Rua Dr. Campolina pede socorro

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Boca do túnel é alvo de assaltos e tráfico de droga

Amedrontados com tráfico constante e consumo de drogas e até mesmo assaltos na rua Dr. Campolina, bairro São Sebastião, moradores, comerciantes e pedestres temem pela sensação de insegurança. Quem passa ou frequenta a via percebe todos os dias o comércio e uso droga, em especial o crack, a luz do dia, sem qualquer respeito aos cidadãos. Todos nossos entrevistados mantiveram o sigilo dos nomes para evitar ameaças de traficantes e usuários. “Olha, a situação a cada dia piora. Muitos elementos abordam nossos clientes pedindo dinheiro ou mesmo amedrontando as pessoas. Aqui virou uma cracolândia de Lafaiete”, denunciou um comerciante que preferiu não sem citado temendo represálias dos grupos que frequentam a Rua Dr. Campolina. Outros empresários também procuraram a redação do jornal para reclamar da situação insuportável de crescente violência. “Além de impedir as pessoas de freguentar os comércios eles também. O que estamos sentindo é insegurança total e qualquer hora teremos que baixar a porta ou estaremos no toque de recolher destes malandros”, comentou um comerciante. Além dos reflexos nas vendas, os comerciantes temem pela segurança. “Não estamos olhando somente o lado dos comerciantes, mas de todos os cidadãos que circulam pelo local. Diariamente acredito que mais de 7 mil pessoas passam pela rua Dr. Campolina e seus arredores. Todos nós estamos acuados e pedimos mais segurança e policiamento”, frisou um empresário. Temendo perseguição, os comerciantes preferiram manter o silencia. “Estamos vivendo certo terror. O comércio de drogas rola sem parar o dia inteiro. È prostituição, bededeira e muita gente estranha que espalha medo, principalmente depois das 20:00 horas. Até certo horário podemos ainda exercer nossas funções, mas vai surgindo a noite a situação fica cada mais crítica. È um caos e temos que fechar nosso comércios mais cedo”, comentou um dono de estabelecimento tradicional da Dr. Campolina. Os empresários já cobraram mais policiamento no local, mas ainda é insuficiente para trazer de volta a tranquilidade. “Tem de ter o policiamento ostensivo para espantar esses traficantes. Aqui virou ponto de droga. Eles escondem a droga e quando a polícia vem dar busca não encontra nada. Estamos abandonados. De nada adianta vir aqui duas ou três vezes por dia”, finalizou um empresário.

Boca do túnel

Não é somente a Dr. Campolina que passa pela mesma situação, mas diversas ruas ao redor. Um deles é o túnel sob o viaduto Duartina Nogueira de Resende, próximo ao camelódromo, na praça Getúlio Vargas. Na manhã do dia 26, duas mulheres foram surpreendidas na saída do túnel, em pleno centro da cidade, por um homem armado com uma faca. Por sorte, nada de grave aconteceu com elas, que saíram correndo e se livraram de ser vítimas do assaltante, que, ao que tudo indica, é viciado em entorpecentes. Ele teria sido desarmado por um popular que presenciou a cena.Flávio Pereira, morador do bairro Carijós e pai de uma das jovens fez um desabafo e cobrou providências. Segundo ele, cerca de 30 minutos antes, outra pessoa também havia sofrido uma tentativa de assalto. Flávio defende que câmeras de segurança sejam instaladas no túnel para, pelo menos, intimidar os marginais e que a polícia reforce as rondas nas imediações. A presença das câmeras, segundo o morador, coibiria também a conduta inadequada de usuários que insistem em usar a passagem subterrânea como banheiro.

PM diz que já adotou medidas
Em resposta, o capitão Cléssius, comandante da 65ª Companhia, responsável pelo policiamento urbano, recomendou que as vítimas deste tipo de abordagem entrem imediatamente em contato com a Polícia Militar (telefone 190) repassando as características do agressor para facilitar a captura. O comandante informou também que, em parceria com a administração municipal, a PM vem adotando medidas para dispersar pessoas que costumam se reunir sob o viaduto Duartina e às margens do rio Bananeiras para cometer pequenos delitos. Ele garantiu que as incursões policiais nestes locais serão intensificadas e pediu que a comunidade faça a sua parte denunciando sempre que vir pessoas em atitudes suspeitas. O capitão Cléssius lembrou ainda que já existe uma cabine de videomonitoramento próximo ao túnel, na rua Marechal Floriano, e que as imagens captadas têm contribuído significativamente para conter o avanço de ações criminosas e identificação de seus autores. Na noite do dia 3, o vereador e Presidente da Câmara, João Paulo (PSB) cobrou mais policiamento. “Já fizemos reuniões, enviamos ofício, porém a situação persiste. Vamos continuar cobrando mais policiais no local”, afirmou.