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Brasil quebra recorde de exportações em 2025 apesar do tarifaço de Trump e da instabilidade global; foram US$ 348,7 bilhões (+3,5%) e China passou de US$ 100 bilhões, mas as vendas aos EUA caíram 6,6%, o superávit recuou e importações também bateram máxima

O recorde de exportações do Brasil em 2025 somou US$ 348,7 bilhões, alta de 3,5% sobre 2024 e novo máximo histórico. A China ultrapassou US$ 100 bilhões e respondeu por 28% do total. Já os EUA caíram 6,6%, o superávit recuou e as importações bateram recorde no fluxo total comercial.

recorde de exportações do Brasil em 2025 foi alcançado mesmo com o tarifaço do governo de Donald Trump e com instabilidade geopolítica no radar. O país exportou US$ 348,7 bilhões, avanço de 3,5% em relação aos US$ 337,0 bilhões de 2024, e estabeleceu um novo máximo histórico.

O resultado também superou em US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em 2023, e veio acompanhado de mudanças importantes no desenho da balança comercial: enquanto a China ampliou a liderança e passou de US$ 100 bilhões, as vendas aos Estados Unidos recuaram, o superávit encolheu e as importações atingiram um novo recorde.

O que sustenta o recorde de exportações em 2025

O número final de US$ 348,7 bilhões consolida o recorde de exportações em um ano em que o comércio exterior precisou lidar, ao mesmo tempo, com pressões tarifárias e com um ambiente externo descrito como instável.

Em termos absolutos, a alta de 3,5% sobre 2024 representa um incremento relevante no valor exportado, além de marcar a virada simbólica sobre o melhor desempenho anterior.

Outro ponto que ajuda a dimensionar a força do resultado é a quebra do recorde de 2023 por US$ 9 bilhões, um salto que reforça a leitura de que 2025 combinou crescimento com ampliação do alcance das vendas externas, ainda que com perdas em mercados específicos.

China amplia vantagem e ultrapassa US$ 100 bilhões

A China foi o principal destino e ultrapassou a marca de US$ 100 bilhões em compras, com cerca de 28% de participação no valor total exportado. Na prática, isso significa que mais de um quarto de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior em 2025 teve a China como destino, consolidando o país asiático como eixo central do desempenho.

Depois da China, aparecem os Estados Unidos com US$ 37,71 bilhões e 10,8% de participação, a Argentina com US$ 18,10 bilhões e 5,2%, e o México com US$ 7,73 bilhões e 2,2%. Esse desenho mostra um comércio exterior com destinos relevantes, mas com uma concentração clara no principal comprador.

EUA recuam 6,6% e outubro marca o momento mais crítico

Mesmo com o recorde de exportações no acumulado do ano, as vendas aos Estados Unidos terminaram 2025 com recuo de 6,6%, em um movimento associado às barreiras tarifárias aplicadas pelo governo de Donald Trump.

O desempenho foi especialmente pressionado no segundo semestre, com um ponto de inflexão bem definido.

O momento mais crítico ocorreu em outubro, quando as vendas aos EUA registraram queda de 35,4%. Já em dezembro, os dados indicaram trajetória de recuperação, com a baixa limitada a 7,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Em outras palavras, houve um choque forte em outubro e, depois, sinais de melhora na virada do ano, ainda que sem retorno ao terreno positivo.

Superávit cai 7,9% porque importações aceleram mais do que exportações

O saldo final da balança comercial foi de US$ 68,3 bilhões, o que representa uma queda de 7,9% frente aos US$ 74,2 bilhões de 2024. O recuo aconteceu apesar do recorde de exportações por um motivo direto: as importações cresceram em ritmo mais acelerado do que as exportações.

Esse detalhe é decisivo para entender o retrato completo de 2025. Exportar mais não garante superávit maior quando o país também compra mais do exterior, e foi exatamente esse o desenho do ano: avanço das exportações, porém acompanhado de um salto ainda mais forte nas importações.

