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Que fenômeno é esse? Com preços de cair o queixo, caminhonetes “quadradas” chegam a valer mais que picapes novas e até são exportadas para fora do país

Que fenômeno é esse? Com preços de cair o queixo, caminhonetes “quadradas” chegam a valer mais que picapes novas e até são exportadas para fora do paísFord F-1000 e D20 simbolizam status, escassez e paixão, enquanto mercado global impulsiona restauração, personalização e exportação dessas lendas quadradas do campo brasileiro.

O barulho dos motores ainda ecoa, mas o significado mudou. Nas fazendas brasileiras, algumas caminhonetes deixaram de ser apenas instrumentos de trabalho para ocupar um espaço semelhante ao de ativos financeiros.

Em um cenário onde o agronegócio convive diariamente com a volatilidade dos preços e incertezas de mercado, um tipo específico de veículo vem chamando atenção por apresentar uma valorização constante e surpreendente: as caminhonetes antigas de linhas retas, conhecidas popularmente como “quadradas”.

O que antes cruzava estradas de terra carregando insumos e gado, hoje repousa em garagens como se fossem peças de museu.

Em estado de coleção, certos exemplares já ultrapassam o valor de mercado de uma Toyota Hilux 2020, revelando que o apego a essas máquinas vai muito além da nostalgia.

Caminhonetes que viraram patrimônio

A transformação dessas picapes em objetos de desejo está diretamente ligada à sua escassez. Com o passar dos anos, encontrar unidades originais e bem conservadas tornou-se cada vez mais difícil.

Esse fator, aliado à crescente procura, fez os preços dispararem.

Segundo dados do mercado de usados e de leilões especializados, como o Portal Autos e Motos, exemplares impecáveis podem ser negociados entre R$ 150 mil e R$ 250 mil, variando conforme originalidade e conservação.

São valores que colocam essas caminhonetes em patamar semelhante ao de investimentos tradicionais.

O reinado da F-1000 e da D20

Dentro desse universo, dois modelos dominam o topo da preferência: Ford F-1000 e Chevrolet D20. Ambas conquistaram fama de praticamente indestrutíveis, algo decisivo para sua reputação.

A F-1000 equipada com o motor MWM 229 e a D20 com motor Perkins, e posteriormente Maxion S4T, ficaram conhecidas como “inquebráveis”.

Em uma época sem eletrônica embarcada, qualquer mecânico conseguia realizar reparos simples, mesmo em locais remotos.

Status que atravessa gerações

Nos anos 80 e 90, possuir uma dessas caminhonetes era sinônimo de sucesso no campo. A F-1000 era vista como mais confortável para uso urbano, enquanto a D20 carregava o título de “guerreira”, soberana no barro e no transporte pesado.

Em 1990, a chegada da Ford F-1000 Turbo marcou época ao oferecer 119 cv e torque de 37 kgfm, permitindo desempenho próximo ao de carros de passeio, algo revolucionário para um utilitário de carga.

Restomod e personalização de caminhonetes

O movimento atual também é impulsionado pelo conceito de Restomod, que une restauração e modificação.

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Jovens herdeiros do agronegócio investem quantias elevadas para modernizar as caminhonetes sem perder o visual quadrado.

Uma D20 de 1994 pode surgir com interior em couro premium, isolamento acústico moderno e sistemas de som de alta fidelidade, mantendo intacta sua identidade clássica.

Demanda além das fronteiras

Plataformas de leilões e especialistas como o Portal Autos e Motos e o caçador de raridades Reginaldo de Campinas confirmam que há interesse internacional.

Algumas unidades brasileiras são exportadas para colecionadores que buscam exatamente a configuração nacional.

Seja pela confiabilidade do diesel mecânico, seja pela memória afetiva, essas caminhonetes passaram de ferramentas de trabalho a símbolos de uma era que continua viva, mesmo décadas depois de seu auge.

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