Dados do Portal da Transparência mostram aumento das receitas entre janeiro e maio, enquanto prefeito afirma que município enfrenta dívida de cerca de R$ 40 milhões
A Prefeitura de Ouro Preto arrecadou R$ 390,5 milhões entre janeiro e maio de 2026, segundo dados do Portal da Transparência do município. O valor representa crescimento de 9,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando a arrecadação somou R$ 357 milhões.
Na comparação entre os dois períodos, os cofres municipais receberam R$ 33,5 milhões a mais nos cinco primeiros meses deste ano. Os dados mostram que o crescimento foi impulsionado pelos resultados registrados em janeiro, março e maio, meses em que a arrecadação superou a observada nos mesmos períodos do ano passado.
Os números também indicam aumento da média mensal de arrecadação. Entre janeiro e maio de 2025, o município arrecadou, em média, R$ 71,4 milhões por mês. Em 2026, a média passou para R$ 78,1 milhões mensais, conforme os dados disponíveis no Portal da Transparência.
Apesar dos dados oficiais apontarem crescimento da arrecadação e aumento da média mensal de receitas, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo (PV), afirmou que o município enfrenta dificuldades financeiras. Segundo ele, o cenário não é exclusivo de Ouro Preto e também atinge outros municípios brasileiros.
“Há muita especulação, pessoas querendo tirar proveito político de uma situação que é comum a todos os municípios hoje do Brasil. Os municípios estão tendo uma queda de arrecadação e por isso mesmo vivem um momento de contenção, de restrição de gastos”, afirmou.
Ao explicar a situação financeira do município, o prefeito atribuiu a crise à paralisação da Mina de Fábrica, da Vale, localizada no distrito de Miguel Burnier. A suspensão das atividades foi determinada pelo Governo de Minas após o rompimento de um dique na divisa entre Ouro Preto e Congonhas. Angelo Oswaldo classificou a medida como “radical” e defendeu que não havia necessidade de interromper o funcionamento da unidade, sustentando que a decisão provocou impactos na arrecadação municipal.
“No caso de Ouro Preto, essa situação foi agravada surpreendentemente pela suspensão do funcionamento da Mina de Fábrica, uma importante unidade da Vale no nosso município, no distrito de Miguel Burnier. Infelizmente o Governo do Estado suspendeu as atividades da mina depois que houve o rompimento de um dique na fronteira de Ouro Preto com Congonhas. Não havia necessidade dessa medida radical, mas ela aconteceu e nós todos estamos sendo muito prejudicados por isso”, declarou.
Segundo o prefeito, a redução das receitas obrigou a administração municipal a ampliar os cortes de despesas. “A Prefeitura teve que ampliar então os cortes e naturalmente há um atraso de pagamento. Nós estamos rolando uma dívida de cerca de 40 milhões de reais, conforme nós informamos à Câmara Municipal”, disse.
Os dados do Portal da Transparência apontam que a Prefeitura arrecadou, em média, R$ 78,1 milhões por mês entre janeiro e maio deste ano. Durante sua fala, no entanto, Angelo Oswaldo afirmou que a arrecadação mensal do município varia entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões.
Angelo Oswaldo também disse que parte das dificuldades financeiras decorre de despesas assumidas de administrações anteriores, como precatórios, e comentou as reclamações de fornecedores sobre atrasos nos pagamentos, afirmando que a administração busca regularizar a situação através de um rodízio nos pagamentos.
Ao final, o prefeito afirmou que, apesar da dívida, a Prefeitura mantém investimentos em áreas como obras, saúde, desenvolvimento social e educação, utilizando recursos obtidos por meio de emendas parlamentares, convênios e parcerias.
Fonte: Itatiaia



