SUV elétrico de sete lugares estreia nova fase da Toyota nos EUA com até 515 km de alcance, 343 cv de potência, bateria de 95,8 kWh, tração integral e sistema capaz de fornecer energia externa em emergências.
A Toyota confirmou nos Estados Unidos a chegada de uma nova geração do Highlander movida exclusivamente a eletricidade, com até sete lugares, bateria de 95,8 kWh e alcance estimado de até 515 km, mirando o segmento de SUVs familiares de três fileiras que hoje tem rivais como Kia EV9 e Hyundai Ioniq 9.
Apesar do “parentesco” citado no título com o Corolla Cross por serem SUVs da mesma marca, o Highlander é um utilitário de porte e proposta superiores, e passa a ocupar um degrau acima na gama elétrica da Toyota, que também vende o bZ4X no mercado americano.
Primeiro Highlander totalmente elétrico
O Highlander é um velho conhecido do público norte-americano, com origem no início dos anos 2000 e trajetória marcada por versões a combustão e híbridas, mas a nova geração muda a estratégia ao adotar apenas um trem de força elétrico no lançamento, mantendo o foco em uso familiar e capacidade para sete ocupantes.
Na comunicação oficial, a Toyota trata o modelo como “2027 Toyota Highlander”, sem cravar “Highlander EV” como denominação comercial, e destaca que o projeto foi redesenhado para ser o primeiro elétrico de três fileiras da marca nos EUA, com novo estilo e cabine mais tecnológica.
O utilitário será produzido em Georgetown, no estado de Kentucky, enquanto os módulos de bateria virão do complexo Toyota Battery Manufacturing North Carolina, em Liberty, na Carolina do Norte, em um arranjo que reforça a estratégia de localizar a cadeia do carro elétrico no país.

Ao apresentar o modelo, David Christ, executivo da Toyota Motor North America, afirmou que o novo Highlander foi pensado para ser “um líder estiloso e high-tech” no segmento de SUVs médios, com interior espaçoso e tecnologias atualizadas para o uso cotidiano.
Potência, bateria e autonomia declaradas
A linha terá duas versões, XLE e Limited, com a XLE oferecendo opção de tração dianteira ou integral, enquanto a Limited fica sempre com tração integral, e a oferta de baterias varia conforme a configuração, com 77,0 kWh na base e 95,8 kWh nas versões de maior alcance.
Nos modelos com tração integral, a Toyota declara 338 hp e 323 lb-ft de torque, números que, em conversões comuns no Brasil, aparecem como cerca de 343 cv e aproximadamente 47,7 kgfm, enquanto as versões de tração dianteira ficam em 221 hp e 198 lb-ft.
Em autonomia, a fabricante indica estimativas que chegam a 320 milhas com a bateria de 95,8 kWh nas versões XLE AWD e Limited AWD, equivalentes a cerca de 515 km, enquanto a XLE FWD com 77,0 kWh é indicada em 287 milhas, perto de 462 km.
Já a XLE com tração integral e bateria de 77,0 kWh tem autonomia estimada de 270 milhas, em torno de 435 km, e a Toyota ressalta que os números podem variar conforme clima, estilo de condução e outros fatores, o que é padrão em estimativas preliminares do segmento.
Carregamento padrão Tesla e tecnologia V2L
Um dos pontos centrais do projeto é a adoção do conector North American Charging System (NACS), padrão popularizado pela Tesla e adotado por várias marcas nos EUA, ampliando o acesso a carregadores rápidos naquele mercado, em uma escolha diferente do CCS mais comum em outros países.

O Highlander também estreia, segundo a Toyota, a função vehicle-to-load (V2L) em um modelo da marca vendido nos Estados Unidos, com potencial para alimentar equipamentos externos e atuar como reserva em emergências, embora a empresa ressalte que isso depende da compra de acessórios bidirecionais.
Além do V2L, a Toyota diz que o SUV contará com recursos de gerenciamento de recarga ligados a funcionalidades como Charge Assist e ECO Charge, voltados a programar carregamentos em horários de tarifa menor ou quando houver mais disponibilidade de energia renovável, com mais detalhes prometidos adiante.
Design Hammerhead e interior tecnológico
No visual, o novo Highlander adota a frente associada ao apelido “Hammerhead”, com assinatura luminosa em LED que atravessa a dianteira, para-lamas marcados e maçanetas embutidas para melhorar a aerodinâmica, buscando diferenciar o SUV em um segmento que privilegia eficiência e espaço.
Por dentro, a Toyota confirma uma central multimídia de 14 polegadas e um painel de instrumentos de 12,3 polegadas, além de portas USB nas três fileiras, iluminação ambiente configurável e a opção de teto panorâmico de vidro fixo, que a marca descreve como o maior em sua linha.
O acabamento usa SofTex, material sintético da Toyota, com bancos dianteiros aquecidos de série, ventilação como opcional e aquecimento para a segunda fileira disponível dependendo da versão e dos pacotes, reforçando o foco em conforto para uso urbano e viagens, sem abandonar a praticidade.
No aproveitamento interno, a marca afirma que a terceira fileira pode ser rebatida totalmente, formando um assoalho mais plano, e divulga capacidade superior a 45 pés cúbicos atrás da segunda fileira com a última fileira rebaixada, valor que corresponde a cerca de 1.274 litros.
Segurança e assistentes de condução

O Highlander elétrico virá com Toyota Safety Sense 4.0 (TSS 4.0), incluindo recursos como pré-colisão com detecção de pedestres, controle de cruzeiro adaptativo, alertas e assistências de permanência em faixa e leitura de sinalização, conforme a lista apresentada pela fabricante para o novo modelo.
A Toyota também cita o conjunto Star Safety System e confirma assistências como estacionamento com frenagem automática na frente e atrás, monitoramento de ponto cego com alerta de tráfego cruzado traseiro, além de itens de conveniência como chave presencial e lembrete de banco traseiro, comuns no segmento.
Produção e início das vendas
A fabricante informa que as vendas devem começar no fim de 2026 e avançar para o início de 2027, sem divulgar preços por enquanto, e a expectativa oficial é detalhar valores mais perto do início da comercialização, em um mercado onde a transição para elétricos ainda é gradual.
Enquanto isso, o Grand Highlander segue como alternativa maior com motorizações a combustão e híbridas, e a Toyota trata o novo Highlander elétrico como parte do crescimento de sua linha de veículos eletrificados, tentando equilibrar autonomia, espaço e acesso a recarga rápida via NACS.
Com autonomia declarada que pode chegar a 515 km em versões específicas, sete lugares e a possibilidade de fornecer energia para equipamentos e emergências por V2L, o Highlander elétrico promete disputar um público de famílias que prioriza praticidade no dia a dia e viagens mais longas.
Se a Toyota conseguir entregar na rua a autonomia e a experiência tecnológica prometidas, o que vai pesar mais na decisão do comprador americano de um SUV elétrico de três fileiras: preço, rede de recarga, espaço real na terceira fila ou a confiança no nome Highlander?





