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O segredo dos mineiros fica a menos de 2 horas de BH: o paraíso que pessoas do mundo inteiro vêm para conhecer as cachoeiras de águas cristalinas e 1.700 espécies de plantas

Chamada de Jardim do Brasil por botânicos, a Serra do Cipó abriga mais de 1.700 espécies vegetais catalogadas e cachoeiras de águas cristalinas que brotam de todos os cantos do relevo. Santana do Riacho, a cidade-base com pouco mais de 5 mil habitantes, fica a 130 km de Belo Horizonte, cerca de 1h45 pela MG-010, e guarda ainda sítios arqueológicos com pinturas rupestres de 7 mil anos.

Por que botânicos chamam a Serra do Cipó de Jardim do Brasil?

O paisagista Roberto Burle Marx dizia que começou a entender as plantas quando passou a acompanhar expedições à Serra do Cipó. O motivo está nos números. Segundo o ICMBio, os campos rupestres do parque abrigam mais de 1.700 espécies já registradas, com altíssimo grau de endemismo. O projeto Flora da Serra do Cipó, coordenado pela Universidade de São Paulo (USP) desde 1972, elevou esse número para 3.299 espécies de plantas terrestres catalogadas até o momento.

A explicação está no solo. Os campos rupestres crescem sobre quartzitos ácidos e pobres em nutrientes, sob intensa radiação solar. Essas condições extremas aceleraram a especiação, o processo de surgimento de novas espécies. Velózias gigantes, orquídeas, sempre-vivas, cactáceas e plantas carnívoras convivem em poucos hectares. Muitas dessas espécies não existem em nenhum outro lugar do mundo. A Serra do Espinhaço, onde a Serra do Cipó se insere, é reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera.

Quais vestígios humanos a serra esconde há milênios?

O Grande Abrigo de Santana do Riacho, esculpido em quartzito na escarpa oeste da serra, guarda centenas de pinturas rupestres produzidas há mais de 7 mil anos. As figuras representam cervídeos, cenas de caça e silhuetas humanas, registradas em tons de ocre, vermelho, amarelo e preto. Os pigmentos foram obtidos a partir de óxidos de manganês e ferro presentes na região.

As escavações revelaram sete camadas estratigráficas com vestígios de diferentes ocupações humanas ao longo de mais de 10 mil anos. Santana do Riacho integra a Grande Região Arqueológica de Lagoa Santa, onde foi encontrado o esqueleto de Luzia, um dos mais antigos das Américas. A Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais destaca os sítios arqueológicos como um dos principais atrativos culturais do município.

O que fazer entre cânions e cachoeiras na Serra do Cipó?

O Parque Nacional da Serra do Cipó foi criado em 1984 e ocupa 33.800 hectares nos municípios de Jaboticatubas, Santana do Riacho, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. Somado à APA Morro da Pedreira, o complexo protege mais de 100 mil hectares. As trilhas, cachoeiras e cânions atendem desde famílias até montanhistas experientes. Os destaques do roteiro são:

  • Cachoeira Grande: queda ampla com piscinas naturais, acesso fácil a partir da portaria do parque. Ideal para o primeiro contato com a serra.
  • Cânion das Bandeirinhas: formação rochosa esculpida pelo rio, com poços verde-esmeralda. Trilha de 12 km (ida e volta) com nível moderado.
  • Cachoeira da Farofa: queda de 20 metros dentro do parque, acessível pela mesma trilha do cânion.
  • Cachoeira Véu da Noiva: queda fina que cai por um paredão de quartzito. A trilha de acesso passa pelo antigo caminho dos escravos.
  • Lapinha da Serra: vilarejo a 136 km de BH com cachoeiras do Rapel e do Bicame, sítio arqueológico com pinturas rupestres e a travessia clássica Lapinha-Tabuleiro.
  • Pico da Lapinha (1.686 m): um dos pontos mais altos da região, com vista panorâmica da serra inteira.

Qual é a melhor época para explorar a serra?

O clima da Serra do Cipó varia conforme a altitude. Nas partes baixas predomina o calor do cerrado, enquanto os topos acima de 1.200 m podem registrar temperaturas próximas de 10 °C no inverno. O período seco (maio a setembro) facilita trilhas e travessias, mas reduz o volume das cachoeiras. O período chuvoso (outubro a março) enche as quedas d’água, porém exige atenção com trilhas escorregadias.

EstaçãoMesesTemperaturaCondiçãoRecomendação
SecaMai-Set10-24 °CBaixa chuvaMelhor para trilhas e travessias longas
ChuvosaOut-Mar18-28 °CAlta chuvaCachoeiras cheias (atenção a trombas d’água)

Como chegar à porta de entrada do parque?

Santana do Riacho fica a 130 km de Belo Horizonte pela MG-010, rodovia asfaltada que corta a serra. O trajeto de carro leva cerca de 1h45. A Viação Saritur opera linhas de ônibus entre BH e o distrito de Serra do Cipó, principal base de hospedagem para quem visita o parque. A Lapinha da Serra, outro distrito do município, é acessível por estrada de terra a partir da MG-010. Não há aeroporto na região: o mais próximo é o Aeroporto Internacional de Confins, a cerca de 80 km da entrada do parque.

O jardim que nasceu sobre pedras a menos de duas horas da capital

A Serra do Cipó reúne uma das maiores concentrações de espécies vegetais endêmicas do planeta, vestígios humanos de 7 mil anos e cachoeiras que brotam de todos os cantos do relevo. Tudo isso protegido por um parque nacional que cabe em um bate-volta a partir de Belo Horizonte. Você precisa subir a MG-010, pisar nos campos rupestres e entender por que cientistas do mundo inteiro viajam até Santana do Riacho para estudar o que cresce entre as pedras.

Fonte: Estado de Minas

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