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Regiões brasileiras vão sofrer com o calor: primeira onda de 2026 eleva temperaturas a até 38°C por 5 dias seguidos, impulsionada por bolha de calor entre Paraguai e Argentina que bloqueia frentes frias e intensifica o ar seco.

Calor extremo avança sobre o Sul e Mato Grosso do Sul com temperaturas muito acima da média, impulsionado por bloqueio atmosférico que mantém ar seco e impede frentes frias, criando sequência de dias quentes e persistentes no fim de março.

A primeira onda de calor de 2026 avança sobre parte do Sul do Brasil e do Mato Grosso do Sul e deve manter temperaturas muito acima da média entre este fim de semana e o início de abril. A previsão aponta máximas de 35°C a 38°C nas áreas mais afetadas, com atuação mais intensa entre sábado, 28 de março, e quarta-feira, 1º de abril, sobretudo nas faixas mais próximas da fronteira com Paraguai e Argentina.

O padrão meteorológico por trás desse cenário envolve uma bolha de calor instalada entre o Paraguai e o norte da Argentina, associada à atuação de um sistema de alta pressão. Esse bloqueio atmosférico reduz a formação de nuvens, aumenta a incidência de radiação solar e favorece a permanência de ar quente e seco sobre parte do Centro-Sul do país por vários dias consecutivos.

Onde o calor será mais intenso no Sul do Brasil

No mapa da previsão, o impacto mais expressivo se concentra no Rio Grande do Sul, em especial nas Missões, na Campanha, na Fronteira Oeste, em áreas centrais e também nas porções Norte e Noroeste do estado. Em Santa Catarina, o calor mais intenso deve se concentrar no oeste catarinense, enquanto no Paraná a tendência é de temperaturas mais elevadas no sul e no oeste. No Mato Grosso do Sul, o avanço do ar quente deve atingir principalmente o sul e o oeste do estado, inclusive áreas próximas ao Pantanal.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a elevação das temperaturas também se estende gradualmente para outros pontos da Região Sul e para o território sul-mato-grossense, com desvios que podem chegar a cerca de 7°C acima da média em parte da área atingida.

Temperaturas elevadas e sequência de dias quentes

Nas áreas sob influência direta da massa de ar quente, a previsão é de tardes seguidas com calor forte e sensação de abafamento. Os maiores valores devem aparecer em municípios do oeste gaúcho, do oeste catarinense, do oeste e sul paranaense e do sul e oeste de Mato Grosso do Sul, onde os termômetros podem registrar marcas pontualmente superiores às médias previstas para o período.

O Inmet informa que esse episódio de calor começou a ganhar força entre 27 e 30 de março, com manutenção de estabilidade atmosférica sobretudo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Já a projeção indica persistência da onda de calor até pelo menos 1º de abril, o que sustenta uma sequência de dias anormalmente quentes nas áreas mais a oeste da Região Sul e em Mato Grosso do Sul. Esse comportamento atende ao critério usado para caracterizar uma onda de calor, com temperaturas acima do padrão climatológico por vários dias seguidos. Em parte do Sul, houve aviso de grande perigo para calor excessivo, associado ao risco à saúde quando as máximas permanecem persistentemente elevadas e o resfriamento noturno é limitado.

Por que outras regiões não terão o mesmo calor

Embora o calor se intensifique no oeste do Sul e em Mato Grosso do Sul, o restante do Centro-Sul brasileiro não apresenta o mesmo comportamento térmico. Em várias áreas do Sudeste e também em setores do Sul, a presença de instabilidades, pancadas de chuva e maior nebulosidade ajuda a conter a elevação mais acentuada das temperaturas, reduzindo o alcance da massa de ar quente fora do núcleo principal do fenômeno. Esse contraste faz com que o episódio tenha distribuição desigual. Enquanto cidades situadas mais perto da fronteira com Paraguai e Argentina enfrentam tardes secas, ensolaradas e com forte aquecimento, outras regiões seguem sob influência de chuva irregular e de céu encoberto em parte do dia, o que ameniza o avanço do calor.

O bloqueio atmosférico por trás da onda de calor

A manutenção da bolha de calor sobre países vizinhos é um dos elementos que explicam a duração do evento. Quando o sistema de alta pressão se estabelece nessa faixa do continente, ele dificulta o avanço mais organizado de frentes frias sobre o interior do Sul do Brasil e impede uma renovação mais eficiente do ar, prolongando o domínio da massa quente. Além disso, a combinação entre céu mais aberto, menor cobertura de nuvens e ar relativamente seco favorece o aquecimento rápido ao longo da tarde. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o calor mais intenso se concentra no interior dos estados e em áreas continentais, longe da influência marítima e mais expostas ao bloqueio atmosférico.

Previsão do tempo até o início de abril

A tendência indicada pelos serviços meteorológicos é de manutenção do calor forte nas áreas mais afetadas ao menos até quarta-feira, 1º de abril. No Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em Mato Grosso do Sul, a condição mais crítica segue concentrada no interior e no oeste, onde a sequência de dias quentes deve ser mais persistente e mais abrangente. Ainda que haja variações locais de temperatura, a previsão converge para um episódio relevante de calor no fim de março, com impactos mais evidentes nas regiões já destacadas pelos meteorologistas. Fora desse corredor mais aquecido, a chuva e a nebulosidade continuam atuando como freio parcial à alta das temperaturas, mantendo um contraste importante no mapa do tempo do Centro-Sul do país.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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