O Centro de Referência da Mulher (CRM) de Conselheiro Lafaiete tem registrado um crescimento expressivo em sua demanda, conforme revelam os dados oficiais do Ofício n° 265/SMDS/2026. Entre 2023 e o primeiro quadrimestre de 2026, o serviço realizou milhares de atendimentos, sinalizando uma mudança no perfil de atuação da rede municipal de proteção.
Explosão na procura e foco na prevenção
Os números mostram um aumento robusto na busca pelo serviço nos últimos anos:
• 2023: 658 atendimentos para 154 mulheres vítimas de violência.
• 2024: O volume saltou para 1.804 atendimentos, assistindo 153 mulheres.
• 2025: Foram 1.606 atendimentos para 120 mulheres.
• 2026 (até abril): Já somam 730 atendimentos, com 43 vítimas de violência registradas.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social destaca que, embora o número de atendimentos tenha crescido, a incidência de casos de violência, proporcionalmente ao total de demandas, caiu de 23,4% em 2023 para 5,9% no início de 2026. Para a pasta, o dado indica uma atuação mais preventiva e um fortalecimento do acolhimento psicossocial, permitindo intervenções precoces antes que a situação evolua para agressões mais graves.
O perfil da violência e a estrutura de suporte
O relatório aponta que, em 2026, a violência psicológica lidera as estatísticas, seguida pela física, moral, patrimonial e sexual. Para lidar com esse cenário, o CRM opera com uma equipe multidisciplinar composta por 11 profissionais, incluindo psicólogas, advogada, assistente social e pedagoga. A taxa de reincidência nos atendimentos é de aproximadamente 2,64%.
Alerta: Os números reais da violência
Apesar da eficiência comprovada na ampliação da cobertura e na qualificação do acompanhamento, a Secretaria de Desenvolvimento Social faz uma ressalva técnica importante: não é possível afirmar, de forma conclusiva, que a violência doméstica diminuiu no município apenas com base nestes dados.
O ofício enviado à Câmara Municipal é categórico ao afirmar que uma avaliação territorial abrangente exige a integração de indicadores da segurança pública, saúde e do sistema de justiça, sugerindo que o CRM é apenas uma parte de um complexo desafio que ainda precisa ser mapeado em outras esferas.



