×

Adeus, Saturno: planeta dos anéis some do céu da tarde em fevereiro e marca despedida astronômica do mês mais curto do ano com fenômenos incríveis no céu

Fevereiro encerra a temporada de observação de Saturno e muda o cenário do céu noturno, com eclipses, encontros celestes e planetas em destaque para observadores no Brasil e no mundo.

Fevereiro, conhecido por ser o mês mais curto do ano, traz consigo uma despedida marcante para os amantes da astronomia. O planeta Saturno, famoso por seus anéis imponentes e aparência inconfundível, deixa de ser visível no céu da tarde ao longo do mês, desaparecendo gradualmente no brilho intenso do Sol. Esse fenômeno marca o fim de uma janela de observação que vinha se estendendo desde os meses anteriores e altera significativamente o cenário astronômico visível a olho nu e com telescópios.

A informação foi divulgada pela Revista Galileu, em coluna assinada pelo astrofísico Gustavo Rojas, do NUCLIO, em Portugal, conforme publicado na editoria Céu do Mês. Segundo o especialista, o desaparecimento de Saturno ocorre porque o planeta se aproxima angularmente do Sol no céu, tornando-se invisível devido ao excesso de luminosidade solar no horizonte oeste durante o entardecer.

Além disso, fevereiro não se resume apenas à despedida do “senhor dos anéis”. Pelo contrário, o mês reserva uma série de eventos astronômicos relevantes, que vão desde encontros da Lua com estrelas brilhantes até eclipses solares e boas oportunidades de observação de outros planetas do Sistema Solar.

Saturno se despede do céu vespertino enquanto Júpiter domina as noites

Ao longo de fevereiro, Saturno passa a se pôr cada vez mais cedo, até desaparecer completamente do céu vespertino no fim do mês. Essa condição ocorre quando o planeta entra em conjunção com o Sol, ficando alinhado com a nossa estrela do ponto de vista da Terra. Como resultado, sua observação torna-se inviável tanto a olho nu quanto com instrumentos ópticos.

Enquanto isso, por outro lado, Júpiter assume o protagonismo no céu noturno. O maior planeta do Sistema Solar permanece visível durante praticamente toda a noite, oferecendo uma excelente oportunidade para observadores iniciantes e experientes. Com um telescópio simples, já é possível identificar suas quatro principais luas — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — além de detalhes das faixas atmosféricas do planeta.

Esse contraste entre a despedida de Saturno e o destaque de Júpiter reforça a dinâmica constante do céu, que muda mês a mês conforme os planetas realizam seus movimentos orbitais. Assim, mesmo com a saída de cena de um dos corpos celestes mais populares, fevereiro segue extremamente atrativo para quem gosta de acompanhar fenômenos astronômicos.

Encontros celestes, eclipse anular e Mercúrio em destaque no horizonte

O calendário astronômico de fevereiro traz eventos pontuais que merecem atenção especial. No dia 11, durante a madrugada, a Lua minguante aparece na constelação de Escorpião, muito próxima de Antares, a estrela mais brilhante da região. Antares é uma gigante vermelha facilmente identificável a olho nu, e a aproximação visual com a Lua cria um espetáculo celeste perceptível a partir da 1h da manhã.

Já no dia 17, ocorre um eclipse solar anular, fenômeno que acontece quando a Lua se posiciona em frente ao Sol, mas sem cobri-lo completamente. Nesse caso, forma-se o chamado “anel de fogo” no céu. Apesar de impressionante, o eclipse será visível apenas a partir da Antártida, não podendo ser observado do Brasil ou da maior parte do planeta.

Em seguida, no dia 19, surge uma das melhores oportunidades do mês para observar Mercúrio, considerado o planeta mais difícil de ser visto a olho nu. Por estar sempre muito próximo do Sol, Mercúrio só se torna visível durante suas elongações máximas, quando se afasta angularmente da nossa estrela. A recomendação é olhar atentamente para o horizonte oeste pouco antes do entardecer, em locais com visão desobstruída.

Lua, Plêiades e os destaques finais do mês astronômico

Encerrando os principais eventos de fevereiro, o dia 23 reserva um belo encontro entre a Lua crescente e o aglomerado estelar das Plêiades, um dos conjuntos de estrelas mais conhecidos e observáveis do céu noturno. As Plêiades podem ser vistas facilmente a olho nu e ganham ainda mais destaque quando acompanhadas pela Lua, formando uma composição visual bastante apreciada por astrônomos amadores e fotógrafos do céu.

Esse tipo de alinhamento não apenas encanta visualmente, como também serve como porta de entrada para a observação astronômica, especialmente para quem está começando. Assim, mesmo com a despedida de Saturno do céu da tarde, fevereiro compensa com uma sequência de fenômenos que reforçam a riqueza e a diversidade do firmamento.

Ao longo do mês, portanto, o céu se transforma, oferecendo diferentes protagonistas e experiências de observação. Para quem acompanha o calendário astronômico, fevereiro confirma que, mesmo sendo o mês mais curto do ano, ele está longe de ser pobre em eventos celestes relevantes.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

Receba Notícias Em Seu Celular

Quero receber notícias no whatsapp