica. Um grupo de 28 médicos formalizou uma denúncia denunciando práticas que colocam em risco a vida dos pacientes atendidos pelo SUS. Entre as irregularidades citadas estão interferência em condutas médicas por parte da diretoria; manipulação e alteração de prontuários e diagnósticos e omissão deliberada de exames e negativa de internações necessárias. Os profissionais descrevem um ambiente marcado por “ameaças, humilhações e medo”, o que teria provocado um pedido de demissão em massa de médicos nos últimos meses.

Reação oficial e pressão por CPI

Diante da gravidade, a Prefeitura Municipal publicou a Portaria nº 22.347, nomeando Claudiano Assunção como chefe interino da UPA. O ex-diretor, Alan Barros, foi afastado preventivamente por 60 dias enquanto uma sindicância administrativa e o inquérito da Polícia Civil apuram os fatos. Em sua defesa, Barros nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição por grupos contrariados com sua gestão.

No Legislativo, a movimentação é intensa. A vereadora Sinara Campos, presidente da Comissão de Saúde, anunciou que buscará assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). “A Câmara tem o dever de investigar para proteger os pacientes e garantir transparência”, afirmou a parlamentar, que também investiga se houve omissão da prefeitura após denúncias prévias terem sido supostamente ignoradas. A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério Público devem receber nos próximos dias todo o material probatório para dar seguimento às investigações criminais.

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