A cidade tem um PIB per capita entre os 10 maiores do Brasil, de que mais de 70% é proveniente do agronegócio de larga escala; conheça
No extremo oeste do Mato Grosso, quase na fronteira com a Bolívia, está localizado Campos de Júlio, um dos pontos mais isolados do território brasileiro em relação ao oceano. O município mato-grossense fica a cerca de 1.600 quilômetros do litoral, a depender do ponto de referência utilizado na costa atlântica, situado no interior da América do Sul, na região conhecida como “arco do agronegócio do Centro-Oeste”.
Um polo estratégico para a produção agrícola e pecuária, a cidade tem economia focada em monoculturas de soja, milho, algodão e na pecuária de corte, atividades que concentram até 70% do PIB local, segundo dados do IBGE.
A uma altitude de 650 metros, próximo à fronteira boliviana, a cidade tem cerca de 8.822 habitantes distribuídos por uma área de 6.792,808 km² e uma qualidade de vida considerada alta (com Índice de Desenvolvimento Humano de 0,744, acima da média nacional), fundada por produtores de soja em 1994.
Seus primeiros habitantes, no entanto, foram os indígenas Nambikwára e Ená-wenê-nawê, dizimados da região e já não encontrados por ali. O início da colonização se deu através da atuação de Valdir Massuti, descrito como “empreendedor visionário” pela Prefeitura Municipal, que se dedicava ao agronegócio e ao setor de infraestrutura no grupo empresarial que leva seu sobrenome.
Segundo o IBGE, Massuti trouxe à região, na década de 1980, “dezenas de famílias sulistas”. As famílias se agruparam em um povoado em volta de milhares de hectares de soja, que hoje ainda predominam sobre a economia regional.
O município integra, com o estado de Rondônia, um “miolo continental” distante de zonas portuárias do país e a mais de 1.500 km do litoral, o que significa que está relativamente isolado dos centros e das rotas comerciais relevantes, além de longe do oceano Atlântico que banha a costa leste do Brasil (entre 17 estados e mais de 270 municípios).
Localização de Campos de Júlio no panorama do estado do Mato Grosso. Créditos: Wikipedia
A cidade fica a cerca de 554 km de Cuiabá, capital do estado, e integra a região conhecida como Chapadão dos Parecis, uma das fronteiras agrícolas mais produtivas do Brasil, e tem PIB aproximado de R$ 3,3 bilhões.
O PIB per capita atinge cerca de R$ 455 mil, o que o coloca entre os 10 maiores do Brasil, de que mais de 70% é proveniente do agronegócio de larga escala.
A área cultivada de soja da região era de 208 mil hectares entre 2024 e 2025, com produção estimada em 1,43 milhão de toneladas. As outras culturas predominantes são o milho e o algodão, que, juntos, somam 194 mil hectares e mais de 1 milhão de toneladas.
Lá está localizada, ainda, uma das primeiras usinas brasileiras a produzir etanol a partir do milho, a Usimat, que se aproveita da abundância do cereal na região.
O interior agrícola se tornou um dos motores da produção nacional mesmo longe das rotas do litoral, e sua grande distância da costa ocorre por fatores geográficos ligados à dimensão continental do Brasil. O ponto mais interior do país está justamente no sudoeste da Amazônia e no oeste do Mato Grosso, onde o território brasileiro se projeta profundamente para dentro da América do Sul.
A região fica situada em áreas de planalto e chapadas agrícolas.
Fonte: Revista Forum





