GARIMPANDO NO ARQUIVO JAIR NORONHA – NOTÍCIAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE – 42

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GARIMPANDO NO ARQUIVO JAIR NORONHA

Avelina Maria Noronha de Almeida

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NOTÍCIAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE – 42

 

O motivo dessa presença ornamental era uma lembrança

da realeza, da Real Villa de Queluz, cujo nome, dado pela rainha

Maria I, era do suntuoso palácio em que ela vivia.

 

CONTINUANDO A FALAR SOBRE O CHAFARIZ: lá no alto, no capitel, isto é, a extremidade superior da coluna, uma fruteira com muitos tipos de flores e frutas, tão belos ornatos encimados por um abacaxi.

No meu tempo de menina, ouvia pessoas ironizarem, principalmente quando havia crise de água ou de luz, ou outra deficiência de serviços: “Esta cidade é mesmo um abacaxi!”, referindo-se depreciativamente à fruta da família das bromeliáceas, talvez porque, tão linda, saborosa e nutritiva, fosse difícil de descascar. Seu visual é espinhoso e ressequido, por isso a gíria.

Mas o abacaxi, também chamado ananás, tinha seu simbolismo importante. Podemos vê-lo como ornamento nas belas sacadas da Casa de Cultura Gabriela Mendonça, das igualmente belas sacadas do Solar do Barão de Suassuhy.

Imagem da Internet

 

Na foto do Solar do Barão de Suassuhy podem ser vistos os efeites de ananás em todas as sacadas, de um lado e de outro.

Certamente, isso acontecia também nos sobrados antigos que embelezavam a cidade em tempos antigos e que – e ó pena! – foram derrubados.

O motivo dessa presença ornamental era uma lembrança da realeza, da Real Villa de Queluz, cujo nome, dado pela rainha D. Maria I, era do suntuoso palácio em que ela vivia.

E por que o abacaxi recordava o palácio? Porque em seu Jardim Botânico, pertencente à antiga residência da família real, há 22 canteiros dessa fruta, lá  chamada  “ananás” que era considerada a mais exótica das frutas do século XVIII. Ali foram cultivados os primeiros ananases de Portugal, que eram motivo de grande orgulho da Casa Real Portuguesa, sendo elementos decorativos da cantaria e do revestimento de azulejos do interior do palácio, por isso o seu uso em nossa Queluz na decoração do monumento do antigo Jardim de Areia e dos casarões. Lembranças daquele dia que nos trouxe a independência e o prestígio de vila.

Pouco tempo atrás realizou-se a reabilitação do jardim português, um dos mais interessantes jardins europeus e importante patrimônio paisagístico. Os canteiros, cheios de coroas de ananás, estão dentro de estufas brancas. Por ter uma coroa, logo depois do descobrimento do Brasil apelidaram-no de “rei dos frutos”, símbolo de regiões tropicais e subtropicais, e que agrada ao mesmo tempo aos olhos, ao paladar e ao olfato.

Imagem da Internet:                                                 Palácio de Queluz

Imagem da Internet                             Ananazes no Jardim Botânico do Palácio de Queluz

Outra relação interessante é ser o abacaxi o símbolo da hospitalidade. Os antigos o plantavam do lado de fora da casa para significar que os visitantes eram bem-vindos.

E não é que o povo de nossa terra, em todos os tempos, foi hospitaleiro? Prova disso a maravilhosa miscigenação de nossa gente desde o Arraial do Campo Alegre dos Carijós…

O conhecimento de significados belos ou importantes torna mais poderosa a nossa auto-estima em relação ao lugar onde nascemos ou vivemos. Quando passarem pela praça em frente à Matriz de Nossa Senhora da Conceição, dediquem um olhar de admiração aos abacaxis do simbólico chafariz, cheguem perto, se possível, observem seus belos detalhes.

 

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