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Vereadores reagem com indignação, medo e pedido de rigor após discurso reacionário de Pastor na Câmara de Lafaiete

As declarações feitas pelo missionário e radialista Juliander Dias Barbosa durante a Tribuna Popular da Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete na sessão da noite de ontem (26) provocaram reações imediatas e contundentes entre vereadores e vereadoras da Casa. “Cadê a lei para os homens? A Lei Maria da Penha só favorce a mulher. Temos que acabar com esta desigualdade. Só temos BO falso. Só vejo nesta Casa o Pastor Angelino lutando sozinho”, atacou o Pastor.

A primeira reação forte veio da vereadora Gina Costa. Em tom duro, Gina rebateu diretamente as falas relacionadas à violência doméstica e à Lei Maria da Penha. A parlamentar mandou um “boa noite especial” para sua “família não tradicional” e para mulheres submetidas à rotina exaustiva da escala 6 por 1, destacando o peso enfrentado diariamente por milhares de trabalhadoras. Gina também citou o caso recente de uma mulher arremessada de um penhasco na Região Metropolitana de Belo Horizonte e afirmou que Minas Gerais enfrenta uma realidade alarmante de violência contra mulheres. “Nós ficamos estarrecidas e com medo”, declarou. Sem citar diretamente o nome do missionário, Gina criticou comparações entre violência sofrida por homens e mulheres e afirmou que muitos discursos são feitos “sem muito fundamento”.

O vereador João Paulo Pé Quente também reagiu de forma contundente. Visivelmente incomodado e envergonhado com o teor das declarações apresentadas na Tribuna Popular, ele criticou a utilização do espaço democrático da Câmara para falas que, segundo ele, ignoram a gravidade da violência enfrentada diariamente por mulheres no Brasil. O parlamentar destacou que uma mulher é assassinada a cada cinco horas no país e afirmou que políticas públicas existem justamente para enfrentar desigualdades históricas e proteger vítimas de violência.“Prejudicando os homens quais homens? Os agressores? Porque se esses homens forem os agressores, eu espero muito que a lei seja severa para eles”, afirmou.João Paulo também defendeu a aplicação rigorosa da Lei Maria da Penha, da Lei do Feminicídio e da futura Lei da Misoginia.

Acionamento da PM

O momento mais grave ocorreu quando o orador passou a atacar diretamente o Projeto de Lei Ordinária nº 37/2026, de autoria da vereadora Damires Rinarlly, aprovado por unanimidade pelos 13 vereadores na sessão do último dia 21 de maio. O projeto dispõe sobre a implementação do Programa Botão do Pânico como medida de proteção às mulheres em situação de violência doméstica no município de Conselheiro Lafaiete.

A iniciativa é fruto de uma articulação conjunta da vereadora Damires Rinarlly com a deputada estadual Lohanna, que destinou R$ 250 mil para o município visando a implementação efetiva do programa e fortalecimento da rede de proteção às mulheres vítimas de violência.

Durante as primeiras votações do projeto, os vereadores Pastor Angelino e Pedro Américo chegaram a manifestar voto contrário à proposta. Ainda assim, após debate e mobilização, o projeto foi aprovado pela totalidade da Câmara Municipal.

Em tom intimidatório e aterrorizante, Juliander Dias Barbosa declarou. “amanhã ou depois vocês que aprovam projeto e requerimentos de botão do pânico, vocês mesmos que vão ser perseguidos”; “vocês vão ficar fechadas e não vão ter saída”; e ainda afirmou. “vamos fazer botão dos homens, botão do terror”.

As declarações foram recebidas como ameaça explícita e violência política de gênero contra as parlamentares e contra todas as mulheres presentes. Diante da gravidade das falas, a vereadora Damires Rinarlly solicitou imediatamente durante a sessão a adoção das medidas cabíveis e a redação de boletim de ocorrência contra o autor das declarações.

Todos os 13 vereadores se posicionaram contras as falas misóginas e reacionárias do pastor radialista. A Policia Civil de Minas Gerais vai investigar o caso.

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