O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) atualizou em junho a tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), levantamento que classifica os automóveis vendidos no país conforme a eficiência energética de cada categoria. Entre os modelos 100% elétricos, os 10 primeiros colocados gastam cerca de R$ 0,10 em energia a cada quilômetro rodado.
O PBEV analisou centenas de versões de diferentes fabricantes, divididas em múltiplas categorias, e é a referência oficial usada nas etiquetas afixadas nos vidros dos carros nas concessionárias. O programa informa o consumo urbano e rodoviário, a autonomia e o índice de emissão de gases de efeito estufa, medido em dióxido de carbono (CO₂).
Como o Inmetro mede a eficiência do carro
Num carro a combustão, o consumo é medido em quilômetros por litro (km/l). Já um elétrico usa a energia da bateria e um híbrido pode combinar combustível e eletricidade. Por isso, não dá para comparar diretamente o consumo dos três usando apenas o km/l.
Para colocar todos os modelos na mesma régua, o Inmetro usa o megajoule por quilômetro (MJ/km). Essa medida mostra quanta energia o carro precisa para percorrer um quilômetro, independentemente de a fonte ser gasolina, eletricidade ou uma combinação das duas.
- Menos MJ/km: menor gasto de energia e maior eficiência.
Para entender melhor, pense no megajoule como uma unidade comum de energia. A eletricidade, por exemplo, costuma ser medida em quilowatt-hora (kWh) nas contas de luz. Um kWh equivale a 3,6 megajoules. Isso permite transformar o número do Inmetro em um valor mais fácil de visualizar.
Exemplo: um carro elétrico com consumo de 0,39 MJ/km (como é o caso dos líderes da lista) precisa de aproximadamente 10,8 kWh para percorrer 100 quilômetros. Ou seja, quanto menor for o número em MJ/km, menos energia o veículo precisa para percorrer a mesma distância.
Quanto custa rodar com um elétrico?
Em Porto Alegre, o custo básico da energia elétrica residencial na tarifa convencional da CEEE Equatorial é de R$ 0,82200 por kWh, conforme os valores homologados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O valor não inclui impostos nem o acréscimo das bandeiras tarifárias.
Aplicada a essa base:
- O modelo mais eficiente do ranking consome cerca de R$ 0,09 por quilômetro.
- Os últimos colocados, com consumo de 0,50 MJ/km, ficam em torno de R$ 0,11 por quilômetro.
- Com impostos e bandeira tarifária, o gasto real fica acima desses valores.
- Um carro a combustão equivalente acarreta em custo entre R$ 0,35 e R$ 0,50 por quilômetro.
Como os elétricos não queimam combustível líquido, o Inmetro criou uma tradução para o consumidor: o quilômetro por litro equivalente, abreviado como km/l e. O cálculo converte a energia elétrica consumida pela bateria no equivalente energético contido em um litro de gasolina.
Nos carros elétricos, o padrão se inverte em relação aos modelos a gasolina: o consumo urbano costuma ser melhor do que o rodoviário, principalmente pela eficiência em velocidades mais baixas e pelo aproveitamento da frenagem regenerativa.
Os 10 carros elétricos mais econômicos do Brasil
O ranking abaixo segue a ordem do consumo energético apurado pelo PBEV, do menor para o maior. Os preços são os valores públicos sugeridos pelas montadoras para o carro zero-quilômetro.
| Posição | Modelo | Preço Sugerido | Bateria / Potência | Consumo Energético | Consumo Equivalente (Cidade / Estrada) |
| 1º | BYD Dolphin Mini GL | R$ 118.990 | 30 kWh / 75 cv | 0,39 MJ/km | 60,6 km/l e / 44,4 km/l e |
| 2º | Geely EX2 (Pro e Max) | R$ 123.800 a R$ 136.800 | – / 116 cv | 0,39 MJ/km | 60,1 km/l e / 45,2 km/l e |
| 3º | MG MG4 Urban | R$ 129.990 a R$ 139.990 | 43 kWh / 150 cv | 0,40 MJ/km | 56,8 km/l e / 44,0 km/l e |
| 4º (empate) | BYD Dolphin Mini GS | R$ 119.990 | 38 kWh / 75 cv | 0,41 MJ/km | 58,6 km/l e / 41,9 km/l e |
| 4º (empate) | BYD Dolphin GS | R$ 149.990 | 44,9 kWh / 95 cv | 0,41 MJ/km | 51,9 km/l e / 43,5 km/l e |
| 6º | Geely EX5 Pro | R$ 195.800 | 60,2 kWh / 218 cv | 0,42 MJ/km | 51,0 km/l e / 44,7 km/l e |
| 7º | GAC Aion ES Plus | R$ 169.990 | 55,2 kWh / 136 cv | 0,45 MJ/km | 47,1 km/l e / 42,9 km/l e |
| 8º | Mini Aceman E | R$ 254.990 | 42,5 kWh / 184 cv | 0,46 MJ/km | 47,6 km/l e / 40,2 km/l e |
| 9º | JAC e-JS1 | R$ 132.900 | 30,2 kWh / 62 cv | 0,50 MJ/km | 50,3 km/l e / 37,3 km/l e |
| 10º | MG MG4 Comfort e Luxury | R$ 169.000 a R$ 199.000 | 64 kWh / 204 cv | 0,50 MJ/km | 45,5 km/l e / 37,8 km/l e |
O que o ranking não mostra
A eficiência aferida pelo Inmetro é medida em laboratório, com ciclos padronizados de aceleração e frenagem. No uso real, o consumo pode variar conforme fatores como:
- Estilo de condução: acelerações e frenagens bruscas aumentam o gasto.
- Topografia: trajetos com muitas subidas exigem mais energia.
- Temperatura: baterias de lítio perdem eficiência no frio.
- Pressão dos pneus: pneus descalibrados elevam o consumo.
- Ar-condicionado: o uso do sistema interfere no gasto energético.
Custo conforme o local de recarga:
- Tomada residencial: segue a tarifa da distribuidora local (com impostos e bandeiras).
- Eletropostos de recarga rápida: o preço do kWh costuma ser de duas a três vezes maior, elevando o custo real para a faixa de R$ 0,25 a R$ 0,35 por quilômetro.
Fonte: GaúchaZH




