A Secretaria Adjunta de Governo da Prefeitura de Congonhas formalizou, a 21 de maio de 2026, a entrega da resposta oficial do Hospital Bom Jesus (HBJ) a um requerimento da Câmara Municipal (n.º 123/2026). O ofício, que detalha a assistência prestada a um paciente pediátrico e a situação contratual da unidade, revela um hospital sob pressão, confrontado com a necessidade de explicar um óbito e de gerir um conflito severo com a empresa responsável pelos seus plantões médicos.
Sindicância sobre óbito sob sigilo
O documento oficial aborda o óbito do paciente B.H.S.A., ocorrido a 6 de abril de 2026. O Hospital Bom Jesus confirmou a instauração da sindicância interna n.º 01/2026, conduzida por uma equipa multidisciplinar designada como “neutra” — composta por profissionais que não participaram diretamente na assistência ao menor. A unidade afirma ter avaliado todos os registos e desenvolvido um plano de ações corretivas que se encontra, atualmente, em fase de execução.
No entanto, a transparência total foi limitada. A administração do hospital recusou o envio da cópia integral da sindicância, invocando princípios éticos e a necessidade de proteção de dados pessoais e sensíveis, citando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e normas do Conselho Federal de Medicina. Em contrapartida, o hospital colocou-se à disposição para apresentar o documento na íntegra aos vereadores, desde que a consulta seja feita de forma presencial.
Crise contratual com a 4ID Médicos Associados
O ofício expõe uma relação administrativa em rutura entre o hospital e a empresa terceirizada 4ID. Segundo a documentação, foram enviadas três notificações extrajudiciais à empresa apenas no mês de janeiro de 2026 (dias 07, 15 e 28), motivadas por incumprimentos reiterados:
- Falhas nas escalas: A empresa não garantiu a cobertura de plantões essenciais em especialidades como obstetrícia, anestesia, ortopedia, ginecologia e CTI. A situação atingiu um ponto crítico que obrigou a Direção Técnica do hospital a intervir diretamente para assegurar o funcionamento da assistência.
- Inadimplência grave: O HBJ denunciou que a 4ID acumulou quatro meses de dívidas referentes ao pagamento das refeições dos prestadores de serviço, totalizando um valor de 25.935,00 reais. O hospital notificou a empresa com um ultimato: caso a dívida não fosse regularizada, o fornecimento de alimentação aos profissionais seria suspenso.
Protocolos e Regularidade
Para sustentar a sua capacidade técnica, o hospital anexou ao ofício diversos protocolos clínicos pediátricos em vigor, abrangendo o tratamento de condições como sífilis congénita, traumatismo cranioencefálico, icterícia e pneumonia. Além disso, apresentou certidões que comprovam a sua regularidade junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), à Vigilância Sanitária Municipal e ao CRM-MG, reiterando que a Direção Técnica permanece sob a responsabilidade do Dr. Bruno Soares de Melo Polcaro.
Os documentos estão agora sob a alçada da Câmara Municipal, que deverá avaliar se os esclarecimentos prestados pelo Hospital Bom Jesus são suficientes para tranquilizar a população e se as medidas punitivas contra a empresa 4ID foram adequadas para garantir a segurança dos pacientes na unidade.



