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Uma das empresas mais conhecidas do Brasil anunciou a demissão de mais de 300 funcionários enquanto prepara uma grande mudança estratégica com inteligência artificial, após vender a Linx por bilhões e tentar recuperar a confiança do mercado

A demissão anunciada pela Stone em março atinge mais de 300 funcionários abre a fase inicial da gestão de Mateus Scherer e ocorre logo depois da venda da Linx para a Totvs com a inteligência artificial assumindo papel decisivo numa tentativa de simplificar processos e reacender o mercado financeiro agora

demissão em massa anunciada pela Stone marca uma guinada operacional que combina corte de custos, reorganização interna e aposta em tecnologia. O movimento atinge mais de 300 funcionários, cerca de 3% de uma força de trabalho estimada em 14 mil pessoas, e abre uma fase delicada para a empresa diante do mercado

O anúncio veio logo após a conclusão da venda da Linx para a Totvs, em fevereiro de 2026, operação associada a R$ 3,08 bilhões que poderão ser destinados a dividendos ou recompra de ações. Sob o novo CEO, Mateus Scherer, a Stone tenta provar que sua reorientação estratégica pode elevar eficiência sem aprofundar a perda de confiança dos investidores.

A nova fase da Stone começou com corte e simplificação

O plano de demissão foi comunicado internamente como parte do início de uma nova era na Stone. A mensagem central é de simplificação de processos, ajuste de estrutura e aumento de eficiência operacional. A demissão em massa não apareceu como episódio isolado, mas como o primeiro gesto concreto de uma gestão que quer reorganizar a empresa logo na entrada do novo comando.

Esse tipo de movimento tem peso maior porque a Stone não é uma companhia periférica. A empresa construiu presença forte no mercado de pagamentos e ganhou projeção nacional no setor de tecnologia financeira. Quando uma companhia desse porte corta centenas de postos enquanto fala em produtividade e automação, a leitura deixa de ser apenas trabalhista e passa a ser também estratégica.

Ao mesmo tempo, a decisão revela um ponto sensível. Cortar mais de 300 pessoas logo no começo de uma nova administração pode ser interpretado como tentativa de dar velocidade à mudança, mas também pode ser lido como admissão de que o modelo anterior precisava de correção rápida. Em mercado pressionado, a forma da mudança pesa quase tanto quanto o conteúdo dela.

A Stone, portanto, entra em um momento em que precisa entregar duas mensagens ao mesmo tempo. Internamente, quer mostrar disciplina. Externamente, precisa convencer que a demissão não é só redução de custo de curto prazo, mas parte de um redesenho operacional mais profundo.

A venda da Linx colocou caixa na empresa e aumentou a cobrança

A venda da Linx para a Totvs, concluída em fevereiro de 2026, mudou o tamanho da pressão sobre a Stone. O negócio liberou R$ 3,08 bilhões, com destinação prevista para dividendos ou recompra de ações, e isso elevou a expectativa do mercado sobre o que a empresa faria em seguida. Depois de vender um ativo bilionário, a cobrança por direção estratégica fica muito maior.

Esse contexto ajuda a explicar por que a demissão ganhou tanto peso. Ela não ocorreu em um ambiente neutro, mas logo após uma operação que reorganizou o caixa e ampliou a necessidade de sinalização ao investidor. Quando a empresa vende a Linx, o mercado passa a perguntar com mais força qual será o foco, qual será a disciplina de capital e como a Stone pretende sustentar competitividade daqui para frente.

A venda também muda a narrativa da companhia. Antes, havia uma estrutura mais ampla, com frentes diferentes de atuação. Depois da Linx, sobra menos espaço para ambiguidade. A Stone precisa mostrar o que quer ser na prática, e a reestruturação com demissão surge como parte desse reposicionamento.

É justamente por isso que o mercado tende a olhar o corte com lupa. Se a empresa vende um ativo relevante, distribui ou recompra capital e simultaneamente reduz pessoal, o investidor espera uma contrapartida clara: mais foco, mais margem, mais produtividade e uma história mais coerente para os próximos trimestres.

A inteligência artificial virou promessa central da nova narrativa

A Stone sinalizou que pretende intensificar investimentos em inteligência artificial para acompanhar a transformação digital do setor e aprimorar serviços e experiência do cliente. Em tese, a lógica é direta: automatizar tarefas, simplificar fluxos, acelerar resposta e manter competitividade em um mercado que muda rápido. A inteligência artificial entrou como promessa de ganho operacional e de reposicionamento tecnológico.

Mas essa promessa carrega risco de execução. Falar em inteligência artificial depois de uma demissão de mais de 300 funcionários pode soar como visão de futuro ou como justificativa elegante para enxugamento. A diferença entre uma leitura e outra depende do que vier depois. Se a automação melhorar produto, atendimento e eficiência, a narrativa ganha força. Se aparecer apenas como discurso de modernização sem entrega concreta, a desconfiança aumenta.

Há ainda um ponto simbólico importante. A Stone fez carreira ligada a soluções práticas para pagamentos, maquininhas e relacionamento com o cliente. Quando desloca o centro da fala para inteligência artificial, ela tenta mostrar que não quer ser vista apenas como empresa de meios de pagamento tradicional, mas como companhia capaz de disputar relevância em uma nova camada tecnológica.

Esse movimento, porém, exige mais do que vocabulário novo. Mercado não costuma premiar promessa abstrata, especialmente em empresas que acabaram de passar por reestruturação e corte de pessoal. A Stone terá de provar que a inteligência artificial não é adorno de apresentação, mas parte real da sua nova capacidade de competir.

O mercado quer eficiência, e o sindicato já respondeu com confronto

Os efeitos da demissão não ficaram restritos à leitura financeira. O Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo, o SINDPD-SP, reagiu com descontentamento, criticou a falta de diálogo e indicou possível ação judicial para tentar a reintegração dos dispensados. Isso mostra que a reestruturação já nasceu sob disputa, e não sob consenso.

Essa reação sindical acrescenta uma camada de desgaste à transição. Sempre que uma empresa anuncia corte em massa e, ao mesmo tempo, fala em simplificação e tecnologia, surgem dúvidas sobre critério, comunicação e responsabilidade social do processo. A Stone agora não lida apenas com investidores observando números, mas também com uma reação institucional que pode prolongar o custo reputacional da decisão.

No plano financeiro, a empresa vinha enfrentando desafios perceptíveis na trajetória das ações, embora tenha reportado lucro líquido ajustado de R$ 707 milhões no último trimestre de 2025, com crescimento de 12% em relação ao período anterior. Esse dado ajuda a explicar a tensão atual. Os números mostram alguma capacidade de reação, mas ainda não bastam para eliminar a cobrança do mercado.

A questão central, neste ponto, é simples: a Stone precisa convencer que o corte, a venda da Linx e a aposta em inteligência artificial pertencem ao mesmo plano e não a uma sequência improvisada de respostas à pressão. O mercado tende a aceitar reestruturação dura quando enxerga direção. O que ele pune é corte sem narrativa consistente e narrativa sem resultado.

demissão de mais de 300 funcionários colocou a Stone em uma encruzilhada clara. Depois de vender a Linx por bilhões, trocar de comando e prometer avanço com inteligência artificial, a empresa agora precisa provar que sua mudança estratégica é mais do que ajuste de curto prazo para agradar o mercado. A próxima etapa não será convencer pelo anúncio, mas pelo desempenho.

Na sua visão, a Stone está fazendo uma correção necessária ou apenas tentando ganhar tempo diante de investidores ainda desconfiados?

Fonte: Click Petroleo e Gas

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