As mineradoras que atuam em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, foram alertadas cerca de duas semanas antes sobre a possibilidade de formação de uma intensa nuvem de poeira registrada no último domingo (12). A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Luís Lobo, que afirmou que as empresas não adotaram todas as medidas preventivas necessárias para evitar o problema.
Segundo o secretário, a Prefeitura já tinha conhecimento das condições meteorológicas previstas para o período, com baixa umidade do ar e ventos fortes, cenário que favoreceria o aumento da dispersão de material particulado. Diante disso, as empresas foram orientadas a reforçar a umidificação das vias e reduzir as atividades operacionais ao longo do domingo.
“As empresas já sabiam há mais de duas semanas, pelo menos, que no domingo ocorreria esse episódio grave. Fizemos mais de quatro ou cinco reuniões e enviamos diversos ofícios para que elas se preparassem. Para a situação ter chegado ao ponto que chegou, com certeza essas medidas não foram executadas da forma necessária”, afirmou João Luís Lobo.
Ainda de acordo com o secretário, os equipamentos de monitoramento da qualidade do ar registraram níveis de material particulado próximos de quatro vezes acima do limite previsto na legislação brasileira, situação que levou a Prefeitura a determinar, na tarde de domingo, a paralisação temporária das atividades das mineradoras CSN, Vale, Ferro+ e Gerdau.
A suspensão das operações teve caráter preventivo e, conforme explicou o secretário, foi necessária porque as ações adotadas pelas empresas não foram suficientes para controlar a emissão de poeira. “A paralisação veio justamente nesse sentido. Como verificamos que as empresas não conseguiram mitigar o problema, a medida que se impunha era interromper temporariamente as atividades”, destacou.

Problema recorrente
A formação de grandes nuvens de poeira durante o período de estiagem não é um episódio isolado em Congonhas. O município enfrenta situações semelhantes praticamente todos os anos. Casos semelhantes já haviam sido registrados em 2020, 2021, 2023 e, mais recentemente, em setembro de 2025, quando mineradoras também chegaram a interromper suas operações devido à baixa qualidade do ar.
O que dizem as empresas
Em nota, a CSN informou que interrompeu temporariamente suas operações e reforçou as ações de controle da poeira, intensificando a umidificação de vias e áreas expostas, utilizando sistemas fixos e móveis de aspersão, aplicação de polímeros e fechamento de vias internas, além do monitoramento contínuo das condições climáticas.
A Vale afirmou que recebeu a comunicação da Prefeitura, mas ressaltou que suas operações nas minas de Viga e Fábrica já estavam suspensas desde o extravasamento ocorrido em janeiro de 2026.Já a Gerdau declarou que não possui operações de mineração no município de Congonhas e que sua unidade de mineração localizada em Ouro Preto está distante dos limites do município, não havendo, segundo a empresa, relação entre suas atividades e o episódio de material particulado registrado na cidade.
O caso reacende o debate sobre a necessidade de medidas mais rígidas para reduzir os impactos ambientais da atividade minerária e proteger a saúde da população durante os períodos de estiagem.



