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Empresa têxtil fundada em 1914 fecha duas fábricas, demite cerca de 260 trabalhadores e entra em recuperação judicial após citar contrabando, importações asiáticas e custos elevados como fatores que tornaram impossível competir no setor na Argentina

A empresa têxtil Emilio Alal S.A.C.I.F.I., tradicional em fios e tecidos de algodão, pediu recuperação judicial em 20 de fevereiro de 2026 e viu o processo abrir em 27 de fevereiro, após fechar unidades em Goya e Villa Ángela e demitir cerca de 260, apontando contrabando e importações asiáticas crescentes.

A empresa têxtil Emilio Alal S.A.C.I.F.I., fundada em 1914, entrou com pedido de recuperação judicial em 20 de fevereiro de 2026, depois de anunciar o fechamento de duas fábricas na Argentina e a demissão de cerca de 260 trabalhadores. O processo foi aberto oficialmente em 27 de fevereiro e tramita no Juízo de 1ª Instância de Reconquista, na província de Santa Fé.

O caso chama atenção por reunir, de uma só vez, impactos locais imediatos e um debate nacional sobre competitividade industrial. De um lado, a pressão por preços e importações; do outro, custos internos elevados e a denúncia de contrabando, em um setor que já vinha operando muito abaixo do próprio potencial.

O que aconteceu com a empresa têxtil e por que o caso ganhou urgência

A empresa têxtil comunicou que fecharia duas unidades localizadas em Goya, na província de Corrientes, e em Villa Ángela, na província de Chaco. Junto com o encerramento das atividades nessas cidades, veio a demissão de aproximadamente 260 trabalhadores, sem que fossem divulgados detalhes sobre as rescisões.

O pedido de recuperação judicial foi apresentado em 20 de fevereiro de 2026 e, poucos dias depois, em 27 de fevereiro, o processo passou a tramitar formalmente na Justiça de Reconquista, em Santa Fé. Na prática, o calendário apertado entre pedido, abertura do processo e anúncio de cortes transformou uma crise empresarial em um tema de interesse público, especialmente em regiões onde cada fábrica tem peso grande na renda local.

Recuperação judicial: prazos, administrador e o que muda para credores e empregados

No andamento do processo, foi nomeado o escritório C.N.P. como administrador judicial. Esse tipo de nomeação costuma ter um papel central porque a administração judicial participa do acompanhamento do procedimento, organiza informações e ajuda a estruturar rotinas de comunicação e verificação relacionadas ao caso, dentro do que a legislação e o juízo determinarem.

Para credores com títulos ou créditos anteriores a 20 de fevereiro de 2026, foi informado prazo prorrogado até 28 de maio de 2026 para apresentar pedidos de verificação, conforme a legislação argentina.

Esse ponto é relevante porque a recuperação judicial tende a reorganizar a relação da empresa têxtil com compromissos já assumidos, enquanto a companhia tenta preservar alguma continuidade e negociar condições de pagamento, sempre sob supervisão do Judiciário e dos mecanismos do processo.

Fechamento de fábricas em Goya e Villa Ángela: impacto local imediato

As duas unidades fechadas estavam em províncias diferentes, o que amplia o alcance do choque social e  econômico. Em cidades onde a indústria tem presença marcante, desligamentos em massa costumam afetar comércio, serviços e a dinâmica de consumo no entorno, porque parte do dinheiro que circulava no dia a dia deixa de existir de uma hora para outra.

Além do impacto no emprego, a empresa têxtil tinha um posicionamento produtivo específico: fornecia insumos destinados principalmente às indústrias de calçados, acessórios e artigos de couro. Quando uma fornecedora desse tipo para, o efeito pode se espalhar pela cadeia, porque fabricantes que dependem de prazos e volumes regulares precisam buscar alternativas, renegociar compras ou até redesenhar linhas de produção.

Por que ficou impossível competir: contrabando, importações, câmbio e energia

Em declaração atribuída ao empresário Luis Alal, responsável pela operação da companhia, a empresa têxtil descreveu um “contexto econômico e comercial adverso” no país. Entre os fatores citados, aparecem a abertura das importações asiáticas, o câmbio valorizado, os altos custos de energia e a queda no consumo interno.

O ponto mais duro do argumento é a combinação entre importações e mercado informal. A fala do empresário sustenta que o contrabando de produtos  têxteis e a abertura indiscriminada das importações tornam muito difícil competir quando os custos domésticos são considerados “extremamente altos”.

Mesmo sem entrar em números, a lógica apresentada é clara: se o produto chega mais barato por vias formais (importação) ou informais (contrabando), a indústria local perde espaço rapidamente, sobretudo quando energia e demais despesas pressionam o custo final.

Um retrato do setor: fábricas ociosas e queda de produção na Argentina

A crise da empresa têxtil é apresentada como parte de um quadro mais amplo no país. Dados do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos) indicaram que a utilização da capacidade instalada da indústria têxtil ficou em 29,2% em novembro do ano passado, o que significa operação com menos de um terço do potencial produtivo.

No mesmo recorte, foi apontada queda de 22,7% na produção em relação ao ano anterior e, no acumulado dos primeiros 11 meses do ano, retração de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Quando a capacidade instalada fica tão baixa, o setor entra em um círculo difícil de romper, porque custos fixos pesam mais por unidade produzida, margens apertam e qualquer perda adicional de demanda ou competição de preço tende a acelerar cortes.

Existe chance de retomada? O que a empresa afirma e o que ainda falta esclarecer

Apesar do fechamento das unidades e das demissões, a empresa têxtil afirmou que pretende retomar as atividades futuramente. A mensagem tenta separar o “fechar agora” do “reabrir depois”, e reforça que as máquinas estariam prontas, seriam novas e teriam alta capacidade produtiva, como forma de sinalizar que o obstáculo principal não seria tecnológico, mas econômico e comercial.

Ao mesmo tempo, há lacunas importantes. Até o momento mencionado, a Associação dos Trabalhadores  Têxteis não havia se manifestado sobre o fechamento das unidades e as demissões, e não foram divulgados detalhes sobre as rescisões trabalhistas.

Sem transparência sobre acordos, prazos e garantias, cresce a incerteza para quem foi desligado e para a rede de fornecedores e clientes, que precisa decidir se espera uma eventual retomada ou se migra definitivamente para outras alternativas.

O caso da empresa têxtil fundada em 1914 expõe um choque real entre tradição industrial e um cenário de mercado que, segundo a própria companhia, se tornou inviável: contrabando, importações asiáticas, câmbio valorizado, energia cara e consumo mais fraco ao mesmo tempo.

A consequência concreta já apareceu em forma de fábricas fechadas e cerca de 260 demissões, enquanto a recuperação judicial reorganiza prazos e expectativas.

Na sua visão, o que pesa mais para derrubar uma indústria tradicional: contrabando, importações ou custos internos como energia e câmbio? E, para você, qual seria a medida mais eficaz para evitar que outras empresa têxtil sigam o mesmo caminho: fiscalização, política industrial, crédito, redução de custos ou outra estratégia?

Fonte: Click Petroleo e Gas

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