Garimpando: Notícias de Conselheiro Lafaiete – 15

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GARIMPANDO NO ARQUIVO JAIR NORONHA

                                        Avelina Maria Noronha de Almeida

                                                 [email protected]

NOTÍCIAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE – 15

O falecido e notável jornalista e pesquisador Joaquim Rodrigues de Almeida disse-me haver encontrado, na  fazenda dos Macacos, documentos que afirmavam que a primitiva igreja fora construída de esteira, coberta de colmos ou de capim por não haver, naquele tempo, material apropriado.”

Padre José Duarte de Souza

Igreja da Passagem antes da reforma / Imagem de Célio dos Santos

Continuando a focalizar a nossa História de Conselheiro Lafaiete através dos tempos,  chegamos a:

1774 – Construção da Igreja de Passagem de Conselheiro Lafaiete (Passagem de Gagé).

Esta não foi a primeira igreja de Carijós, etapa inicial da vida de nossa cidade de Conselheiro Lafaiete. De acordo com Padre José Duarte de Souza, em seu livro inédito SUBSÍDIO DE PESQUISAS FEITAS PELO PADRE JOSÉ DUARTE DE SOUZA NO ARQUIVO PAROQUIAL E NO FÓRUM DE CONSELHEIRO LAFAIETE, NO DA CÂMARA ECLESIÁSTICA DE MARIANA, NO ARQUIVO MINEIRO, NO MUSEU DE SÃO JOÃO-DEL-REI: “O falecido e notável jornalista e pesquisador Joaquim Rodrigues de Almeida disse-me haver encontrado, na  fazenda dos Macacos, documentos que afirmavam que a primitiva igreja fora construída de esteira, coberta de colmos ou de capim por não haver, naquele tempo, material apropriado. Esta capela serviu, naturalmente, por algum tempo, para a celebração do clto divino e catequese dos selvícolas, feita, provavelmente, pelos jesuítas, cerca de 1690.”

Para falar sobre ela, vou transcrever um artigo que escrevi e foi publicado nesta coluna do Correio de Minas na Edição 137, de 31 de maio de 2006, porque tem relação com esta igreja e seus primeiros tempos e dá uma visão com pessoa envolvida com ela naquela época da segunda metade do século XVIII. Será uma introdução ao estudo desta igreja. Aqui vai o artigo do passado:

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UM NABABO EMPREENDEDOR EM NOSSA HISTÓRIA

                                                           Avelina Maria Noronha de Almeida

Um dos intuitos desta coluna é garimpar aqui e ali, em livros que não estão facilmente disponíveis, alguns fatos da história de Conselheiro Lafaiete e trazê-los para os nossos leitores. Uma das melhores fontes, e que ainda espero usar muitas vezes, é   “MINHAS RECORDAÇÕES” de Francisco de Paulo Ferreira de Rezende, que sempre nos traz alguma novidade.

É assim que ele nos relata: 

“Além da Freguesia da Itaverava, em que se descobriu o primeiro ouro de Minas, e a de Catas Altas, em que este se mostrou muito mais abundante, ainda havia em Queluz um lugar que se tornou notável pela grande quantidade que aí se retirou desse metal. Este lugar chama-se Passagem e fica a uma légua mais ou menos de Congonhas.”

Assim havia outra igreja anterior.

Um parênteses na história: Passagem é um local ao qual se vai entrando em Gagé ou continuando o caminho de Casa Branca, vindo da Santa Efigênia, e que faz parte de uma de minhas hipóteses a respeito dos primeiros tempos de nossa cidade. Penso que ali seria o aldeiamento de índios carijós e mineradores que garimpavam na Serra de Ouro Branco (Serra do Deus Te Livre), o qual foi visto por bandeirantes, de acordo com informação de Saint-Adolphe, um desses viajantes estrangeiros que aqui vieram no passado e nos deixaram muitas notícias importantes. Creio que escavações naqueles locais poderiam trazer um material arqueológico valiosíssimo.

Continuemos com Ferreira Rezende:

Imagem da Internet

“Um dia em que eu viajava lá para os lados de Ouro Preto, atravessei um rego que se dirigia para as bandas da Passagem; e eis aqui o que a seu respeito me contaram. Possuindo alguma fortuna e sendo um homem extremamente empreendedor, o dono ou o descobridor daquelas minas, que sabia muito bem quanto eram ricas e que pouco ou nada podia fazer, por causa da água que era escassa ou não era suficiente para ser útil, já não sabia de que expediente pudesse lançar mão que o tirasse daquela tão grande contrariedade, quando afinal julgou achar esse meio. E eis aqui qual foi. Como se sabe, na serra que passa próximo de Queluz, há um lugar em que se encontra, a muito pequena distância, águas que correm para o Piranga ou Rio Doce, para o Paraopeba ou S. Francisco e finalmente para o Carandaí ou Rio Grande; e caminhando-se desse ponto para os lados do Ouro Preto, vai-se tendo sempre à direita as águas do Rio Doce e à esquerda as do S. Francisco. Vendo, pois, aquele homem, que não achava na bacia do Paraopeba a água de que tanto precisava, resolveu trazer para a bacia deste rio um córrego que na vertente oposta descia para o Piranga; e, embora tivesse, para isso, de vencer não pequenas dificuldades e uma distância de algumas léguas, empreendeu a tirada do rego. Como, porém, as suas posses não davam para uma tão grande empresa, contraiu entre os seus amigos e conhecidos um grande número de dívidas; meteu-se na mata e nunca mais apareceu, para que, enquanto tirava o rego, que devia levar muito tempo, não fosse ele inquietado pelos seus credores”, completou suas posses com dinheiro emprestado de amigos e conhecidos. Como o tempo fosse passando (pois a empreitada era difícil e o referido córrego estava a algumas léguas de distância) e o homem não aparecesse, justamente fugindo de assédio dos credores, estes resolveram tomar providências. Mas passo a palavra escrita para Francisco de Paula Ferreira Rezende (em Minhas Recordações) que sabe contar os fatos com seu estilo literário sugestivo e agradável: 

“Diante de um tal desaparecimento, os credores trataram de acioná-lo à revelia; prepararam as suas execuções; e quando o misterioso fujão de novo apareceu no campo, nas imediações de Ouro Branco e à frente do rego que vinha agora trazendo, sem mais demora começaram a cair sobre ele as citações para a  penhora, e ele, pelo seu  lado e com a maior impassibilidade, a pedir vista  para embargos”.

A história prossegue realmente interessante, mas vamos deixar a continuação para a próxima semana e veremos as peripécias, os sucessos e os sofrimentos do nosso personagem. Até lá!

(Continua)

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