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Comissão cobra liberação de obras em rodovias mineiras; MG 833 ainda depende de projeto

Estradas em situação precária e promessas de melhorias não cumpridas motivaram protestos de autoridades e lideranças locais em audiência pública, nesta quinta-feira (13/8/26), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião, promovida pela Comissão de Participação Popular, teve como foco os trechos entre Catas Altas e Alvinópolis, na Região Central; Caputira e Raul Soares, na Zona da Mata; Marilac e Nacip Raydan, no Vale do Rio Doce; e Itaverava (Região Central) e Lamim (Zona da Mata).

Proponente do debate, o deputado Leleco Pimentel (PT) ressaltou os prejuízos causados pelas más condições das rodovias, como acidentes, falta de acesso a serviços essenciais e prejuízos ao comércio, ao contestar anúncios do governador Mateus Simões sobre o processo de liberação das obras – segundo o parlamentar, com a antecipação enganosa de prazos.

Gerente de Obras de Construção do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-MG), Leandro Guimarães confirmou que não foi emitida ordem de serviço para o início das intervenções em nenhum dos trechos. Alguns projetos executivos estão para ser finalizados, enquanto outros ainda estão em fase inicial. “Concluímos que o governador Mateus Simões mentiu sobre essas rodovias. Não sabemos se ele busca informações de origem duvidosa ou se escolhe deliberadamente mentir. E tudo isso está circulando por meio de vídeos na internet”, afirmou Leleco Pimentel.

Poeira, lama, desespero

Vereadores de Catas Altas e Alvinópolis, lideranças comunitárias e o prefeito de Lamim, Waldiney Campos, reforçaram as cobranças por melhorias viárias. Nos 13 quilômetros não pavimentados da MG-326, entre o distrito de Fonseca e Catas Altas, caminhões de mineradoras circulam diariamente, enfrentando o barro e atolamentos e espalhando poeira. Também entre Raul Soares e Caputira é comum veículos e até mesmo motos afundarem na lama. Outros problemas são a falta de drenagem e partes esburacadas sem condição de tráfego.

Na LMG-744, a estrada de terra de Nacip Raydan até Marilac, passando por São José da Safira, conta com muitos buracos, trechos perigosos, alagamentos e interrupções frequentes, sobretudo no período chuvoso.

Já a LMG-833, que liga Itaverava a Lamim, sofre com buracos profundos, valetas e trechos quase intransitáveis. O prefeito Waldiney Campos destacou a importância do trecho para o escoamento da produção agropecuária, a exemplo do leite e do mel. Ele reconheceu o avanço representado pelo governo ter assumido a manutenção da rodovia, mas ponderou que a população quer mesmo é o asfalto. Por outro lado, para Nelia Souza, da comunidade do Macuco, até mesmo as intervenções paliativas deixaram a desejar, com o acúmulo de poeira e pó que perturba a população.

DER apresenta estágio atual de cada obra planejada

O gerente do DER-MG Leandro Guimarães detalhou aos presentes o andamento dos projetos de intervenção nos quatro trechos abordados. O projeto executivo da obra entre Catas Altas e Fonseca está adiantado e deve ser concluído ainda no segundo semestre de 2026. Já o percurso entre o distrito de Fonseca e Alvinópolis, dividido em um outro lote, está em ritmo mais lento, por hierarquia de prioridade.

Para os 36 quilômetros entre Caputira e Raul Soares ainda não há projeto, apesar de a empresa já ter sido contratada. Pendências técnicas impediram a conclusão do projeto executivo da obra de Nacip Raydan a Marilac, que também deve ser entregue neste semestre.

Por fim, o trecho entre Itaverava e Lamim é o que se encontra mais atrasado. Em 30 dias, informou o gestor do DER, será lançado o edital para elaboração do projeto executivo. Indignados com as respostas e os prazos apresentados pelo representante do governo, moradores das comunidades impactadas pela má conservação das rodovias reiteraram suas queixas quanto aos sucessivos compromissos assumidos pelo Executivo estadual nos últimos anos, conforme relataram, nunca cumpridos.

Como um dos desdobramentos da audiência, o deputado Leleco Pimentel solicitou, via requerimento, o acompanhamento do Tribunal de Justiça, do Ministério Público e do Tribunal de Contas do processo de andamento das obras nos trechos discutidos.

  • fotos: Guilherme Bergamini/Luiz Santana/ALMG

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