A crise financeira enfrentada por diversos municípios mineiros já começa a impactar diretamente o calendário de eventos da região. As prefeituras de Belo Vale e Moeda anunciaram o cancelamento de duas das principais festas tradicionais de suas cidades: a Festa da Mexerica, em Belo Vale, e o Rodeio de Moeda. Segundo as administrações municipais, a decisão foi tomada diante do atual cenário econômico e da necessidade de adotar medidas de contenção de despesas. O objetivo é preservar o equilíbrio das contas públicas e garantir recursos para áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação, infraestrutura e manutenção dos serviços essenciais.
As duas festividades são conhecidas por reunir milhares de visitantes todos os anos, movimentando o turismo, fortalecendo o comércio local e gerando renda para ambulantes, produtores rurais, artesãos, artistas e diversos prestadores de serviço. Com o cancelamento, comerciantes e moradores também sentem os impactos econômicos, já que os eventos representam uma importante oportunidade de geração de renda e valorização da cultura local.
As prefeituras ressaltaram que a medida foi tomada com responsabilidade e transparência, diante da atual realidade financeira dos municípios. Ainda conforme os Executivos municipais, a expectativa é que tanto a Festa da Mexerica quanto o Rodeio de Moeda possam voltar a ser realizados nas próximas edições, assim que houver condições orçamentárias para promover os eventos com segurança e responsabilidade fiscal. A decisão já repercute entre a população, que lamenta a suspensão de duas celebrações consideradas símbolos da tradição e da identidade cultural da região.
TCEMG
O debate ocorre em um momento em que o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) tem ampliado a fiscalização sobre gastos municipais com shows e eventos festivos. Em relatório elaborado pela Diretoria de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas, o órgão identificou situações de possível inversão de prioridades em diversos municípios mineiros e apontou irregularidades relacionadas à contratação de artistas e infraestrutura para eventos.
Segundo o levantamento do Tribunal, quase R$ 18,9 milhões em despesas previstas por prefeituras mineiras foram alvo de análise técnica. O estudo avaliou contratos e planejamentos orçamentários de municípios como Capelinha, Crucilândia, Ipaba, Ipatinga, Nazareno, Peçanha, Sacramento, Santa Bárbara do Tugúrio, São João da Ponte, São João do Oriente, São Vicente de Minas e Várzea da Palma.
De acordo com o relatório, foram identificados casos de sobrepreço que se aproximaram de R$ 500 mil, levando à adoção de medidas cautelares para suspensão de pagamentos e à emissão de orientações mais rigorosas por parte do Tribunal. Entre as recomendações estão a realização de pesquisas de preços mais detalhadas, justificativas técnicas robustas para a contratação de artistas e demonstrações claras do interesse público envolvido nas despesas.
O TCEMG destaca que a realização de festas populares não é proibida e pode representar benefícios culturais, turísticos e econômicos para os municípios. No entanto, o órgão ressalta que os gestores devem observar os princípios da economicidade, eficiência, transparência e responsabilidade fiscal, especialmente em cidades que enfrentam demandas significativas em áreas essenciais.



