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Trem de passageiros da Vale viaja tem maior trajeto ferroviário do Brasil com 16 horas e 861 km: passeio completa 40 anos, leva quase 420 mil por ano, custa até 50% menos e terá internet e viagens diárias

Celebrando quatro décadas de operação, o Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Carajás projeta novidades tecnológicas e ampliação de serviços para conectar ainda melhor as comunidades do Pará e do Maranhão nos próximos anos.

O Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Carajás, administrado pela Vale, completa 40 anos de operação neste mês de março, sendo o maior trajeto ferroviário de passageiros do Brasil, com 861 quilômetros percorridos entre o Pará e o Maranhão.

O percurso cobre 27 municípios ao longo da linha, sendo 24 no Maranhão e 3 no Pará, com 15 pontos de parada distribuídos entre as duas extremidades, garantindo acesso ferroviário a populações de regiões historicamente pouco atendidas pelo transporte convencional.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, o Brasil conta atualmente com apenas duas linhas regulares de trens de passageiros em operação, ambas administradas pela mineradora Vale, que controla as principais ferrovias de transporte humano do país.

A segunda linha ativa é a Estrada de Ferro Vitória a Minas, que conecta Minas Gerais ao Espírito Santo em 664 quilômetros de extensão, percurso menor do que os 861 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás, a maior do Brasil.

Descubra o trem da Vale que cruza 27 cidades em 16 horas, conectando Pará e Maranhão com conforto, paisagens incríveis e exclusividade.
Descubra o trem da Vale que cruza 27 cidades em 16 horas, conectando Pará e Maranhão com conforto, paisagens incríveis e exclusividade.

Em 2025, o serviço transportou 419 mil passageiros e registrou índice de aprovação de 90% entre os usuários, resultado que a empresa atribui à combinação de preço acessível, conforto e regularidade das viagens ao longo das quatro décadas de funcionamento ininterrupto da ferrovia.

As tarifas praticadas chegam a custar metade do valor cobrado pelo transporte rodoviário em trechos equivalentes, tornando o trem uma alternativa economicamente vantajosa para trabalhadores, estudantes e famílias que precisam percorrer longas distâncias entre comunidades dos dois estados.

A capacidade de transporte por viagem também representa uma diferença expressiva em relação ao modal rodoviário: em alta temporada, uma única composição da Estrada de Ferro Carajás pode acomodar até 2.000 passageiros, o equivalente à capacidade combinada de 44 ônibus convencionais.

Do ponto de vista ambiental, estudos do setor ferroviário apontam que a EFC tem potencial de reduzir as emissões de carbono em até 85% em relação ao transporte por ônibus nos mesmos trajetos, contribuindo diretamente para a redução do impacto climático regional.

A criação da ferrovia, na década de 1980, ocorreu em paralelo ao desenvolvimento do projeto de mineração de ferro na Serra dos Carajás, no Pará, e o serviço de passageiros surgiu como alternativa de transporte para as populações das regiões atravessadas pela linha.

Novidades planejadas para 2026 e 2027

A Vale anunciou que ainda em 2026 os passageiros terão acesso a internet a bordo durante toda a viagem, em sistema similar ao utilizado em voos comerciais, ampliando o conforto e a conectividade no longo percurso de 16 horas.

Para 2027, a empresa prevê a entrada em operação de um novo trem, o que permitirá oferecer viagens diárias de ida e volta entre os dois estados, eliminando a restrição atual que obriga os passageiros a aguardarem dias alternados para realizar o percurso.

Vídeo do YouTube

João Jr., diretor de operação da EFC na Vale, destacou que o serviço “presta um serviço essencial, seguro, de qualidade, com preço justo e por isso faz parte da vida das comunidades do Maranhão e do Pará há 40 anos”.

Inclusão e cidadania a bordo

Além do transporte convencional, o trem incorpora funções sociais por meio do vagão social, estrutura acoplada em datas programadas que oferece ações voltadas à segurança ferroviária, acesso à cidadania, orientações jurídicas, empreendedorismo feminino e programação cultural durante o percurso.

O serviço é adaptado para pessoas com mobilidade reduzida e conta com a sala de acolhimento, espaço dedicado ao atendimento de crianças autistas e neuroatípicas que possam necessitar de suporte ao longo das até 16 horas de viagem entre os dois estados.

A ferrovia também reduz a dependência dos moradores das cidades menores do trajeto em relação ao transporte rodoviário, que muitas vezes exige conexões e tempo de viagem superiores, tornando o deslocamento entre os dois estados mais direto e economicamente acessível.

Os vagões utilizados na composição, em qualquer classe escolhida pelo passageiro, estão equipados com ar-condicionado, tomadas individuais nas poltronas e sistema de entretenimento com televisão, garantindo condições adequadas de conforto ao longo do percurso entre o Pará e o Maranhão.

A composição opera normalmente com cerca de 17 vagões, podendo esse número variar de acordo com a demanda sazonal, e inclui classes executiva e  econômica, além de vagões com serviço de lanchonete e restaurante, atendendo às necessidades ao longo do trajeto.

Os maiores volumes de embarque no Pará concentram-se nas cidades de Marabá e Parauapebas, enquanto no Maranhão os pontos de maior demanda são São Luís, Alto Alegre do Pindaré, Santa Inês e Açailândia, municípios espalhados ao longo do extenso percurso ferroviário.

Fonte: Click Petróleo e Gás (CPG)

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