Por João Vicente
Nas comemorações dos 33 anos de fundação da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete, inauguro esta série “ IMORTAIS DA ACADEMIA DE CIÊNCIAS E LETRAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE ” falando de quem guardou a nossa história antes mesmo de existir Academia.
Falo de Joaquim Rodrigues de Almeida, o Quincas de Almeida.
Nascido na fazenda de São Pedro, no Morro do chapéu (atual Santana dos Montes) em 27 de setembro de 1893, filho de Pedro Lino de Almeida e Maria Eugênia de Carvalho.
Executou o brilhante trabalho de Genealogia que está hoje no museu de Conselheiro Lafaiete
Em 1928 era o Sócio Gerente do Jornal O Tempo em Lafaiete.
Em 1934 fundo o Jornal O Queluz de Minas.
Quincas também foi membro da Associação Brasileira de Imprensa, e quase cego, levantou a história do Campo Alegre dos Carijós, de Queluz e seus distritos e fez fichário de todas as famílias que povoaram o início de Conselheiro Lafaiete, sendo alguma das obras estão no Museu e Arquivo Antônio Perdigão.
Quincas faleceu em um hospital de Belo Horizonte, em 7 de novembro de 1970, e foi sepultado no cemitério Nossa Senhora da Conceição, de Conselheiro Lafaiete, em um dia chuvoso.
Se hoje sabemos que fomos Arraial dos Carijós, depois Campo Alegre dos Carijós e em 19 de setembro de 1790 fomos elevados a Villa Real de Queluz, é porque um homem, com as mãos sujas de tinta e chumbo, decidiu que essa memória não poderia se perder.
Quincas de Almeida foi o nosso primeiro memorialista. Tipógrafo por ofício, historiador por vocação. Dono da mais importante tipografia de Queluz no início do século XX, sua oficina foi mais que uma gráfica: foi arquivo, foi redação, foi casa de cultura. De lá saíram os jornais que deram voz a Queluz, os livros, as revistas e os documentos da Câmara que contam quem somos.
A Tipografia Almeida, ficava localizada na Rua Afonso Pena, 9.
O DEFENSOR DA IMPRENSA LIVRE
Quincas acreditava que um povo sem imprensa livre é um povo sem memória. Em tempos difíceis, quando dizer a verdade nos jornais do interior custava caro, ele manteve sua prensa funcionando. Livre, independente e corajosa. Por isso foi perseguido, mas nunca se calou.
E foi essa mesma coragem que o levou ao seu maior feito.
1939 – O ANO DA CORAGEM
Em 1939, o Brasil vivia sob a censura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Falar em revolução, em liberdade, em resistência a um governo central autoritário era subversivo.
Foi exatamente nesse ano que Quincas de Almeida tomou a decisão mais ousada de sua vida: *publicar a 2ª edição do livro do Cônego José Antônio Marinho sobre o Movimento Revolucionário de 1842 na Província de Minas Gerais. *
O livro do Cônego Marinho, publicado pela primeira vez em 1844, era uma obra proibida na prática. Escrito por quem viveu e liderou a Revolução Liberal de 1842, o livro denunciava com nomes, datas e documentos a repressão do Império de D. Pedro II contra Minas. Narrava em detalhes as batalhas de Santa Luzia, Queluz e Barbacena, as prisões arbitrárias e a luta dos queluzenses pela liberdade.
Depois de 1844, a obra foi recolhida e tornou-se raríssima. Quase um século depois, ninguém ousava reimprimi-la.

Quincas ousou

Sozinho, arcando com todos os custos, recompondo cada página, letra por letra em tipos móveis, ele reeditou Marinho em Queluz. Não foi um negócio. Foi um ato de resistência histórica. Foi dizer ao Brasil autoritário de 1939 que a história da Revolução Liberal de 1842 não seria apagada.
Trabalhou como tipógrafo e foi proprietário da Tipografia Almeida, localizada na Rua Afonso Pena, em Conselheiro Lafaiete. Com recursos próprios e grande esforço, editou a segunda edição da obra História da Revolução de 1842.
Graças à coragem de Joaquim Rodrigues de Almeida, o relato mais importante sobre o levante que transformou Queluz em palco da história nacional chegou até nós.
Joaquim Rodrigues de Almeida é o nosso Imortal. O guardião que transformou chumbo em história e tinta em liberdade. Enquanto houver uma Academia em Lafaiete, haverá um lugar para Quincas de Almeida.
Viva Quincas de Almeida e os 33 anos de fundação da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete



