Por Domingos T. Costa
Antes da criação da capital planejada, a área que hoje corresponde a Belo Horizonte apresentava ocupação organizada por caminhos coloniais e atividades rurais. Nesse contexto consolidou-se o Arraial de Curral del Rey, surgido no início do século XVIII, no âmbito da expansão mineradora em Minas Gerais, estruturado como núcleo de apoio às áreas auríferas da capitania e orientado pelas rotas de circulação e pela presença da Serra do Curral.
A serra, além de referência geográfica, assumiu papel simbólico na construção da identidade local. Ao longo do tempo, recebeu diferentes denominações, registradas em mapas e descrições históricas. O nome Serra do Curral consolidou-se pela associação direta com o arraial e pela conformação do relevo, que sugere cercamento natural do território.
A vida cotidiana organizava-se em torno da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, núcleo religioso, social e simbólico do arraial. Em seu entorno concentravam-se pequenos proprietários, comerciantes, trabalhadores livres e escravizados, compondo configuração social diversa, marcada por relações de trabalho, práticas religiosas e convivênciacomunitária. Esse espaço central articulava fé, sociabilidade e decisões coletivas, estruturando o ritmo da vida local.
A base econômica do Curral del Rey articulava-se às grandes propriedades rurais situadas nas áreas próximas ao núcleo urbano. A Fazenda do Leitão, pertencente a José Cândido da Silveira e posteriormente vendida a Francisco Luís de Carvalho, e a Fazenda do Capão, transferida por João da Costa Torres a Ilídio Ferreira da Luz, exerceram influência significativa sobre a produção agrícola, a criação de gado e a utilização do trabalho escravizado. Essas propriedades sustentavam a vida material do arraial e reforçavam sua integração à economia regional.






