As transferências dos últimos 14 pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, marcam o fim de um capítulo vergonhoso para a medicina psiquiátrica brasileira. Mais de 60 mil pessoas morreram na unidade. Pacientes internados, sem diagnóstico, simplesmente porque não eram aceitos pela sociedade.
O primeiro hospital psiquiátrico público de Minas Gerais começou a funcionar em 1903. Os internos eram marginalizados pela sociedade e considerados indesejados, como crianças com deficiência, gestantes solteiras e homens e mulheres em situação de rua. Até 1979, o Hospital Colônia de Barbacena foi administrado por freiras ligadas à Igreja Católica.
Com a reforma psiquiátrica, no início da década de 1980, os pacientes começaram a ser liberados. O historiador Edson Brandão explica: “Não é só a questão da política pública de saúde: é a consciência da sociedade, é a vontade dos governos de se engajar nisso. É o entendimento que a doença mental precisa ter outras abordagens, e isso é um processo que levou muito tempo para ser amadurecido.”
Atualmente, o local abriga o centro hospitalar psiquiátrico, que tem atendimento humanizado e internação de urgência de curta permanência.
A cerimônia de encerramento definitivo das atividades foi realizada em frente a um dos pavilhões da antiga unidade. Os últimos 14 pacientes que deixaram o hospital têm mais de 70 anos. Eles chegaram ainda jovens. Sofreram abusos e violência física.
Muitas delas perderam os laços familiares ao longo dos anos e já não tinham para onde voltar. Agora, começam uma nova etapa da vida em residências terapêuticas mantidas pela prefeitura de Barbacena e pelo governo de Minas, com acompanhamento especializado.
O documentário “Hospital Colônia: insanidade, tortura e morte”, disponível no RecordPlus, traz relatos inéditos de ex-pacientes e ex-funcionários da unidade psiquiátrica.
Fonte: R7 Notícias
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