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Brasil em Cena emociona público no Teatro Municipal

Secretário de Cultura fala ao Correio de Minas sobre o espetáculo da Escola de Dança Kênia Najmah

Na noite de 7 de março, o Teatro Municipal Placidina de Queiróz recebeu a Mostra Especial – Melhores Momentos do Espetáculo “Brasil em Cena”, apresentada pela Escola de Dança Kênia Najmah. A apresentação reuniu dança, música brasileira e forte simbologia social, emocionando o público que lotou o teatro. Em entrevista ao Correio de Minas, o secretário municipal de Cultura, Geraldo Vasconcelos, compartilhou suas impressões sobre a noite e refletiu sobre o papel da arte na construção cultural da cidade.


Correio de Minas – Secretário, como o senhor descreve a noite de 7 de março no Teatro Municipal?
Geraldo Vasconcelos – Foi uma daquelas noites que entram para a memória cultural da cidade. O que vimos ali foi mais do que um espetáculo de dança. Foi um encontro entre memórias, sons e movimentos que dialogam profundamente com a identidade brasileira. A Mostra Especial do espetáculo Brasil em Cena, apresentada pela Escola de Dança Kênia Najmah, revelou sensibilidade artística, disciplina e uma compreensão muito bonita da nossa cultura.

Correio de Minas – O espetáculo trouxe uma forte presença da música brasileira. Qual foi a importância dessa escolha?
Geraldo Vasconcelos – A trilha sonora foi uma verdadeira travessia pela alma musical do Brasil. Desde a abertura com Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, que é praticamente um retrato sonoro do país, o público percebeu que não seria apenas uma sequência de coreografias. Era uma narrativa artística.
As músicas de Marisa Monte, Milton Nascimento, Clara Nunes, Toquinho, Zeca Pagodinho, Tim Maia, Cazuza, Luiz Gonzaga, Ney Matogrosso, Alcione, Elis Regina e Djavan foram aparecendo como rios que desembocam num grande oceano cultural. Cada coreografia parecia desenhar essas canções no espaço.
Correio de Minas – Houve também uma diversidade de ritmos brasileiros representados.
Geraldo Vasconcelos – Exatamente. O espetáculo percorreu diferentes paisagens do Brasil. Houve samba, que balança o coração; carimbó, trazendo o perfume das florestas do Norte; xote, baião e forró, que fazem o sertão pulsar nos pés; frevo, veloz como vento de carnaval; e a bossa nova, delicada como uma brisa de fim de tarde. Foi um mosaico muito bem construído da nossa diversidade cultural.


Correio de Minas – Houve algum momento que particularmente o marcou?
Geraldo Vasconcelos – Um dos momentos mais plásticos da noite foi a coreografia sobre a música Pantanal, de Marcus Viana. O palco se transformou em paisagem viva. As luzes, os figurinos e os movimentos criaram a sensação de rios largos e horizontes infinitos. Era como se o teatro respirasse natureza.
Mas, para mim, talvez o aspecto mais bonito tenha sido a dimensão humana do espetáculo. Havia crianças, adolescentes, jovens, professores e artistas de diferentes idades no palco. Inclusive pessoas que poderíamos chamar, com carinho, de idade suprema — quando a experiência dança junto com a alegria. A arte ali não separava: acolhia.
Correio de Minas – O espetáculo ocorreu às vésperas do Dia Internacional da Mulher. Isso também esteve presente na proposta artística?
Geraldo Vasconcelos – Sim, e de maneira muito sensível. O Studio de Dança Kênia Najmah dedicou cada som e cada movimento à luta das mulheres. Foi um gesto artístico que se tornou também um gesto de consciência.
A dança evocou a coragem de tantas mulheres que, ao longo da história, transformaram silêncio em presença e presença em dignidade. A mensagem era clara: que possamos caminhar para um tempo em que o 8 de março deixe de ser apenas um dia de reflexão e luta e se torne plenamente um dia de celebração, quando todos os seres humanos sejam respeitados em igual dignidade.


Correio de Minas –
Como o público reagiu ao espetáculo?
Geraldo Vasconcelos – O teatro estava cheio e a reação foi muito bonita. Houve aplausos calorosos, olhos marejados, sorrisos e aquela energia especial que surge quando a arte encontra o coração coletivo de uma cidade. O final foi especialmente emocionante. Aquarela do Brasil voltou a ecoar, desta vez na voz luminosa de Gal Costa. Todos os dançarinos e dançarinas ocuparam o palco. As luzes se abriram como aurora e o movimento coletivo se transformou numa verdadeira celebração da cultura brasileira. Foi uma apoteose.


Correio de Minas – Que reflexão o senhor levaria dessa noite para o futuro cultural da cidade?
Geraldo Vasconcelos – A arte tem essa capacidade extraordinária de nos lembrar quem somos. Em momentos como aquele, percebemos que o Brasil não é apenas um território: é um corpo vivo que canta, dança e resiste em beleza. E há também um alerta poético que gosto de recordar: se ficarmos de frente para o mar e de costas para o Brasil, dificilmente construiremos um país melhor. Precisamos olhar para nossa própria cultura, valorizá-la e celebrá-la.Espetáculos como Brasil em Cena nos ajudam justamente nisso: a reconhecer a riqueza que temos e a transformá-la em encontro, emoção e consciência coletiva.


Correio de Minas – Podemos esperar outras noites assim no Teatro Municipal?
Geraldo Vasconcelos – Sem dúvida. A cultura de Conselheiro Lafaiete é viva e pulsante. Quando a cidade se encontra com a arte, nasce algo que ultrapassa o espetáculo: nasce memória. E que venham muitas outras noites como esta. Porque quando um povo canta, dança e se reconhece em sua cultura, ele dá mais um passo em direção ao seu próprio futuro

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