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Cannabis medicinal avança no Brasil com novas regras da Anvisa

Anvisa atualiza a regulação da cannabis medicinal, amplia o uso medicinal e define regras para cultivo, pesquisa e produtos no Brasil.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou, nesta semana, um novo marco para a cannabis medicinal no Brasil, ao definir regras para cultivo, pesquisa e comercialização de derivados da planta.

A medida foi anunciada em Brasília, após publicação no Diário Oficial da União, e detalhada pelo diretor-presidente Leandro Pinheiro Safatle, durante entrevista ao programa CB Poder.

A decisão amplia o uso medicinal, fortalece a regulação cannabis e busca garantir segurança, qualidade e acesso a pacientes, além de estimular pesquisas científicas e reduzir custos no setor. 

Nova regulação da cannabis amplia formas de tratamento 

Com as novas regras, a Anvisa passa a permitir a comercialização de medicamentos à base de cannabis para uso bucal, sublingual e dermatológico.

Até então, apenas produtos de uso oral e inalatório podiam solicitar registro para venda no país. 

Essa ampliação representa um passo relevante para pacientes que dependem de alternativas terapêuticas específicas.

Além disso, fortalece o mercado de produtos cannabis regulados, com controle sanitário e farmacêutico mais abrangente. 

A atualização atende a uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que ordenou a criação de um marco regulatório mais claro para o tema, reforçando a segurança jurídica do setor. 

Evolução regulatória marca mudança de postura da Anvisa 

Segundo Leandro Pinheiro Safatle, o novo conjunto de normas representa um amadurecimento institucional. 

Conseguimos realizar uma evolução regulatória bastante importante para o país. O relator realizou um trabalho importante de ouvir a sociedade para trazer esse conjunto de normas coesas. Até então, tínhamos predominantemente autorizações para a importação de derivados de cannabis”, afirmou. 

Desde 2015, quando a regulação cannabis medicinal começou no Brasil, mais de 660 mil produtos foram requisitados por pacientes.

Em 2019, o país avançou ao permitir parte da produção nacional, ainda restrita às etapas finais do processo produtivo. 

Atualmente, há 49 produtos à base de cannabis disponíveis no mercado brasileiro, fornecidos por 24 empresas. Todos passam por controle de qualidade e segurança sanitária. 

Anvisa passa a regular toda a cadeia da cannabis medicinal 

Com a publicação das novas normas, a Anvisa amplia seu alcance regulatório e passa a supervisionar toda a cadeia produtiva.

Isso inclui o cultivo da planta, a pesquisa científica, o processamento do insumo e o medicamento final. 

Com as normas publicadas, é possível realizar todo o ciclo, do insumo até o medicamento acabado”, explicou Safatle. 

Além disso, a agência autorizou formalmente pesquisas conduzidas por universidades, instituições públicas e empresas privadas. 

O objetivo, segundo o presidente da Anvisa, é garantir que os produtos cannabis sejam cada vez mais baseados em evidências científicas robustas. 

Poucos medicamentos e muitos produtos em transição 

Apesar do avanço, Safatle reconhece que ainda há poucos medicamentos registrados com base em cannabis.

O motivo, segundo ele, está no tempo necessário para estudos clínicos completos, exigidos pela Anvisa. 

O que temos são muitos produtos derivados sendo comercializados. A regulamentação aprovada pela Anvisa autoriza esses produtos e concede tempo para que as pesquisas forneçam evidências para que eles evoluam até se tornarem medicamentos”, afirmou. 

Então esse modelo permite que o uso medicinal avance de forma controlada, sem comprometer a segurança dos pacientes. 

Vacatio legis e controle contra uso recreativo 

A portaria estabelece um período de vacatio legis de seis meses, permitindo que órgãos públicos e empresas se adaptem às novas exigências.

Assim, após esse prazo, os interessados poderão solicitar autorizações formais junto à Anvisa. 

Uma das principais preocupações da agência é evitar o desvio para uso recreativo.

Por isso, o processo produtivo será rigidamente controlado, com georreferenciamento, monitoramento e limites de THC. 

O foco é o atendimento medicinal e farmacêutico, inclusive, com cannabis contendo até 0,3% de THC”, reforçou Safatle. 

Possível acesso pelo SUS e redução de preços 

Assim, além da Anvisa, os ministérios da Agricultura, da Fazenda e da Saúde participam do processo regulatório.

Segundo Safatle, há possibilidade futura de incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS)

Assim, após a aprovação sanitária, os produtos ainda passam por análise de preço e pela Conitec, responsável por avaliar a inclusão de novas tecnologias no sistema público. 

Então estudos citados pela Anvisa indicam que a nova regulação cannabis pode reduzir preços em até 60%, além de diminuir custos de pesquisa.

Um ambiente experimental, conhecido como sandbox regulatório, permitirá testes em pequena escala por até cinco anos. 

Assim, a cannabis medicinal avança no Brasil como política de saúde, inovação científica e desenvolvimento econômico, sob regras mais claras e fiscalização rigorosa. 

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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