Paraty entrou na lista da Forbes entre as vilas mais bonitas do mundo, com ruas de pedra, maré alta, ilhas e patrimônio histórico.
Cidade histórica do litoral fluminense reúne patrimônio colonial, marés que avançam sobre ruas de pedra, Mata Atlântica preservada e reconhecimento internacional em uma lista que compara vilas de diferentes continentes.
Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, foi incluída pela Forbes na lista das 50 vilas mais bonitas do mundo em 2025, elaborada a partir de curadoria da Unforgettable Travel Company. A cidade aparece na 35ª posição e é a única representante brasileira no ranking, que tem Bibury, na Inglaterra, no primeiro lugar. A escolha deu visibilidade internacional a um conjunto formado por centro histórico tombado, ruas de pedra, igrejas coloniais, produção tradicional de cachaça, Mata Atlântica e uma baía com dezenas de ilhas.
O Iphan também registrou a inclusão de Paraty na lista e informou que a revista destacou a relação entre história, cultura e natureza na cidade. No texto da Forbes Brasil, Paraty é descrita como um destino do litoral fluminense que preserva igrejas coloniais e ruas de pedra. A publicação também cita os barcos que saem do cais em direção ao Saco do Mamanguá, além das trilhas, cachoeiras e da tradição ligada à cachaça artesanal.
Forbes destaca Paraty entre as vilas mais bonitas do mundo
A lista “As 50 Vilas Mais Lindas do Mundo em 2025” foi publicada pela Forbes Brasil em 21 de setembro de 2025. Segundo a revista, a seleção reuniu lugares que vão além dos roteiros turísticos tradicionais e apresentam marcas históricas e características próprias. Paraty aparece ao lado de destinos como Hallstatt, na Áustria, Reine, na Noruega, Giethoorn, nos Países Baixos, e Oia, na Grécia.
A presença da cidade brasileira no ranking foi relacionada a elementos documentados pela publicação, como o centro histórico, as igrejas coloniais, o acesso ao Saco do Mamanguá e a produção de cachaça. O município fica na Costa Verde fluminense e combina área urbana histórica com paisagens costeiras e trechos de Mata Atlântica. Esse enquadramento também aparece na descrição da Unesco para o sítio Paraty e Ilha Grande, que inclui o centro histórico, áreas protegidas da Mata Atlântica, parte da Serra da Bocaina e a região costeira atlântica.
Maré alta em Paraty explica avanço do mar nas ruas históricas
Um dos aspectos mais conhecidos do centro histórico é a entrada da água do mar em determinadas ruas durante períodos de maré alta. O fenômeno ocorre em áreas baixas próximas ao cais e é mais perceptível em dias de maior amplitude de maré.
A explicação física está ligada ao ciclo das marés, influenciado pela posição relativa da Lua, do Sol e da Terra. Nas fases de lua nova e lua cheia, a maré de sizígia costuma produzir diferenças mais acentuadas entre maré alta e baixa, o que pode aumentar o avanço da água sobre áreas costeiras baixas. Em Paraty, esse comportamento natural interage com o desenho urbano antigo.
O centro histórico preserva ruas de pedra e edificações coloniais construídas em uma área diretamente conectada ao porto, relação que foi registrada pela Unesco ao descrever a conservação do traçado urbano do século XVIII e de parte da arquitetura colonial dos séculos XVIII e XIX. A água que avança sobre o calçamento também é uma das imagens que deram projeção turística à cidade. No entanto, a descrição do fenômeno deve ser tratada como resultado da combinação entre maré, relevo costeiro e ocupação urbana histórica.
História de Paraty passa pelo porto colonial e pela Estrada Real
A formação de Paraty está ligada à posição estratégica entre o mar e o interior. Segundo a Unesco, no fim do século XVII a cidade era ponto final do Caminho do Ouro, rota usada para o escoamento de ouro em direção à Europa. O porto também serviu como entrada de ferramentas e de africanos escravizados enviados para trabalhar nas minas.