Importações batem recorde e levam o fluxo comercial a US$ 629,1 bilhões

O total importado em 2025 somou US$ 280,4 bilhões, alta de 6,7% na comparação com os US$ 262,9 bilhões do ano anterior.Play Video

Esse valor superou em US$ 8 bilhões o recorde anterior de importações, registrado em 2022, e confirma que 2025 foi um ano de máximas tanto do lado das vendas quanto das compras externas.

Com esse movimento simultâneo, o fluxo total de comércio internacional brasileiro, soma entre importações e exportações, atingiu US$ 629,1 bilhões em 2025, com crescimento de 4,9% em relação a 2024.

O número evidencia uma economia mais ativa no comércio exterior, mas também explica por que o superávit recuou: o crescimento do fluxo foi puxado pelos dois lados, com destaque para a aceleração das importações.

Agro lidera crescimento e café dispara com alta de preços

Entre os setores, a agropecuária foi o que apresentou maior crescimento nas exportações anuais, com alta de 7,1%, totalizando US$ 77,6 bilhões.

Dentro desse desempenho, o destaque individual ficou com o café não torrado, que teve salto de 31,1% em valor, impulsionado por uma alta de 60% nos preços no mercado internacional.

A soja também aparece como peça-chave do resultado: o produto atingiu marcas históricas de volume para a China, superando 80 milhões de toneladas.

Esse dado ajuda a explicar por que a China não apenas liderou, como também ultrapassou a marca de US$ 100 bilhões no ano, reforçando o papel do agro no recorde de exportações.

Abertura de novos mercados mitiga perdas nos EUA

Além do desempenho nos grandes destinos, houve um fator de dispersão relevante: a abertura de novos mercados.

O Brasil registrou compras recordes de mais de 40 países, incluindo Canadá, Suíça, Noruega, Índia e Turquia, o que ajudou a mitigar perdas nos Estados Unidos.

Na prática, esse movimento indica que 2025 não foi apenas um ano de vender mais, mas também de vender para mais lugares, reduzindo parte do impacto de um mercado específico em retração.

Em um cenário de barreiras tarifárias, diversificação de destinos se torna um componente estratégico para sustentar o desempenho agregado.

Governo atribui resultado a ações de competitividade

Na leitura do governo, o desempenho tem relação com políticas voltadas ao ganho de produtividade e competitividade.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou: “O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior”.

A declaração se insere em um contexto em que o país combinou recorde de exportações com um ambiente externo descrito como mais desafiador, especialmente por conta de medidas tarifárias e da instabilidade geopolítica.

Petróleo: volume sobe 10,1%, mas receita cai com queda de preços

Outro ponto importante do retrato de 2025 foi o comportamento do petróleo bruto. A receita total com o produto caiu 0,7% no acumulado do ano.

O dado chama atenção porque, ao mesmo tempo, o volume exportado cresceu 10,1%, mostrando que o Brasil embarcou mais, mas ganhou menos.

A explicação está no preço: houve queda de 9,8% nos preços médios do barril no mercado global. Assim, o aumento do volume não foi suficiente para compensar a queda de preço, pressionando a receita mesmo com mais embarques.

O balanço final de 2025: mais exportação, mais importação e superávit menor

No fechamento do ano, 2025 deixa um conjunto de sinais claros. O recorde de exportações chegou a US$ 348,7 bilhões e foi puxado por China acima de US$ 100 bilhões, por um agro em forte crescimento e por ganhos expressivos em produtos como café e soja.

Ao mesmo tempo, as barreiras tarifárias pesaram sobre os EUA, com queda anual de 6,6% e um choque em outubro de 35,4%, ainda que dezembro tenha mostrado melhora.

Do lado interno da balança, a expansão de 6,7% das importações até US$ 280,4 bilhões elevou o fluxo comercial a US$ 629,1 bilhões, mas reduziu o superávit para US$ 68,3 bilhões, queda de 7,9%.

Em síntese, o país exportou mais, importou ainda mais rapidamente e fechou com saldo menor, mesmo batendo recordes.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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