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Sem asfalto, com charretes e travessia de barco: o vilarejo de 2 mil moradores cercado pelas maiores salinas do Brasil Vilarejo sem asfalto com 2 mil habitantes e as maiores salinas do país

Galinhos preserva o charme autêntico de uma península de pescadores com ruas de areia e sem carros // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

A 160 km de Natal, Galinhos só pode ser acessada por uma travessia de dez minutos pelo Rio Aratuá. Do outro lado, as ruas são de areia e as charretes fazem o papel de táxi entre dunas brancas e montanhas de sal.

A península que nasceu dos peixes-galo

O nome do povoado surgiu nos cais do litoral potiguar, quando os pescadores apelidaram de galinhos os peixes-galo pequenos que abundavam nos recifes da região. O distrito foi criado em 1958, subordinado a São Bento do Norte, e só conquistou autonomia política em 28 de abril de 1963, com a Lei Estadual 2.838.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 2.104 habitantes em 340 km², distribuídos entre o vilarejo principal, o distrito de Galos e um pequeno assentamento. A densidade demográfica é de apenas 6,17 pessoas por km², uma das menores do Rio Grande do Norte.

Galinhos mantém viva a calmaria do sertão que se encontra com o mar em uma atmosfera única // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O isolamento que virou patrimônio do litoral potiguar

Veículos comuns não chegam ao centro do vilarejo. É preciso deixar o carro no Porto de Pratagil, na RN-402, e cruzar dez minutos de água em embarcações que partem ao longo do dia. A travessia funciona 24 horas, com saídas regulares de hora em hora durante o dia.

O município integra o Polo Costa Branca, rota oficial de turismo da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte (SETUR-RN) ao lado de Macau e Areia Branca. O Rio Grande do Norte responde por cerca de 95% de todo o sal marinho produzido no Brasil, e as salinas de Galinhos formam pirâmides brancas monumentais que se misturam às dunas no horizonte.

Galinhos encanta visitantes com suas paisagens isoladas de dunas, salinas e manguezais no litoral potiguar // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que fazer entre dunas, salinas e mangues?

A península reúne atrações que combinam mar, rio e cenários quase desérticos em distâncias curtas. Cada passeio segue a tábua de marés e o ritmo das charretes. Veja os destaques:

  • Farol de Galinhos: torre cilíndrica de 13 metros pertencente à Marinha do Brasil. Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, foi erguida em 1931 e é o oitavo farol construído no estado, com alcance luminoso de 14 milhas náuticas.
  • Passeio de barco pelo Rio Aratuá: navegação pelos mangues e gamboas com paradas para banho, oferecida por barqueiros locais e jangadeiros como o conhecido Junior Tubarão.
  • Dunas do André e do Capim: formações de areia branca com vista panorâmica da península, acessíveis por barco ou caminhada pela praia.
  • Vilarejo de Galos: distrito de 500 habitantes em uma faixa de areia entre o oceano e o braço de mar, ponto clássico do bate-volta gastronômico.
  • Passeio de charrete pelo centro: forma tradicional de circular entre as ruas de areia fofa, com tarifa combinada com o condutor.

A cozinha local é dominada pelos frutos do mar pescados na própria península, com destaque para a culinária artesanal das pousadas. Os pratos típicos chegam preparados na hora, muitas vezes a partir do que foi colhido durante o passeio.

  • Ostras frescas: coletadas nas gamboas durante os passeios gastronômicos e servidas com limão e pimenta direto no barco.
  • Ceviche de tilápia: preparação fria e cítrica, comum nos tours náuticos com almoço incluso.
  • Camarão na chapa: tradicional dos bares à beira-mar como o Nativus Bar, com preço justo e atendimento simples.
  • Peixada potiguar: caldo encorpado com pescados do dia, leite de coco e legumes, servido em panela de barro.

Qual a melhor época para visitar Galinhos?

O clima é semiárido litorâneo, com temperaturas estáveis e ventos fortes o ano inteiro. A baixa pluviosidade é justamente o que viabiliza a cristalização do sal nas salinas.

Como chegar a Galinhos?

A viagem começa em Natal, no Aeroporto Internacional Aluízio Alves. O trajeto até o Porto de Pratagil segue pela BR-406 e pela RN-402 e dura cerca de 2h30. De lá, todos os carros ficam no estacionamento e a travessia até a península é feita exclusivamente por barco, em uma viagem de aproximadamente 10 minutos pelo Rio Aratuá. Quem vem de Fortaleza percorre cerca de 410 km até o píer. Mais informações sobre o destino estão disponíveis no portal da Empresa Potiguar de Promoção Turística (EMPROTUR).

Galinhos atrai viajantes que buscam tranquilidade e um refúgio rústico acessível apenas de barco ou veículo 4×4 // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Conheça o paraíso que parou no tempo no litoral potiguar

A península reúne em poucos quilômetros quadrados praias desertas, dunas que mudam de forma com o vento, salinas que abastecem o país inteiro e uma comunidade que ainda se locomove de charrete. Poucos destinos brasileiros conseguiram preservar tanto cenário e tanta cultura em escala tão pequena.

Você precisa atravessar o Rio Aratuá e conhecer Galinhos, o vilarejo onde o relógio bate no ritmo das marés.

Fonte: O Antagonista

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