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15 anos depois: tragédia do ônibus escolar atingido por trem ainda deixa famílias sem justiça e sem respostas em Entre Rios de Minas

Dia 22 de junho de 2011. A data ficou para a história como o dia em que ocorreu uma das piores tragédias dos mais de 312 anos de história de Entre Rios de Minas. Era um dia fatídico. Logo pela manhã, um ônibus escolar foi atingido por um trem que seguia de Bom Jardim de Minas para Jeceaba.

O acidente ocorreu quando o veículo tentava cruzar uma passagem de nível sobre os trilhos da MRS Logística no km 273 da ferrovia. Na travessia, o motorista não conseguiu ver a composição que colidiu contra o ônibus. Três pessoas morreram entre elas o condutor, Antônio Geraldo de Assis Moura, de 50 anos. As outras vítimas eram Leiva Fonseca Coelho, 35 anos, mãe de dois alunos que estavam no ônibus, e uma adolescente de 16 anos, Katiele Viana. acidente trem (37)

Acidente repercutiu no Brasil

Do total o ônibus transportava 50 passageiros, destes 34 pessoas ficaram feridas. Dez delas em estado grave. Os feridos mais graves foram atendidos no Hospital de Pronto Socorro João XXIII, em Belo Horizonte. Os demais foram levados para hospitais de Entre Rios de Minas, São João del Rei, Conselheiro Lafaiete e Ouro Branco. Em Entre Rios, o som mais ouvido era de sirenes de ambulância que cortavam a cidade em meio à tragédia. Três helicópteros do Corpo de Bombeiros e ambulâncias de diversas cidades ajudaram no socorro aos feridos. Era uma cena triste com muitas pessoas ensanguentadas. O ônibus escolar prestava serviços à Prefeitura de Entre Rios de Minas e transportava estudantes da área rural para escolas do município. No local do acidente a sinalização era bastante precária, sem cancela, apenas uma placa e a neblina estava muito forte. Esse conjunto de fatores causou o acidente.

A composição da MRS Logística era formada por sete locomotivas, sem vagões. Os relatos da época, o veículo foi arrastado pela composição por cerca de 50 metros parando a 400 metros do local da batida. Algumas mães estavam no ônibus porque levavam seus filhos para a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) de Entre Rios.

Investigação

As conclusões sobre o inquérito que investigou as causas da batida foram apresentadas no dia 19 de setembro de 2011. À época, o delegado que presidiu as investigações, Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, afirmou que o motorista não observou os cuidados necessários antes de transpor a linha férrea. Através de depoimentos de testemunhas, laudos periciais e a análise da caixa preta da composição férrea, a conclusão do inquérito é que o acidente se deu em virtude da imprudência praticada pelo motorista.

Enterro

Tendo em vista que o motorista morreu foi extinta a punibilidade. Criminalmente também não houve punição de ninguém no caso. A análise da caixa preta constatou que a composição férrea estava a três quilômetros abaixo da velocidade máxima permitida, que é 60 km/h. O ônibus estava a 10 k/h. Já a MRS ou a prefeitura não foram penalizadas. Até hoje o caso corre na Justiça, sem uma sentença sobre os culpados. Paralelamente existem diversas ações com pedido de indenização movidas por famílias contra a MRS e a Prefeitura.

Ontem e hoje

Passados 15 anos as famílias ainda aguardam as indenizações e a feridas abertas pela tragédia deixaram marcas ainda não cicatrizadas. A comunidade do Brumadinho é testemunha de um acidente até hoje foi mal explicado e que povoa o imaginário dos moradores.

Atualização

Nossa reportagem fez contato com o advogado, Luciano Pinheiro Dias, que informou que o processo de indenização da vítima Katiele já está com sentença de primeiro grau de jurisdição, que condenou a MRS LOGÍSTICA S/A e o MUNICÍPIO DE ENTRE RIOS DE MINAS, de forma solidária, a indenizarem os familiares por dano moral e danos materiais/lucros cessantes. As rés MRS LOGÍSTICA S/A e o MUNICÍPIO DE ENTRE RIOS DE MINAS apresentaram Recurso Apelação para o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais para tentar reverter a decisão de 1º Grau.

Tendo em vista a necessidade de julgamento conjunto do processo com outras duas ações que versam sobre os mesmos fatos, a 2ª Câmara Cível do TJMG promoveu a conexão dos processos, no intuito de se evitar decisões divergentes. Os parentes das vítimas estão aguardando a decisão do Recurso Apelação que será proferida pelo colegiado com a publicação do Acórdão. Já se passaram 15 anos e até o momento, ninguém foi punido e a família vem sofrendo com esta via crucis processual sem fim. Fizemos contado com a família de Leiva Fonseca Coelho mas não quiseram manifestar no caso.

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