O Caminho Velho da Estrada Real, associado ao percurso entre Ouro Preto e Paraty, tem cerca de 710 quilômetros, conforme o Instituto Estrada Real. Do total, 320 quilômetros são de subidas e descidas, com trechos de estrada de terra, asfalto, trilha e calçamento. Com a mudança de rotas econômicas ao longo do período colonial e imperial, Paraty perdeu parte da centralidade como porto. Esse processo contribuiu para a permanência de características urbanas antigas, hoje reconhecidas em tombamentos e na inscrição do sítio Paraty e Ilha Grande na Lista do Patrimônio Mundial.
O centro histórico foi tombado pelo Iphan em 1958. Desde 2019, Paraty e Ilha Grande integram a lista da Unesco como sítio misto, categoria que reconhece atributos culturais e naturais no mesmo bem.
Patrimônio mundial de Paraty reúne cultura e Mata Atlântica
A Unesco descreve Paraty e Ilha Grande como uma paisagem natural-cultural que inclui o centro histórico de Paraty, áreas protegidas da Mata Atlântica, parte da Serra da Bocaina e a região costeira. O órgão também aponta que o centro histórico preservou seu plano urbano do século XVIII e parte expressiva da arquitetura colonial dos séculos XVIII e XIX.
A área reconhecida envolve seis componentes, entre eles o Centro Histórico de Paraty, o Morro da Vila Velha e unidades de conservação como o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, o Parque Estadual da Ilha Grande e a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul. Do ponto de vista ambiental, a Unesco informa que a região está inserida no hotspot da Mata Atlântica e registra alta ocorrência de espécies endêmicas. A descrição oficial cita, entre outros dados, 450 espécies de aves registradas e a presença de espécies ameaçadas, como a onça-pintada e o muriqui-do-sul.
Essa combinação de patrimônio arquitetônico e biodiversidade ajuda a explicar por que Paraty é analisada por órgãos de preservação sob duas dimensões. A cidade não é tratada apenas como conjunto colonial, mas como parte de uma paisagem em que território, ocupação humana, floresta, mar e comunidades tradicionais estão relacionados.
Cachaça de Paraty tem reconhecimento ligado ao território
A cachaça é outro elemento associado à identidade local. Em 2007, Paraty havia sido reconhecida como Indicação de Procedência para cachaça; em 30 de janeiro de 2024, o INPI publicou a alteração do registro para Denominação de Origem. Segundo o INPI, a mudança considerou fatores naturais e humanos relacionados à produção.
O órgão cita condições como relevo da Serra do Mar, alta pluviosidade, temperaturas relativamente elevadas e características da cana-de-açúcar cultivada na região, que influenciam aspectos do produto final. A atualização reforça a ligação entre território e técnica produtiva. No caso de Paraty, a cachaça deixou de ser identificada apenas pela procedência geográfica e passou a ter reconhecimento associado a características específicas do ambiente e do modo de produção.
A gastronomia local também se apoia em elementos da cultura caiçara, da pesca e da relação com a Mata Atlântica. Pratos com peixe, camarão, banana e ingredientes regionais fazem parte da oferta turística.
Turismo em Paraty exige preservação do centro histórico e da natureza
A inclusão de Paraty no ranking da Forbes ocorre em um momento em que destinos históricos costeiros enfrentam debates sobre preservação, turismo e eventos climáticos. No caso do sítio Paraty e Ilha Grande, a própria Unesco cita vulnerabilidade associada às mudanças climáticas e à recorrência de desastres naturais.
A gestão de áreas como essa envolve acompanhamento de patrimônio edificado, circulação de visitantes, conservação de trilhas, proteção de unidades ambientais e monitoramento de áreas costeiras. São temas tratados por órgãos de preservação, poder público, pesquisadores e comunidades locais.
No cotidiano turístico, o visitante encontra um território em que diferentes camadas se sobrepõem. O mesmo roteiro pode incluir caminhada pelo centro histórico, observação da maré nas ruas de pedra, saída de barco pela baía, visita a alambiques e deslocamento por trechos ligados à Estrada Real. Esse conjunto explica a presença de Paraty em listas internacionais sem exigir que a cidade seja apresentada como um cenário imóvel.
Fonte: Click Petróleo e Gás





