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A 160 km da capital, o vilarejo sem carros e com travessia de 10 minutos, onde 2.104 moradores vivem entre dunas brancas e as maiores salinas do Brasil

No litoral norte do Rio Grande do Norte, uma travessia de dez minutos de barco separa o continente de Galinhos, vilarejo onde cavalos-marinhos nadam no manguezal e montanhas brancas de sal compõem a paisagem. O estado é responsável por cerca de 95% de todo o sal marinho produzido no Brasil.

Por que Galinhos ficou tão preservada no litoral potiguar?

A resposta está na geografia. A cidade ocupa uma península estreita que em alguns pontos tem menos de 500 metros de largura entre o Oceano Atlântico e o braço de mar do Rio Aratuá. Veículos comuns não chegam ao centro, e quem vai precisa deixar o carro no Porto de Pratagil, na RN-402, e cruzar em embarcações que partem ao longo do dia.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 2.104 habitantes no Censo 2022, área de 340,769 km² e densidade de apenas 6,17 habitantes por quilômetro quadrado. O nome nasceu na boca dos pescadores que chegaram à península atraídos pela abundância de peixes-galo. Como os exemplares eram menores que o habitual, viraram galinhos, e o apelido grudou no povoado.

A emancipação de São Bento do Norte aconteceu pela Lei Estadual 2.838, de 26 de março de 1963, com a instalação oficial do município em 28 de abril do mesmo ano. A dificuldade de acesso preservou o vilarejo quase intacto, com ruas cobertas de areia e charretes decoradas no lugar dos carros.

Um dos destinos mais preservados da Costa Branca potiguar

Galinhos faz parte do Polo Turístico Costa Branca, rota salineira potiguar que reúne alguns dos cenários mais preservados do litoral nordestino. A península integra a rota ao lado de cidades como Macau e Areia Branca. O Rio Grande do Norte responde por cerca de 95% de todo o sal marinho produzido no Brasil, e a faixa entre Galinhos e Guamaré é uma das áreas mais produtivas do estado. As montanhas brancas que pontilham a paisagem são resultado da extração tradicional: a água do mar entra nos tanques rasos, evapora sob o sol equatorial e deixa para trás pirâmides de cristais que chegam a vários metros de altura.

O Réveillon virou o principal evento do calendário local. Segundo a Prefeitura de Galinhos, a festa de virada injeta cerca de R$ 2,5 milhões na economia local e multiplica por dez a população do município durante o período, consolidando o vilarejo como um dos principais destinos de final de ano do litoral potiguar.

O que fazer na península esquecida pelo tempo

O roteiro segue a tábua de marés e combina água, areia e manguezal em passeios de dia inteiro. Entre as atrações principais estão:

  • Passeio de barco pelo Rio Aratuá: navegação silenciosa pelas gamboas com paradas para observar cavalos-marinhos, garças azuis, caranguejos e o berçário de ostras do manguezal.
  • Farol de Galinhos: erguido em 1931, é o oitavo farol construído no Rio Grande do Norte. Possui uma silhueta única e oferece vista para o encontro das águas calmas com o oceano.
  • Salinas naturais: montanhas brancas de sal que parecem neve sob o sol equatorial e podem ser avistadas do barco ou visitadas em passeios de buggy.
  • Dunas e Lagoa do Capim: paradas clássicas dos roteiros de buggy, com lagoas de água doce e salgada entre as areias brancas.
  • Praia de Galos: fica do outro lado do braço de mar, com acesso por barco ou caminhada de 8 km pela areia, reunindo pousadas e restaurantes.
  • Pôr do sol na ponta da península: o ponto final da faixa de areia oferece um dos pores do sol mais espetaculares do litoral potiguar.

Gastronomia Local

Na mesa, a gastronomia é ditada pelo mar e pelo manguezal:

  • Ostras frescas: colhidas durante o passeio de barco e servidas cruas ou gratinadas.
  • Peixe-galo na brasa: servido grelhado com arroz, pirão e farofa de mandioca.
  • Ceviche de camarão: preparado com limão, cebola roxa e coentro.
  • Caranguejo do mangue: servido inteiro com alho e ervas em bares pé na areia.

Qual a melhor época para visitar?

O clima tropical quente mantém temperaturas estáveis durante o ano todo. O segundo semestre é mais seco e ensolarado, ideal para os passeios de barco e buggy.

  • Verão (Dez–Fev): 25-32°C. Período de sol forte e ventos moderados.
  • Outono (Mar–Mai): 24-31°C. Início da época com maior probabilidade de chuvas rápidas.
  • Inverno (Jun–Ago): 22-29°C. Ventos mais intensos e clima ameno.
  • Primavera (Set–Nov): 24-31°C. Estação seca e excelente visibilidade.

Como chegar a Galinhos

A cidade fica a cerca de 160 km de Natal pela BR-406 e pela RN-402, com tempo médio de viagem de 3h de carro. O trajeto termina no Porto de Pratagil, onde ficam o estacionamento público e a balsa que faz a travessia. A travessia dura cerca de 10 a 15 minutos em pequenas balsas ou catamarãs operados pela comunidade local.


Fonte: Estado de Minas

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