O Brasil conquistou sua última Copa do Mundo em 2002. Já se passaram 24 anos desde o pentacampeonato. Nesse período, nasceu uma geração inteira de brasileiros que jamais viu a Seleção levantar a taça mais importante do futebol mundial. Muitos dos meninos e meninas que vestiram verde e amarelo nos últimos dias nunca comemoraram um título mundial. Ainda assim, continuam acreditando.
Foi impossível não perceber isso durante a estreia brasileira contra Marrocos. Em Lafaiete, como em milhares de cidades espalhadas pelo país, o jogo alterou a rotina. Bares ficaram mais cheios, famílias se reuniram diante das televisões e as ruas ganharam o colorido das bandeiras. Mas o que mais chamava atenção não estava dentro de campo. Estava nos rostos das crianças.
Enquanto muitos adultos carregam lembranças de eliminações dolorosas e da histórica derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, os mais novos enxergam a Seleção de uma forma completamente diferente. Para eles, a camisa amarela não está associada a traumas. Ela representa sonho, pertencimento e esperança. Representa a possibilidade de ver o Brasil campeão pela primeira vez em suas vidas.

Talvez por isso a torcida infantil seja tão genuína. As crianças não analisam retrospectos, não fazem cálculos estatísticos e não acumulam frustrações de Copas passadas. Elas simplesmente acreditam. Acreditam que o próximo chute pode entrar, que o próximo jogo pode ser melhor e que a próxima Copa pode terminar em festa. É uma confiança quase ingênua, mas que ajuda a explicar por que o futebol continua ocupando um espaço tão especial na cultura brasileira.
Ao observar essa nova geração durante a estreia da Seleção, fica a sensação de que o futebol brasileiro continua encontrando formas de se renovar. O 7 a 1 marcou profundamente quem viveu aquela tarde. Mas ele já não define o imaginário de milhões de crianças espalhadas pelo país. Elas cresceram ouvindo histórias sobre Pelé, Romário, Ronaldo e tantos outros ídolos, mas construíram sua própria relação com a Seleção. Uma relação livre do peso das derrotas e cheia daquilo que sempre moveu o torcedor brasileiro: a capacidade de sonhar.

Talvez seja justamente por isso que o Brasil continue parando quando a Seleção entra em campo. Não por causa das cinco estrelas bordadas na camisa ou das glórias do passado, mas porque sempre haverá uma criança com o peito estufado, uma bandeira nas mãos e um sorriso sincero acreditando que o próximo gol pode mudar tudo.
E enquanto existir uma criança gritando “Vai, Brasil!”, haverá motivos para acreditar também.



