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Aos poucos, uma mudança de consciência parece ganhar espaço em Lafaiete.

Em um país onde muitos consideram que já existem festas e comemorações em abundância, o pedido feito por protetores da causa animal não parece exagerado. Pelo contrário. A campanha para reduzir o uso de fogos de artifício com estampidos tem como base argumentos cada vez mais conhecidos pela sociedade.

Os impactos provocados pelo barulho dos rojões vão muito além do incômodo momentâneo. Animais domésticos frequentemente entram em estado de pânico, fogem de casa, sofrem acidentes e, em casos mais graves, chegam a morrer em decorrência do estresse. O problema também afeta crianças, idosos, pessoas hospitalizadas e cidadãos neurodivergentes, que podem enfrentar crises sensoriais diante dos ruídos intensos.

No último dia 12 de junho, durante a tradicional Entronização do Sagrado Coração de Jesus, padres e representantes da Igreja Católica fizeram repetidos apelos para que os fiéis evitassem a soltura de fogos barulhentos. O pedido encontrou respaldo não apenas na preocupação com o próximo, mas também na legislação municipal, que proíbe a utilização de fogos de artifício com estampido.

O resultado chamou a atenção. Antes, durante e após a celebração religiosa, poucos rojões foram registrados. A comunidade católica, em sua grande maioria, atendeu ao clamor feito pelos sacerdotes e demonstrou que é possível preservar a beleza das manifestações de fé sem causar sofrimento a pessoas e animais.

O contraste veio no dia seguinte. Mesmo após um empate frustrante da Seleção Brasileira diante do Marrocos, a cidade voltou a registrar grande quantidade de rojões e fogos barulhentos. Bastaram alguns minutos de partida para que o silêncio observado na celebração religiosa desse lugar a estampidos ouvidos em diversos bairros.

A situação evidencia uma reflexão que vai além do futebol, da religião ou das tradições populares. Se a sociedade já possui informação suficiente sobre os danos causados pelos fogos barulhentos e se existem alternativas luminosas capazes de produzir o mesmo efeito festivo, talvez a questão não seja mais de desconhecimento, mas de escolha.

Afinal, celebrar não deveria significar provocar sofrimento a quem não pode pedir socorro. E o respeito ao próximo, seja ele humano ou animal, continua sendo uma das formas mais genuínas de convivência em comunidade.

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