A previsão de ventos fortes e baixa umidade que levou a Prefeitura de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, a emitir um ofício cobrando medidas de prevenção das mineradoras da região, estava correta. Nesta sexta-feira (7/8), dois dias após o comunicado, a cidade de cerca de 50 mil habitantes voltou a ser tomada por uma nuvem de poeira desde o início da tarde.
Imagens obtidas por O TEMPO mostram vários bairros do município sob uma penumbra amarronzada. Um morador da cidade, que não será identificado, relatou que, conforme a previsão, os ventos mais fortes atingiram a região onde estão várias mineradoras por volta do meio-dia, levantando o pó. “Acontece que estes ventos devem se repetir novamente no sábado, estamos preocupados com a nossa saúde”, comentou. Play Video
Na última quarta (5/8), a Prefeitura enviou um ofício pedindo que as mineradoras que possuem empreendimentos próximos à cidade adotem medidas para evitar, ao máximo, a emissão de material particulado no ar. O documento foi encaminhado às empresas nesta quarta-feira (5/8). Em julho deste ano a administração municipal determinou a paralisação imediata, e temporária, de algumas atividades de quatro mineradoras após uma nuvem de poeira encobrir parte da cidade. Procurada novamente nesta sexta, a Prefeitura de Congonhas ainda não se manifestou sobre a situação registrada e nem informou se novas medidas serão adotadas.
O alerta
Em seu ofício, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Congonhas, por meio da Diretoria de Gestão Ambiental e da Coordenação de Monitoramento da Qualidade do Ar, informou que no final desta semana, entre sexta-feira (7/8) e sábado (8/8), a previsão é de “dispersão” e “ressuspensão” do material particulado. “A combinação de tempo seco, baixa umidade, ausência de precipitação e possibilidade de ocorrência de ventos poderá favorecer o carreamento de poeira e a formação de nuvens de material particulado em direção às áreas urbanas do Município”, informaram os órgãos.

Entre as medidas que as empresas minerárias devem adotar e intensificar estão a umectação de vias internas, acessos, pátios, taludes e demais superfícies sujeitas à ressuspensão de poeira e a ampliação ou reaplicação de polímeros, supressores de poeira e demais produtos tecnicamente adequados. Além disso, os grupos foram orientados a reforçar os caminhões pipas e as equipes de controle ambiental, inclusive com a ampliação das rotas e da frequência de atendimento.
A Prefeitura de Congonhas ainda recomendou que a atenção às áreas extensamente decapadas e aos locais recentemente movimentados seja redobrada. “As medidas não deverão se limitar ao momento de ocorrência de ventos ou de emissões visíveis, devendo ser iniciadas antecipadamente e mantidas durante todo o período crítico. A atuação preventiva é indispensável para evitar que o material já depositado ou disponível nas superfícies seja lançado e transportado em direção às comunidades”, reforçou o município.
Na tarde de 12 de julho uma nuvem de poeira encobriu parte da cidade de Congonhas. A situação fez com que a prefeitura da cidade determinasse a paralisação imediata de algumas atividades de quatro mineradoras da região. A suspensão, estabelecida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (Seman), valeu para todas as operações com potencial de gerar emissão de material particulado no ar.
De acordo com o município, as quatro mineradoras respondem por mais de 96% das emissões de material particulado em Congonhas. A ordem de paralisação abrangeram atividades como frentes de lavra, carregamento de minério, britagem e transporte em vias não pavimentadas, além de outras operações que possam provocar a suspensão de poeira. “As empresas são obrigadas a cumprir a determinação e, em caso de descumprimento, estão sujeitas à autuação pelos órgãos de fiscalização”, registrou o Executivo.
Além da suspensão das operações, a prefeitura determinou, na época, que as mineradoras adotassem uma série de medidas emergenciais para reduzir a emissão de poeira. Entre elas estão o uso contínuo de canhões de névoa, a aplicação de supressores de poeira, a redução da velocidade de veículos e o reforço da limpeza de sedimentos e do sistema de lavagem de rodas e chassis dos caminhões.




