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O lugar mais antigo da Terra: montanha brasileira de 2.810 metros de altitude e 2 bilhões de anos onde se pisa em três países acima das nuvens

No extremo norte do Brasil, uma fortaleza de pedra com 2.810 metros de altitude guarda cristais de quartzo, sapos que não pulam e plantas carnívoras que só existem ali. O Monte Roraima é um tepui na tríplice fronteira entre BrasilVenezuela e Guiana, e chegar ao seu topo exige dias de caminhada por savanas e rios.

O que é um tepui e por que o Roraima é tão antigo?

Tepui significa “casa dos deuses” na língua do povo Pemon. São montanhas em formato de mesa, remanescentes do período Pré-Cambriano, formadas entre 1,7 e 2 bilhões de anos atrás. A erosão ao longo de centenas de milhões de anos isolou blocos de arenito e quartzito, criando platôs cercados por paredões verticais de até mil metros.

O Roraima é o mais famoso deles. Seu topo plano de aproximadamente 31 km² funciona como uma ilha biológica. O isolamento permitiu que espécies evoluíssem de forma independente: o sapinho preto Oreophrynella quelchii, que não salta, e diversas plantas carnívoras adaptadas ao solo pobre em nutrientes existem apenas aqui. O platô inspirou Arthur Conan Doyle a escrever O Mundo Perdido em 1912 e a Pixar a criar cenários de Up: Altas Aventuras.

Monte Roraima brilha como o Mundo Perdido e o sentinela milenar da tríplice fronteira // Créditos: depositphotos.com / sunsinger

O que espera o trekker no topo do mundo perdido?

O platô é um labirinto de rochas negras esculpidas pelo vento, cobertas por líquens e cortadas por riachos gelados. As atrações principais exigem dias de exploração com guia.

  • Vale dos Cristais: extensão coberta por cristais de quartzo branco que brilham sob o sol. É proibido retirar qualquer pedra.
  • Jacuzzis: piscinas naturais de águas geladas e cristalinas, com fundo forrado de cristais e algas douradas. O banho é revigorante após horas de caminhada.
  • Marco da Tríplice Fronteira: pirâmide que sinaliza o encontro exato das fronteiras de Brasil, Venezuela e Guiana a 2.734 metros. Em 2025, o ICMBio instalou a primeira placa informativa do Parque Nacional no local.
  • Maverick: o ponto culminante do tepui, a 2.810 metros, batizado pela semelhança com o carro da Ford. Vista de 360 graus sobre a Gran Sabana.
  • La Ventana: abertura na rocha que emoldura o tepui vizinho Kukenán, com abismo vertiginoso.
  • El Foso: cratera com água no interior, onde os mais corajosos se arriscam em um mergulho gelado.
Monte Roraima é o santuário onde a vida evoluiu isolada no topo das nuvens // Créditos: depositphotos.com / sunsinger

Como funciona a expedição de trekking?

O acesso ao platô é feito exclusivamente pelo lado venezuelano. A rota parte de Santa Elena de Uairén, segue de veículo 4×4 até a comunidade indígena de Paraitepuy e continua a pé. São cerca de 90 km de caminhada (ida e volta), distribuídos em 6 a 8 dias. A contratação de guias e carregadores da etnia Pemon é obrigatória.

Os acampamentos ficam em abrigos naturais sob rochas, chamados de “hotéis”. A Gruta do Quati, no lado brasileiro, é o principal ponto de pernoite no topo. A subida mais íngreme acontece na “rampa”, uma fenda natural na parede vertical que funciona como escada para o platô. Todo o lixo deve ser retirado da montanha.

Monte Roraima encanta com o Vale dos Cristais e as águas gélidas das Jacuzzis // Créditos: depositphotos.com / sunsinger

Território sagrado e área protegida

Para os povos PemonIngarikó e Macuxi, o Roraima é a “Casa de Makunaima”, herói criador dos índios caribes. A lenda conta que a montanha surgiu do tronco da árvore da vida, derrubada por Makunaima para alimentar seus irmãos.

No lado brasileiro, o Parque Nacional do Monte Roraima protege 116.747 hectares desde 1989. A gestão é compartilhada entre ICMBioFunai e a comunidade Ingarikó. Na Venezuela, o monte faz parte do Parque Nacional Canaima, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Quem busca se encantar com um dos lugares mais sagrados e antigos do planeta, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 240 mil inscritos, onde Bruno e Paula mostram uma expedição épica pelo Monte Roraima:

Quando ir ao Monte Roraima?

O clima no topo é imprevisível. Pode chover, fazer sol e fechar de neblina no mesmo dia. A temperatura cai drasticamente à noite, podendo chegar perto de 0°C mesmo na linha do Equador.

PeríodoMesesTemperatura (topo)ChuvaCondições
SecaDez-Mar2-20°CMenor volumeMelhor visibilidade, rios mais rasos, época mais procurada
TransiçãoAbr-Mai / Out-Nov2-18°CModeradaMenos trilheiros, paisagem verde, rios em nível médio
ChuvasJun-Set0-15°CAltaCachoeiras intensas, trilhas escorregadias, rios caudalosos

Temperaturas aproximadas para o platô (2.700-2.810 m). Na base, o clima é tropical, entre 24-26°C. Consulte o Climatempo para a região de Pacaraima.

Como chegar ao início da trilha?

De Boa Vista, capital de Roraima, são cerca de 215 km pela BR-174 até Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Após cruzar a fronteira, segue-se até Santa Elena de Uairén (13 km). De lá, veículos 4×4 credenciados levam até Paraitepuy em cerca de 2 horas por estrada de terra. É obrigatório apresentar passaporte ou RG em bom estado e comprovante de vacinação contra febre amarela.

Monte Roraima une a mística de rochas pré-cambrianas à energia dos cristais //Créditos: depositphotos.com / MaRabelo

Uma expedição que muda a escala de tudo

O Monte Roraima não é um passeio de fim de semana. É uma jornada de dias por uma das formações mais antigas da Terra, onde cada passo revela algo que não existe em nenhum outro lugar do planeta. A recompensa está nos cristais sob os pés, no silêncio acima das nuvens e na certeza de ter pisado onde três países se encontram.

Você precisa encarar a trilha até o topo do Roraima e descobrir por que essa montanha de pedra e névoa inspira livros, filmes e quem a visita há mais de um século.

FONTE: BMC NEWS

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