×

Biomassa da carnaúba no Nordeste impulsiona energia renovável, inclusão produtiva no Ceará e renda para pequenos produtores em projetos sustentáveis

Resíduos da carnaúba ganham novo papel no semiárido ao virar fonte limpa de energia, gerar renda extra no Ceará e fortalecer iniciativas sustentáveis com impacto social e ambiental no Nordeste.

Conforme matéria publicada pelo site Cenário Energia nesta terça-feira (6), a biomassa da carnaúba vem ganhando destaque no debate sobre transição energética no Brasil ao reunir geração de energia renovável, inclusão produtiva e fortalecimento da economia regional. No Nordeste, especialmente no Ceará, uma iniciativa liderada pela Cimento Apodi demonstra como resíduos agrícolas tradicionais podem ser convertidos em insumo energético limpo, renda complementar para pequenos produtores e base sólida para projetos sustentáveis com impacto socioambiental positivo. Desenvolvido nos municípios de Quixeré e Jaguaruana, o modelo se consolida como referência ao integrar inovação industrial, economia circular e desenvolvimento territorial.

Biomassa da carnaúba no Nordeste impulsiona energia renovável no Ceará

Desde 2018, os talos da carnaúba, antes subutilizados após a extração da palha, passaram a ser aproveitados como biomassa energética. O que antes era resíduo agora gera energia limpa e renda local, reduzindo o uso de combustíveis fósseis e fortalecendo a cadeia produtiva regional. 

A valorização de resíduos agrícolas como fonte de energia renovável tem avançado no Brasil, mas assume importância estratégica no Nordeste, região marcada por desafios climáticos e grande vocação agroindustrial. Nesse contexto, a biomassa da carnaúba surge como alternativa eficiente para diversificar a matriz energética e fomentar projetos sustentáveis alinhados às metas de descarbonização.

No Ceará, a carnaúba é símbolo cultural, social e econômico. Conhecida como a “árvore da vida”, ela sustenta diversas famílias envolvidas na extração da cera, atividade tradicional do semiárido. A iniciativa da Cimento Apodi se destaca ao integrar essa cultura histórica a uma solução energética moderna, aproveitando os talos descartados para geração de energia térmica utilizada em processos industriais. Trata-se de uma solução local para um desafio global, ao reduzir emissões e ampliar a participação de fontes limpas na matriz energética regional.

A carnaúba como ativo econômico e energético no Ceará

A safra da carnaúba ocorre, majoritariamente, entre agosto e novembro, período seco no Nordeste. Essas condições favorecem a coleta, trituração e armazenamento dos talos, tornando o processo mais eficiente. No Ceará, esse intervalo coincide com um momento de menor atividade agrícola, o que amplia o impacto social do projeto.

Ao transformar resíduos em biomassa, o modelo cria uma fonte de renda complementar para pequenos produtores rurais. Essa renda adicional contribui para reduzir a vulnerabilidade econômica durante a estiagem, período historicamente associado à escassez de oportunidades no campo.

Além do ganho social, o aproveitamento da biomassa reduz a dependência de combustíveis fósseis na indústria cimenteira, ampliando a participação da energia renovável no mix energético e reduzindo a pegada de carbono da produção.

Projetos sustentáveis e economia circular com biomassa da carnaúba

O uso da biomassa da carnaúba está diretamente ligado aos princípios da economia circular. Em vez de descartar resíduos agrícolas ou permitir sua queima a céu aberto, o projeto reintegra o material à cadeia produtiva como fonte energética. Isso reduz impactos ambientais e maximiza o uso dos recursos naturais disponíveis no Nordeste.

Iniciativas desse tipo ganham relevância em um cenário de crescente exigência por práticas ESG. No Ceará, o projeto demonstra como projetos sustentáveis podem gerar valor econômico, reduzir emissões e promover desenvolvimento regional simultaneamente.

A coordenadora de Sustentabilidade e ESG da Cimento Apodi, Cybelle Borges, destaca que a produção de biomassa oferece oportunidades de renda complementar e fortalece a cadeia produtiva da carnaúba. Sua avaliação reforça que sustentabilidade e viabilidade econômica caminham juntas quando há planejamento e integração entre os atores envolvidos.

Inclusão produtiva e capacitação técnica no Nordeste

Um dos pilares do projeto está no investimento em capacitação técnica. Para garantir eficiência, segurança e qualidade na produção da biomassa, a Cimento Apodi estruturou programas de assistência técnica voltados aos produtores e trabalhadores rurais.

Os treinamentos abrangem boas práticas operacionais, organização produtiva e segurança do trabalho. Capacitar é fundamental para gerar impacto duradouro, pois eleva o nível de profissionalização da cadeia da carnaúba e reduz riscos operacionais.

No Nordeste, onde muitos pequenos produtores enfrentam dificuldades de acesso a assistência técnica, essa iniciativa contribui diretamente para a inclusão produtiva. No Ceará, fortalece a relação entre indústria e fornecedores locais, criando parcerias de longo prazo e maior previsibilidade de renda.

Biomassa da carnaúba e energia renovável na transição energética brasileira

No panorama nacional, a biomassa ocupa posição estratégica na matriz elétrica brasileira. Diferentemente de fontes intermitentes, como solar e eólica, ela é despachável, podendo gerar energia de forma contínua. Isso contribui para a segurança do sistema elétrico e complementa outras fontes de energia renovável.Play Video

A experiência da biomassa da carnaúba no Ceará evidencia como soluções regionais podem gerar impactos sistêmicos. Ao utilizar resíduos agrícolas locais, o projeto reduz custos logísticos, evita descarte inadequado de resíduos e amplia a oferta de energia limpa no Nordeste.

Além disso, a iniciativa está alinhada às metas de descarbonização e às diretrizes de sustentabilidade cada vez mais presentes no planejamento de empresas do setor industrial e energético.

Impactos econômicos regionais e fortalecimento do Ceará

Os efeitos do projeto vão além da geração de energia renovável. Ao movimentar a cadeia produtiva da carnaúba, a iniciativa pode fortalecer a economia local em municípios como Quixeré e Jaguaruana. Os recursos financeiros permanecem na região, impulsionando comércio, serviços e empregos indiretos.

Para pequenos produtores, a biomassa representa diversificação de renda e maior estabilidade econômica. Em vez de depender exclusivamente da venda da palha para a cera, eles passam a contar com uma nova fonte de receita, reduzindo riscos e aumentando a resiliência financeira.

Esse impacto regional reforça o papel dos projetos sustentáveis como instrumentos de desenvolvimento territorial no Nordeste, especialmente em áreas historicamente marcadas por desigualdades socioeconômicas.

Perspectivas para a biomassa da carnaúba no Nordeste e no Brasil

A estratégia adotada pela Cimento Apodi no Ceará revela uma visão de longo prazo baseada na integração entre inovação industrial, sustentabilidade e impacto social. A biomassa é tratada não apenas como solução energética, mas como ferramenta de transformação social.

Segundo Cybelle Borges, a meta é ampliar iniciativas que fortaleçam a economia local, respeitem o meio ambiente e contribuam para um futuro mais sustentável. Essa visão posiciona o Nordeste como protagonista da transição energética brasileira, valorizando recursos naturais regionais e cadeias produtivas tradicionais.

A possibilidade de replicar o modelo em outros estados produtores de carnaúba, como Piauí e Rio Grande do Norte, amplia o potencial de impacto da biomassa da carnaúba, consolidando-a como vetor estratégico de energia renovável, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável no Brasil.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

Receba Notícias Em Seu Celular

Quero receber notícias no whatsapp