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Sedã que virou “carro de aplicativo” e foi subestimado no Brasil agora lidera mercado fazendo até 18,9 km/l com motor 1.0

Liderança de vendas recoloca sedã no centro do mercado europeu, enquanto o modelo deixa o Brasil após anos associado ao transporte por aplicativo e frotas. Consumo eficiente, mecânica simples e proposta racional explicam por que o Logan continua dominante em seu país de origem.

O Logan voltou ao centro do mercado romeno em 2025 e terminou o ano como carro mais vendido do país de origem da Dacia, reforçando uma trajetória que contrasta com a imagem construída no Brasil.

Enquanto por aqui o sedã ficou associado ao uso profissional e perdeu espaço com a migração do consumidor para SUVs e hatches, na Romênia ele segue relevante por combinar preço mais acessível, espaço interno amplo e custo de uso competitivo.

Logan lidera vendas na Romênia

Os dados consolidados do mercado romeno mostram que o Dacia Logan fechou 2025 na primeira colocação entre os automóveis mais vendidos, mantendo uma sequência histórica de liderança no país.

O levantamento do BestSellingCarsBlog aponta que o modelo garantiu o 21º título anual consecutivo na Romênia, ainda que tenha dividido o protagonismo mensal com o Duster ao longo do ano.

Esse desempenho ajuda a explicar por que o sedã segue vivo em mercados onde o comprador olha primeiro para a conta do mês, para a capacidade do porta-malas e para a robustez mecânica.

Dacia Logan lidera vendas na Romênia em 2025 com motor ECO-G 100, consumo de até 18,9 km/l no WLTP e desempenho eficiente.
Dacia Logan lidera vendas na Romênia em 2025 com motor ECO-G 100, consumo de até 18,9 km/l no WLTP e desempenho eficiente.

Em vez de disputar prestígio, o Logan ocupa uma faixa em que o automóvel precisa servir à família e ao trabalho sem elevar demais o custo por quilômetro, lógica que continua forte em parte do Leste Europeu.

Fim da trajetória no mercado brasileiro

No Brasil, a história foi diferente. A Renault confirmou em outubro de 2024 o fim da produção do Logan em São José dos Pinhais, encerrando uma trajetória de 17 anos no mercado nacional.

A marca informou à revista Quatro Rodas que as últimas unidades seguiram em comercialização na rede, num contexto em que os sedãs compactos já vinham perdendo tração diante do avanço dos utilitários esportivos e da mudança de preferência do consumidor.

Espaço interno e proposta racional explicam sucesso

A permanência do Logan em evidência na Europa não está ligada a luxo nem a proposta aspiracional.

O carro foi concebido para entregar o essencial de forma racional, com cabine espaçosa, porta-malas generoso e mecânica conhecida do grupo Renault.

Nas fichas técnicas da Dacia, o modelo mantém 528 litros de porta-malas pelo padrão VDA, número que ajuda a explicar sua utilidade em mercados onde um único carro precisa cumprir funções variadas no cotidiano.

Além do espaço, a motorização ECO-G 100 concentra boa parte do interesse porque combina gasolina e GLP em um sistema bi-fuel.

Essa configuração amplia a autonomia total do veículo e conversa diretamente com países onde a rede de abastecimento de LPG é disseminada e o combustível costuma oferecer vantagem de custo operacional.

A proposta não é entregar esportividade, mas reduzir gasto recorrente sem exigir a infraestrutura mais complexa de um elétrico.

Motor ECO-G 100 e desempenho do sedã

No material técnico da Dacia para o Logan, a versão ECO-G 100 aparece com transmissão manual e desempenho compatível com um sedã compacto voltado ao uso diário.

Dacia Logan lidera vendas na Romênia em 2025 com motor ECO-G 100, consumo de até 18,9 km/l no WLTP e desempenho eficiente.
Dacia Logan lidera vendas na Romênia em 2025 com motor ECO-G 100, consumo de até 18,9 km/l no WLTP e desempenho eficiente.

Em catálogo recente da marca em Portugal, a aceleração de 0 a 100 km/h em 11,6 segundos e a velocidade máxima de 180 km/h aparecem entre os dados oficiais do conjunto.

Já na documentação técnica da gama, o  motor é identificado como ECO-G 100, nomenclatura usada pela fabricante para essa configuração bicombustível a gasolina e GLP.

Consumo no ciclo WLTP chama atenção

A economia de combustível é um dos pontos que mais chamam atenção, mas a leitura correta depende do combustível usado na homologação.

Em especificações técnicas da Dacia para a linha Logan, o ECO-G 100 registra no ciclo WLTP consumo combinado de 5,3 l/100 km com gasolina, o que equivale a cerca de 18,9 km/l na conversão utilizada no Brasil.

No mesmo documento, porém, o consumo em GLP aparece em faixa de 6,5 a 6,6 l/100 km, portanto acima desse número quando convertido literalmente.

Em catálogo mais recente do mercado português, a Dacia informa para o Logan ECO-G 100 consumo combinado entre 4,8 e 4,9 l/100 km na gasolina e 6,5 l/100 km no GPL, com variação segundo versão e homologação.

Isso mostra que o uso do dado de 18,9 km/l precisa ser tratado como referência de ciclo padronizado e associado à medição em gasolina.

Ainda assim, os números reforçam a vocação do sedã para quem prioriza previsibilidade de gasto e rodagem frequente.

Também há uma nuance na potência divulgada.

A documentação da Dacia trabalha com a designação comercial ECO-G 100, enquanto algumas bases e conversões em mercados lusófonos arredondam a potência para 101 cv ao converter 100 hp para cavalo-vapor métrico.

Na prática, trata-se da mesma família mecânica, e a diferença costuma nascer do padrão de medição adotado e da forma como cada publicação expressa a equivalência.

Reputação diferente entre Europa e Brasil

Vídeo do YouTube

A imagem do Logan no Brasil acabou contaminada por fatores que vão além da ficha técnica.

O sedã se tornou presença frequente em frotas, táxis e, mais tarde, no transporte por aplicativo, o que consolidou uma percepção de carro estritamente racional.

Esse tipo de associação pesa no mercado local porque parte do público compra também por desejo, design e status de carroceria.

Nesse cenário, os SUVs compactos passaram a concentrar grande parte da atenção do consumidor.

Isso não elimina os atributos que sustentaram a carreira do modelo por tantos anos.

Ao contrário, a forte presença em uso profissional sempre funcionou como indicativo de robustez, espaço interno e manutenção previsível.

Na Romênia, onde a equação de compra continua mais orientada por custo total e funcionalidade, essas características permanecem no centro da decisão.

Por isso, mesmo longe do brilho comercial de outros segmentos, o Logan segue competitivo e mantém relevância no mercado onde nasceu.

A distância entre reputação e desempenho comercial fica evidente quando um modelo tratado como simples em um mercado consegue liderar com folga em outro sem mudar sua essência.

No caso do Logan, o que pesou no país de origem não foi imagem aspiracional, e sim a combinação objetiva de preço acessível, espaço interno, autonomia ampliada e mecânica de baixo custo de manutenção.

Fonte: Click Petroleo e Gas

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