Vereadores defendem mobilização conjunta para cobrar providências do Governo de Minas diante da demora na regulação de pacientes e do aumento das reclamações sobre o novo sistema.A situação enfrentada por pacientes que aguardam transferência para hospitais de referência voltou a ser tema de debate na sessão ordinária da Câmara Municipal desta quarta-feira (2). O primeiro a levantar o assunto foi o vereador Erivelton, que fez um pronunciamento contundente sobre as falhas do CORE, novo sistema estadual de regulação de vagas hospitalares, e propôs que o Legislativo encaminhe uma nota de repúdio ao Governo de Minas Gerais.
Segundo o parlamentar, o problema tem se agravado em toda a região, deixando pacientes dias à espera de transferência, mesmo em casos amparados por decisões judiciais.Durante a tribuna, Erivelton afirmou que hospitais enfrentam dificuldades para utilizar o sistema e relatou que famílias têm procurado os vereadores diariamente em busca de ajuda para conseguir vagas e transferências.
“O sistema não funciona e, enquanto isso, pessoas estão perdendo a vida esperando uma resposta”, destacou o vereador, ao defender que a Câmara assuma uma posição firme diante da situação.Erivelton lembrou que o antigo SUS Fácil apresentava limitações, mas, segundo ele, conseguia atender melhor à demanda. Para o vereador, a substituição pelo CORE representou um retrocesso na regulação de pacientes.
Além da nota de repúdio, o parlamentar defendeu que a mobilização da Câmara possa incentivar outros municípios, prefeituras e casas legislativas a cobrarem providências do Estado, ampliando a pressão para que o sistema seja corrigido.
Na sequência, o vereador Fernando Bandeira reforçou a preocupação apresentada por Erivelton e compartilhou um caso recente acompanhado por seu gabinete. Segundo ele, uma família procurou ajuda após obter uma liminar judicial para garantir um procedimento cirúrgico, mas, mesmo com a decisão favorável, o Estado não cumpriu a determinação. O vereador afirmou que a situação evidencia a gravidade das falhas na regulação e defendeu uma atuação institucional mais ampla.
Como encaminhamento, Fernando sugeriu que a Câmara envie um ofício assinado pelos 13 vereadores à Associação Mineira de Municípios (AMM), além de acionar o Ministério Público e a Procuradoria do Estado para cobrar providências da Secretaria de Estado de Saúde. Para ele, é necessário unir forças para evitar que novos pacientes sejam prejudicados pela demora nas transferências.
Também em apoio ao debate, o vereador Pastor Angelino afirmou que o problema não se restringe a Conselheiro Lafaiete e tem atingido diversos municípios mineiros. O parlamentar classificou como pertinentes as manifestações de Erivelton e Fernando Bandeira e apresentou uma nova proposta para ampliar a discussão.
Angelino sugeriu a realização de uma audiência pública na Câmara, com a convocação de representantes do Estado e da Secretaria de Saúde, para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento do CORE, explicar os problemas enfrentados e apresentar soluções para o sistema.
Ao final das manifestações, os vereadores demonstraram consenso quanto à necessidade de cobrar respostas do Governo de Minas e buscar medidas concretas para reduzir o tempo de espera por vagas hospitalares, diante das recorrentes reclamações de pacientes e familiares que dependem da regulação estadual para continuidade do tratamento.



