Câmara Municipal de Belo Vale promoveu Audiência para debater impactos da mineração; sociedade civil cobra transparência e ações do favor do meio ambiente

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O sitiante Gomerci Rezende Lara relatou
Moradores de Moeda e Belo Vale relataram os impactos negativos da mineração e cobram mais fiscalização

A Câmara  recebeu na tarde desta terça-feira (25), representantes de mineradoras que atuam no município de Belo vale. Compareceram a VALE S.A, Mineração Argentina  representada por Jean Frank e Mineração Polares Ltda. Convocada,  a Green Metals, que vem trazendo graves impactos para a comunidade dos Pintos, não compareceu.

O evento foi proposto e coordenado pelo Vereador Antônio Moura, com apoio de seus colegas vereadores Higor Cordeiro e Everton Correa. Antônio Moura, conhecido como “Cocoto” esclareceu que o objetivo principal é de desistitucionalizar a discussão e trazer luz, transparência e informação para a comunidade. “É preciso mudar essa relação direta do Poder Público com as mineradoras e chamar o cidadão para participar. Queremos transparência para dinamizar a questão do debate”, afirmou Cocoto. E acrescentou que os debates não se esgotariam ali: “As empresas que não atenderam ao convite serão convocadas, e terão que apresentar suas licenças e documentos atuais de operação, mesmo que seja judicialmente”, alertou Antônio.

Organizações da Sociedade Civil de Belo Vale e Moeda estiveram presentes e fizeram seus depoimentos sobre os graves impactos que as cidades estão sofrendo. Representantes dos Pintos e Boa Morte reclamaram, principalmente, da qualidade da água, que falta e muitas vezes chega igual lama. Lucimar, proprietária do Restaurante Varandão apresentou fotos sobre a péssima qualidade a água e Maria Alair da Pousada Vargem do Cedro, cobrou maior participação e postura do poder público para as questões.

Secretário diz que empresas não pagam CFEM

O Poder Público esteve representado pela secretaria do Meio Ambiente, Fernanda Castro e secretário de Planejamento, Itamar, que disseram que o município não tem poder de fiscalização, mas estão em contato direto com os órgãos ambientais do Estado para que façam as devidas cobranças às mineradoras, pois, algumas não pagam nem mesmo o CFEM.

O sitiante Gomerci Rezende Lara relatou poluição dos cursos d’água na comunidade dos Pintos, em Belo Vale

A secretaria do Meio Ambiente, também, foi alertada para que esclareça sobre a atuação da Green Metals, a qual provoca sérios impactos no trevo da MG-442, como também, sobre o cumprimento das cláusulas do “Termo de Compromisso” firmado com a mineradora. “Tenho um sítio na área há anos, e perdi toda a tranquilidade. A Green Metals diz que fez uma Estação de Tratamento de Água (ETA) para atender os Pintos, mas o que vejo é lama descendo pelo riacho” alertou o advogado Gomerci Rezende Lara, que ajuizou Ação Cívil contra a mineradora.

Os representantes da Associação do Meio Ambiente de Moeda (AMA) querem maior rigor sobre as minerações de areia no Rio Paraopeba, cujos caminhões estão passando por dentro do centro da cidade.

Em suma, Belo Vale passa por um momento delicado com os empreendimentos da mineração. E há muito a ser feito, com urgência para que Belo Vale não seja surpreendido com rompimento de barragem, como a Marés II, da VALE, classificada no nível de alerta 1. Não podemos conviver com as ações desrespeitosas dessas empresas. Antônio Moura promete rigor na investigação e condução desses fatos e quer maior participação dos cidadãos belovalenses.

 

 

  • Tarcísio Martins, jornalista e ambientalista – APHAA-BV