Um desabafo forte e carregado de indignação marcou o pronunciamento do presidente da Câmara Municipal de Ouro Branco, Warley Pereira, na sessão desta terça-feira (5) ao defender a criação urgente de uma nova Macrorregional Centro Sul para atender cidades do Alto Paraopeba, desvinculando a região de Barbacena que atualmente engloba 51 municípios e alcançando em torno 800 mil habitantes.
A cidade vem presenciado nos últimos meses diversos casos em que os paciente ficam semanas atrás de uma vaga no SUS Fácil, gerando dor e angústia aos ffamiliares. Segundo Warley, o atual modelo está “sufocado”, deixando pacientes sem atendimento rápido e colocando vidas em risco diariamente.
“Não dá mais para Barbacena ser nossa macro. O sistema está sufocado, os municípios estão negando transferências e quem sofre é a população”, disparou. O presidente afirmou que cidades como Ouro Branco, Congonhas e Conselheiro Lafaiete já possuem população e estrutura suficientes para que a região tenha sua própria gestão de saúde, sem depender de municípios distantes.
Durante a fala, Warley revelou situações consideradas graves envolvendo pacientes que aguardam vagas e transferências hospitalares enquanto hospitais da macrorregião recusam atendimentos. “As últimas transferências que acompanhei foram negadas. São João del-Rei negou, outros municípios negaram. Isso é absurdo. O SUS é de todos”, afirmou.
O parlamentar contou ainda que pacientes da região só conseguiram atendimento recentemente graças a uma pactuação emergencial com a Santa Casa de Ouro Preto. Além da crise no atendimento, Warley também chamou atenção para o sofrimento das famílias obrigadas a percorrer longas distâncias em momentos delicados.
Em um dos trechos mais emocionantes do pronunciamento, ele relatou a morte recente de um familiar em Barbacena e descreveu a dor enfrentada pela família durante todo o processo. “É sofrimento dobrado. A família sai de Ouro Branco para Barbacena, depois precisa vir para Conselheiro Lafaiete, resolver documentação, preparar corpo… isso destrói qualquer família”, desabafou.

Warley defendeu que Conselheiro Lafaiete seja transformada em referência regional de saúde e reforçou a importância da conclusão do Hospital Regional, aguardado há anos pela população.Ele afirmou ainda que pretende intensificar as cobranças junto ao Governo de Minas e a lideranças regionais para mudar o atual cenário. “Estamos falando de salvar vidas. Se nada mudar, infelizmente vamos continuar vendo pacientes perdendo a vida por falta de tratamento imediato”, alertou.
O presidente também destacou que municípios como Entre Rios de Minas, Desterro de Entre Rios, Rio Espera e Piranga enfrentam dificuldades semelhantes e poderiam ser beneficiados com uma nova estrutura regional. O discurso repercutiu nas redes sociais e reacendeu um debate antigo: até quando cidades do Alto Paraopeba continuarão dependendo de uma estrutura considerada distante e sobrecarregada?
O outro lado
Nossa reportagem procurou Renato Soares dos Reis, Superintendente Regional de Saúde de Barbacena, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, que esclareceu a questão em debate. Segundo ele, a análise de viabilidade para criação de uma nova Macrorregião de Saúde envolve a avaliação da capacidade do território em assumir o papel de referência da atenção terciária no SUS. Conforme o conceito adotado no planejamento regional, a macrorregião deve englobar duas ou mais microrregiões de saúde, possuir população próxima ou superior a 700 mil habitantes e ofertar serviços ambulatoriais e hospitalares de maior densidade tecnológica.
“Nesse processo, é necessário verificar se o território apresenta oferta suficiente de procedimentos de média e alta complexidade, considerando o rol previsto na Carteira de Serviços Hospitalares do SUS/MG (Tipologia 2023). A análise deve demonstrar que a rede assistencial instalada possui capacidade de atender adequadamente a população regional, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes para outras macrorregiões”, citou.
“Também são avaliados os fluxos assistenciais históricos, observando-se, ao longo de vários anos, os deslocamentos da população para atendimepela cnto especializado, os municípios de referência já consolidados e a capacidade de polarização regional. Dessa forma, identifica-se se existem municípios com rede assistencial estruturada, especialmente na alta complexidade, capazes de exercer centralidade sobre os municípios vizinhos e sustentar a organização regional da atenção à saúde”, finalizou. Ao certo, pela complexidade técnica, hoje é inviável uma nova macro. Em Minas, existem 16, e Barbacena é a menor no Estado. Não dá para criar macro com 200 a 300 mil habitantes.





