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MPMG deflagra operação Triângulo dos Barris para desarticular esquema interestadual de golpes na venda de chopeiras pela internet

Apurações indicaram que o fornecedor era inexistente, o produto nunca era enviado e o dinheiro das vítimas desaparecia

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e da 3ª Promotora de Justiça de Ituiutaba, deflagrou na manhã desta quinta-feira, 19 de março, a Operação Triângulo dos Barris. A ação tem como objetivo desarticular um esquema interestadual de estelionato digital especializado na venda fraudulenta de chopeiras e barris de chope pela internet.

A operação foi coordenada pelo Gaeciber e contou com apoio para cumprimento das medidas da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o CyberGaeco do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Militar do Mato Grosso (PMMT).

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Durante a manhã de hoje, as equipes do Geciber e dos demais órgãos apoiadores cumpriram mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados a dois suspeitos de integrarem e operacionalizarem a fraude. As ordens judiciais foram cumpridas simultaneamente nos municípios de São Paulo/SP e Sorriso/MT.

Os dispositivos eletrônicos apreendidos – três celulares, um notebook, um tablet – , além de documentos, serão periciados pelo Gaeciber, com autorização judicial para quebra de sigilo de dados telemáticos. O objetivo é mapear a extensão total do dano causado aos consumidores, rastrear o caminho do dinheiro desviado e instruir a futura ação penal contra os suspeitos.

Em continuidade às diligências, um dos alvos foi abordado em seu veículo, trazendo consigo, sem autorização, duas pepitas e uma aliança de ouro. Ele foi capturado e conduzido em flagrante por crime de usurpação de matéria prima pertencente à União (art. 2°, par 1° da Lei Fed. nº 8.176/91). As pepitas e o anel foram apreendidos, além de outros dois celulares, cujo conteúdo será extraído e analisado. O veículo foi removido por licenciamento atrasado.

Dinâmica do golpe e nome da operação
As investigações revelaram que os suspeitos utilizavam a internet, em plataformas como Instagram e Facebook, para anunciar chopeiras e barris de chope a preços atrativos, simulando a comercialização dos produtos. Para dar aparência de legalidade à demora ou à falta de entrega, a quadrilha simulava a modalidade de venda denominada dropshipping, modelo de varejo em que o vendedor não mantém os produtos em estoque, atuando apenas como intermediário entre o consumidor e o fornecedor. No entanto, no caso investigado, as apurações indicam que o fornecedor era inexistente. O produto nunca era enviado e o dinheiro das vítimas desaparecia.

 Segundo o Gaeciber, os crimes investigados seriam com a utilização da empresa IKEG.

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O nome da operação, Triângulo dos Barris, faz alusão à triangulação logística fictícia criada pelos golpistas (Consumidor – Vendedor – Fornecedor Fantasma), aos três estados nos quais o crime era praticado – MG, SP e MT – e ao “Triângulo das Bermudas”, em alusão ao desaparecimento dos produtos comprados, que não eram entregues, e dos valores pagos pelas vítimas.

Vítimas
Ao longo de aproximadamente três anos, a empresa investigada acumulou quase 50 mil reclamações em sites especializados, indicando um amplo alcance nacional e milhares de vítimas lesadas. Apenas no estado de Minas Gerais, foram registrados 61 boletins de ocorrência de estelionato vinculados à empresa dos investigados.

Como denunciar
Novas vítimas da empresa investigada podem entrar em contato com o Ministério Público por meio da Ouvidoria do MPMG, que encaminhará o caso ao Gaeciber. É fundamental apresentar documentos que comprovem o crime, especialmente comprovantes bancários de pagamento em favor da empresa investigada, boletim de ocorrência registrado sobre os fatos, além de cópia de documento pessoal da vítima.

Dicas de prevenção contra golpes na internet

Para evitar ser vítima de falsas vendas online, siga as orientações abaixo.
– Desconfie de preços muito abaixo do mercado: ofertas excessivamente vantajosas podem ser iscas para golpes.
– Verifique a reputação da loja: consulte sites de reclamação de consumidores antes de comprar.
– Atenção aos canais de atendimento: empresas legítimas geralmente oferecem múltiplos canais de contato (telefone, e-mail, chat online), e não apenas formulários automáticos ou redes sociais.
– Analise as redes sociais da empresa: observe comentários, tempo de existência da página e se há interação real com os clientes.
– Cuidado com pagamentos via PIX ou boleto: golpistas frequentemente preferem métodos que dificultam o estorno. Sempre que possível, utilize métodos que permitam o rastreamento do dinheiro e confira os dados do recebedor antes de confirmar a transação.

FONTE: MPMG

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