Por [Anderson Francisco], Artista e Escritor Local
Estamos encerrando mais um ciclo e a pergunta que ecoa nos corredores da Fazenda Paraopeba e nas calçadas da Rua Direita é a mesma: o movimento cultural em Conselheiro Lafaiete finalmente amadureceu ou continua patinando nas mesmas intrigas de outrora?
Como alguém que, após um longo hiato, decidiu retomar a carreira artística e literária este ano, trago uma visão que navega entre o frescor do recomeço e a indignação com vícios antigos que persistem no nosso meio. A realidade é dura, mas precisa ser dita: o movimento cultural em nosso município só conhecerá a verdadeira evolução quando aprendermos a lição básica do respeito mútuo. Chega de boicotes.
É inadmissível que, em pleno 2025, ainda presenciemos a prática tacanha de “artistas” que, por insegurança ou ego, desestimulam o público e novos aspirantes a comparecerem a eventos alheios. Isso não é estratégia, isso é autossabotagem. Quem age dessa forma não está apenas atrapalhando o colega, está corroendo a base de um ecossistema que deveria acolher a todos. A cultura não se faz no isolamento. Agir como um “agente de afastamento” é um desserviço à sociedade a que pertencemos.
Outro ponto que desgasta a credibilidade do setor é o crônico desrespeito aos horários. É um desrespeito com o público, com os técnicos e com a própria arte. Insistir nesse erro é assinar um atestado de amadorismo que nossa cidade não merece.
O Respiro de Esperança: A Proposta do Lafayarte
No meio desse cenário nebuloso, permito-me destacar uma tarde que me trouxe clareza: sábado, 12 de julho de 2025. Foi quando entendi a verdadeira essência do movimento Lafayarte. A proposta ali apresentada não era apenas sobre agendar reuniões às segundas-feiras, como alguns parecem ter entendido de forma reducionista.
O Lafayarte, em sua gênese, busca a união e o respeito sagrado entre todos os grupos, independentemente do nicho. A cultura é um direito constitucional, não um clube privado. O objetivo do movimento é formar um braço cultural sólido, composto por apoiadores reais, que incentivem o outro a prosseguir, gerando novas ideias e soluções visíveis. É sobre transformação cultural, não sobre manutenção de egos.
O Desafio do Agora
Infelizmente, ainda vejo sombras do passado. Setores e entidades culturais na cidade ainda nutrem desafetos e picuinhas que impedem o avanço coletivo. Enquanto olharmos para o colega de palco ou de escrita como um rival a ser abatido, e não como um aliado na construção de uma identidade local forte, continuaremos pequenos.
Desejo que, ao olharmos para o que construímos (ou deixamos de construir) em 2025, possamos ter a coragem de mudar o rumo. Lafaiete tem talento de sobra. Falta-nos, urgentemente, a grandeza da união.
[Anderson Francisco/Editor- Chefe do Jornal Francishkine Literário/ Cultural]




