A sessão da Câmara Municipal de Itaverava -na noite desta terça-feira (3) foi marcada por forte tensão, cobranças diretas aos vereadores e manifestações de indignação por parte de servidores públicos e moradores com a presença do viatura e militares. O principal motivo do protesto foi a aprovação do vale-alimentação para os parlamentares e servidores do Legislativo no valor de R$600, 00 ao mês, enquanto categorias do funcionalismo municipal afirmam não receber direitos básicos, como o piso salarial e melhorias na área da saúde. Desde o início da reunião, o clima já indicava que seria uma noite de cobranças. Servidores ocuparam o plenário e fizeram uso da palavra para questionar a postura do Legislativo.
Servidores cobram coerência e apoio
Uma servidora abriu as falas afirmando que a presença dos funcionários na Câmara não era para atacar pessoas, mas para questionar decisões. Ela destacou que todos os trabalhadores têm direito ao vale-alimentação, mas criticou o fato de os vereadores terem aprovado o benefício para si próprios enquanto os servidores municipais seguem há anos tentando conquistar o mesmo direito. Segundo ela, a categoria já buscou apoio da Câmara em outras ocasiões, inclusive em gestões anteriores, para tratar de insalubridade, quinquênios e vale-alimentação, mas não encontrou respaldo suficiente.Em tom emocionado, a servidora questionou promessas feitas por um vereador em anos anteriores sobre a apresentação de projeto para beneficiar os funcionários. Ela pediu explicações sobre o andamento dessa proposta.
Professores denunciam falta de pagamento do piso
Representando os professores da rede municipal, outra servidora afirmou que Itaverava é um dos poucos municípios que ainda não paga o piso nacional do magistério. Ela classificou a situação como “vergonha” e “humilhação” para a categoria. Segundo a professora, os docentes não estão pedindo aumento, mas apenas o cumprimento do valor mínimo garantido por lei. A indignação aumentou ao comparar a situação com a criação do vale-alimentação para os vereadores.
Uma terceira servidora afirmou que os trabalhadores se sentem traídos e destacou que muitos pais de família vivem com salário mínimo, enquanto os parlamentares recebem mais de seis mil reais mensais e agora contarão com o novo benefício. Ela pediu que os vereadores “coloquem a mão na consciência” e ajudem os servidores na luta por valorização.

Críticas à prioridade dada ao vale
Moradores também utilizaram a palavra para criticar a destinação de recursos ao auxílio dos vereadores enquanto, segundo eles, faltam investimentos na saúde. Um cidadão citou o CISAP e relatou que há grande demanda reprimida por exames e consultas. Segundo ele, muitas pessoas aguardam atendimento sem condições de pagar exames particulares. Ele sugeriu que, ao invés de ampliar benefícios próprios, a Câmara poderia destinar recursos ao reforço da saúde, especialmente para reduzir filas e ampliar o Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Durante a sessão, vereadores informaram que foram aprovadas emendas impositivas destinando recursos para a saúde, incluindo valores para TFD e melhorias em unidades básicas. Segundo explicação, essas emendas são de execução obrigatória pelo Executivo no exercício seguinte.
Fiscalização de obras é questionada
Além da saúde, moradores cobraram fiscalização mais rigorosa das obras em andamento no município, como casas populares, capela velório e a construção de uma creche. Foram levantadas dúvidas sobre a qualidade dos materiais utilizados e a execução conforme os projetos licitados. O pedido foi para que todos os vereadores acompanhem de perto as obras, já que a função do Legislativo inclui fiscalizar o Executivo. Alguns parlamentares afirmaram que vêm acompanhando as construções e que já acionaram responsáveis técnicos quando surgiram questionamentos.
Defesa dos vereadores
Em resposta às críticas, vereadores argumentaram que a Câmara é um poder independente e que o vale-alimentação foi aprovado dentro da legalidade. Também afirmaram que recursos já foram devolvidos ao Executivo em anos anteriores para auxiliar nas contas do município.Parlamentares ressaltaram que vêm cobrando o prefeito sobre demandas do funcionalismo e que a criação de benefícios para servidores depende de iniciativa do Executivo.Ainda assim, os servidores mantiveram a posição de que esperam mais empenho político e articulação por parte dos vereadores.
Clima de indignação e promessa de mobilização
Ao final da sessão, o sentimento predominante foi de indignação. Servidores afirmaram que não esquecerão a decisão e que continuarão cobrando valorização, pagamento do piso e melhorias na saúde. A reunião foi encerrada com anúncio da próxima sessão ordinária, mas deixou evidente o desgaste entre parte da população e o Legislativo municipal. O episódio evidencia um momento de forte cobrança popular por prioridade nas áreas essenciais, maior transparência na aplicação dos recursos públicos e valorização dos servidores municipais.




