Unidade em Itatiaia (RJ) deve deixar de produzir veículos após negociações com gigante chinesa
Uma montadora de veículos de luxo decidiu encerrar a produção no Brasil após uma década de operação e números abaixo do esperado no mercado nacional. A unidade instalada em Itatiaia, no Rio de Janeiro, vive um momento de incerteza enquanto o futuro da fábrica e dos trabalhadores segue em negociação.
Os últimos veículos montados no país já foram finalizados e devem ser enviados às concessionárias até meados de julho. Ao mesmo tempo, uma fabricante chinesa surge como principal interessada em assumir a operação do complexo industrial.
Fim da produção após 10 anos no país
A Land Rover encerra a fabricação nacional na planta de Itatiaia. A unidade, que completou 10 anos de funcionamento, não atingiu as metas esperadas para manter a produção local. A informação foi divulgada inicialmente pela revista Quatro Rodas e confirmada pelo UOL Carros junto a fontes ligadas à empresa. Apesar disso, a Jaguar Land Rover ainda não confirmou oficialmente o encerramento das atividades industriais na unidade fluminense.
Nos bastidores, os últimos modelos dos veículos Discovery Sport e Range Rover Evoque já foram concluídos. A distribuição para a rede de concessionárias deve ocorrer até a metade de julho. A empresa informou que as atividades seguem normalmente ao longo de junho, dentro do planejamento já estabelecido. Em nota, afirmou que “a produção da unidade de Itatiaia (RJ) segue normalmente durante o mês de junho, conforme o planejamento operacional da companhia. Não temos informações adicionais para compartilhar neste momento”, declararam.
A fábrica de Itatiaia foi inaugurada em 2016 e marcou a primeira operação industrial da Jaguar Land Rover fora do Reino Unido, além de ter sido a única unidade fabril da companhia na América Latina. O projeto recebeu investimento inicial de R$ 750 milhões e foi planejado para produzir até 24 mil veículos por ano.
Vendas abaixo do esperado pesaram na decisão
O desempenho comercial da marca no Brasil é apontado como um dos principais fatores para a saída da produção. Em 2025, foram vendidos apenas 757 veículos no país. De acordo com dados da Fenabrave, o Discovery Sport respondeu por 425 unidades comercializadas no período, enquanto o Range Rover Evoque somou 332 emplacamentos. Entre janeiro e maio deste ano, os modelos produzidos localmente registraram 264 emplacamentos.
Na prática, a produção nunca alcançou volumes elevados. A operação brasileira sempre teve papel mais estratégico do que industrial para a companhia, cenário que acabou sendo reforçado pela nova estratégia global da Jaguar Land Rover, voltada para eletrificação, redução da complexidade industrial e foco em modelos de maior margem de lucro.
371 trabalhadores seguem em atividade e incerteza
A fábrica emprega atualmente 371 trabalhadores diretos, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real. Mesmo com a redução da produção e o anúncio de encerramento, os funcionários seguem em atividade e participam de cursos de capacitação enquanto aguardam definições sobre o futuro. O sindicato afirma preocupação com a manutenção dos empregos durante o processo de transição.
“A JLR possui acordo coletivo de trabalho vigente e tem cumprido com as obrigações. Nossa preocupação é com os funcionários da JLR, entendo que uma possível negociação precisaria de garantias destes postos de trabalho”, afirmou o diretor administrativo Bruno Mendonça Streva.
Chineses avançam em negociação pela fábrica
Uma fabricante chinesa surge como possível nova dona da unidade industrial. Existe uma carta de intenções assinada pela Chery para que a Omoda & Jaecoo assuma a operação da fábrica. As negociações estariam sendo conduzidas diretamente com a Tata Motors, grupo indiano controlador da Jaguar Land Rover.
A aproximação entre as empresas ocorre em meio à parceria global já existente na China. A Chery também negocia com a Prefeitura de Itatiaia e com o Governo do Estado do Rio de Janeiro a manutenção dos incentivos fiscais atualmente vinculados à planta.
O plano inicial prevê produção de até 100 mil veículos por ano a partir do segundo semestre de 2027, com fase de adaptação para cerca de 87 mil unidades anuais. A mudança representaria uma transformação significativa na operação da fábrica. Enquanto a Jaguar Land Rover utilizava o sistema SKD, a expectativa é que a Omoda & Jaecoo adote o modelo CKD, que exige uma cadeia produtiva mais robusta e maior nível de montagem local.
Para a Chery, a aquisição também resolveria um antigo desafio: definir uma base industrial para a produção nacional da Omoda & Jaecoo, marca que considera a fabricação local uma etapa importante para ampliar a competitividade, reduzir custos e aumentar o volume de vendas. Entre os veículos cotados para produção em Itatiaia estão futuros SUVs da Omoda & Jaecoo, incluindo modelos híbridos e flex destinados ao mercado brasileiro.
FONTE: A Tarde



