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A pequena cidade mineira de 6 mil moradores que guarda 150 cachoeiras e trilhas 4×4 em meio a uma natureza quase intocada

A combinação de cachoeiras, cânions e matas ciliares levou a Secretaria de Turismo de Minas Gerais a reconhecer Delfinópolis.

Em 1.171 km², Delfinópolis concentra mais de 150 cachoeiras e funciona como uma das entradas da Serra da Canastra. A combinação de trilhas, banhos, queijarias e estradas de terra ajuda você a decidir quando ir e como montar o passeio. Muitos atrativos ficam em propriedades particulares, e alguns acessos exigem taxa, pedágio e veículo 4×4.

No sudoeste de Minas Gerais, Delfinópolis concentra apenas alguns quarteirões asfaltados, enquanto seu território se estende por 1.171 km² de serras, cânions e cachoeiras. O município funciona como uma das entradas para o Parque Nacional da Serra da Canastra e também está ligado à produção de um dos queijos mais premiados do Brasil.

Como Delfinópolis ganhou o título de paraíso ecológico?

A combinação de cachoeiras, cânions e matas ciliares levou a Secretaria de Turismo de Minas Gerais a reconhecer Delfinópolis como um paraíso ecológico. Esses ambientes formam paisagens marcantes e servem de abrigo para espécies ameaçadas, enquanto o relevo da região lembra o formato de um grande baú, origem do nome Canastra, usado antigamente para esse tipo de caixa.

A história do município também está refletida em seu próprio nome, escolhido em homenagem a Delfim Moreira, governador de Minas Gerais e presidente do Brasil entre 1918 e 1919. Com pouco mais de 6.800 moradores, a economia local combina agropecuária e turismo, setores que ganham movimento especialmente durante o verão, quando o número de visitantes aumenta.

O que explica a fama das cachoeiras de Delfinópolis?

Com mais de 150 quedas d’água catalogadas, Delfinópolis reúne grande parte de seus atrativos em complexos particulares que controlam a entrada de visitantes. Os caminhos atravessam propriedades rurais, estradas de terra e trilhas que levam a poços de águas transparentes, onde o banho é permitido em diferentes pontos.

  • Complexo Cachoeira do Paraíso: reúne oito cachoeiras em sequência e está entre os conjuntos mais conhecidos do município, com trilha guiada de aproximadamente quatro horas.
  • Cachoeira Casca d’Anta: é a primeira grande queda do Rio São Francisco e possui 186 metros de altura, com acesso pela Portaria 4 do Parque Nacional.
  • Complexo Cachoeiras do Cerradão: concentra diversas quedas, trilhas e poços em uma propriedade particular que conta com camping e restaurante.
  • Vale da Gurita: reúne cachoeiras próximas à Queijaria e permite combinar os banhos de rio com uma experiência de degustação no mesmo passeio.

Quais são os caminhos para entrar na Serra da Canastra por Delfinópolis?

Administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado em 1972 pelo Decreto 70.355 e possui 197.972 hectares distribuídos pelos municípios de São Roque de Minas, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória, Capitólio e Vargem Bonita.

Entre os ambientes protegidos estão as nascentes dos rios São Francisco, Araguari e Santo Antônio, além do habitat do raro pato-mergulhão. A visitação pública ocorre das 8h às 16h, mediante pagamento de taxa, e requer atenção às condições das estradas, já que muitos acessos são de terra e alguns trechos cobram pedágio de veículos 4×4.

Como o queijo da Canastra ganhou reconhecimento internacional?

A tradição queijeira também ocupa lugar importante na identidade de Delfinópolis, integrante da região produtora do Queijo Minas Artesanal. Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o modo artesanal de fazer o queijo como patrimônio cultural imaterial brasileiro. Em 2024, a Unesco incluiu esse modo de fazer na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A técnica tem raízes na Serra da Estrela, em Portugal, e chegou à região com os tropeiros durante o ciclo do ouro. Atualmente, dezenas de queijarias familiares recebem visitantes interessados em acompanhar etapas como a ordenha e conhecer a produção, além de experimentar o queijo diretamente nas propriedades.

Quais sabores mineiros aparecem depois de um dia de trilha?

A gastronomia de Delfinópolis mantém uma forte ligação com a produção rural e utiliza ingredientes frescos vindos das propriedades do entorno. É comum encontrar essas receitas em restaurantes instalados nos próprios complexos de cachoeiras ou em pousadas espalhadas pelos caminhos que levam à serra.

  • Queijo Canastra curado: enquanto o queijo jovem apresenta textura mais macia, a maturação prolongada deixa a peça mais firme e concentra o sabor que tornou o produto conhecido mundialmente.
  • Frango com quiabo: preparado na hora em panelas de tacho, costuma chegar à mesa acompanhado de angu e arroz soltinho nas queijarias que recebem visitantes.
  • Doces de tacho: leite, mamão, figo e goiaba são preparados em tachos de cobre e comercializados diretamente pelos produtores.

Quais são os principais caminhos para chegar a Delfinópolis?

A distância até Belo Horizonte é de aproximadamente 430 km, enquanto São Paulo fica a cerca de 420 km. Para quem chega de carro, o percurso mais utilizado passa pela BR-050 até Passos, seguindo depois pela MG-050 e pelas estradas vicinais que levam ao município.

O asfalto se concentra no perímetro urbano, e muitos dos atrativos ficam em estradas não pavimentadas. Por isso, veículos com tração 4×4 são recomendados para quem pretende acessar os passeios localizados nas áreas rurais e nos arredores da serra.

O que torna Delfinópolis um destino marcado por água e natureza?

A paisagem de Delfinópolis reúne uma concentração expressiva de cachoeiras em um território de pouco mais de 6.800 moradores, cercado pelas serras e pela área de influência do Parque Nacional da Serra da Canastra. Trilhas, queijarias e áreas de cerrado fazem parte de uma experiência turística diretamente ligada ao ambiente rural.

A combinação entre quedas d’água, produção artesanal de queijo e hospedagens próximas à natureza ajuda a explicar o perfil do município como destino de ecoturismo. Em diferentes pontos da região, o visitante encontra propriedades rurais, caminhos de serra e cursos d’água que atravessam a paisagem.

fonte: Correio Braziliense

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